terça-feira, 4 de novembro de 2008

Quase morri.

Semana passada, ao deixar meu garoto na escola, na volta para casa, ao fazer um retorno, quase fui pega por um caminhão da Brahma, em alta velocidade que passou direto no sinal que tinha acabado de fechar (para ele).


Estava eu parada, aguardando o sinal abrir para fazer o retorno numa avenida movimentadíssima perto da minha casa e era a primeira da fila. Acontece que essa avenida, tem vias auxiliares e uma via central onde os motoristas costumam achar que é pista de corrida. Por já ter essa conscicência e por já ter feito um curso de direção defensiva, eu sempre tomo o cuidado de apenas sair com o carro, quando me certifico que os outros carros pararam no sinal vermelho.

Pois foi essa atitude que salvou minha vida e do meu caçula que estava tranquilo no banco de trás, cantando o no-no-no da música da Amy Winnehouse. Caso, eu tivesse apenas dado a partida no carro, assim que o sinal abriu para mim, sem olhar para o trânsito, o caminhão nos pegaria em cheio e não receio em dizer que com toda certeza, nos arrastaria por metros antes de parar e não sobraria muito do carro, muito menos de mim ou do meu filho para contar a história.

Dois dias depois, passando na mesma avenida, vejo um outro caminhão da Brahma fazendo entrega e na traseira do mesmo constava a inscrição: Como estou dirigindo? Denuncie 0800...

Não hesitei em pegar o celular e ligar. O número era do atendimento da Ambev e a pessoa que me atendeu, muito gentilmente agradeceu minha ligação, desculpou-se pelo ocorrido e me deixou na certeza de que de alguma forma eles tentariam localizar os possíveis motoristas da região, para no mínimo advertí-los da minha ligação e das consequências que uma imperícia e irresponsabilidade como essa, poderiam ter causado à minha família e à empresa.

Infelizmente, por eu estar fazendo um retorno em sentido completamente oposto ao do caminhão, não pude seguí-lo e pegar seus dados, como a placa, por exemplo. Mas marquei altura do número na avenida, dia e horário da ocorrência. Com isso, espero sinceramente que a Ambev notifique ou dê um esporro federal nos motoristas dessa região.
E peço á todos, que por favor, usem a direção defensiva. Dirijam por si e pelos outros. Tentem sempre antever situações de risco para que você possa fazer a sua parte para evitá-las, salvando sua vida e de outras pessoas. Se não fosse por essa simples olhadela antes de seguir no meu sinal aberto, eu e meu filho estaríamos mortos. Certos, pois não furamos nenhum sinal fechado. Mas mesmo assim, mortos.

________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O retrato do poder no Brasil

Amigos, não gosto de copiar e colar artigos de outros blogs mas esse artigo me impressionou demais. É do blog da Lúcia Hippolito - cientista política, historiadora e jornalista, especialista em eleições, partidos políticos e Estado brasileiro. É comentarista política da Rádio CBN, do Uolnews e da Globonews. Leia e me digam, é ou não é um horror?


Renan continua mandando uma barbaridade
Enquanto estamos todos preocupados com os novos prefeitos a serem eleitos no próximo domingo, duas notícias me chamaram a atenção. Ambas sobre o mesmo personagem.
Ele mesmo, o senador Renan Calheiros.
Não satisfeito em invadir a privacidade das pessoas de bem com suas peripécias sexuais, extraconjugais, financeiras, pecuárias e radiofônicas.
Não satisfeito em arrastar o Senado Federal na lama durante todo o ano passado, não satisfeito em chantagear senadores, intimidar colegas, usar funcionários do Senado como se fossem peões de suas fazendas.
Hoje, Ilimar Franco, da coluna “Panorama Político”, publicada no GLOBO, relata que o senador Renan Calheiros já informou aos líderes do PMDB que não aceita a candidatura de Tião Viana (PT) para a presidência do Senado. E mais: mandou recado para o PT apresentar outro nome.
Como dizem os jovens, sua Excelência “está podendo”, né não?
A segunda notícia, de autoria de Rosa Costa, do Estadão, nos revela que o senador Renan Calheiros recontratou, para ocupar um cargo estratégico no seu gabinete no Senado, o cidadão Carlos Ricardo Santa Ritta, apontado como um dos vários “laranjas” de Renan, neste caso, na compra de uma rede de emissoras de rádio em Alagoas. Lembram-se?
Pois é. O novo (velho) funcionário foi (re)contratado por um “modesto” salário de R$ 9.700 reais.
Crise? Que crise?
Depois de ser absolvido no plenário do Senado (por voto secreto, não podemos esquecer), Renan Calheiros licenciou-se da presidência da Casa e renunciou definitivamente em dezembro do ano passado.
Mas continua muito atuante, atuantíssimo.
E continua senhor de segredos cabeludíssimos a respeito de seus colegas senadores.
Caso contrário, não estaria tão desenvolto assim.
A próxima jogada de Renan é substituir o senador Valdir Raupp como líder do PMDB no Senado.
Para isso, conta com o apoio decidido do presidente Lula, que está convencido de que Renan foi acusado injustamente e merece ser líder do PMDB.
Quanto a isso, o presidente tem razão: Renan e a maioria do PMDB do Senado realmente se merecem.
Nós é que não merecemos.

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Desculpem novamente o copiar e colar, mas merece ser lido. É longo mas merece.




Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana. Você sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas. Do menino ingênuo que fui buscar em Murici para ser deputado estadual em 1978, que acreditava na pureza necessária de uma política de oposição dentro da ditadura militar, você, Renan Calheiros, construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem que se acovardam e não aprendem nunca a ousar como os bandidos.
Você é um homem ousado. Compreendeu, num determinado momento, que a vitória não pertence aos homens de bem, desarmados desta fúria do desatino que é vencer a qualquer preço. E resolveu armar-se. Fosse qual fosse o preço, Renan Calheiros nunca mais seria o filho do “seo” Olavo, a digladiar-se com os poderosos Omena, na Usina São Simeão, em desigualdade de forças e de dinheiros.
Decidiu que não iria combatê-los de peito aberto, descobriria um atalho, um ou mil artifícios para vence-los, e, quem sabe um dia, derrotaria a todos eles, os emplumados almofadinhas que tinham empregados, cujo serviço exclusivo era abanar , por horas, um leque imenso, sobre a mesa dos usineiros para que os mosquitos de Murici (em Murici até os mosquitos são vorazes) não mordessem a tez rósea de seus donos: Quem sabe um dia, com a alavanca da política, não seria Renan Calheiros, o dono único, coronel de porteira fechada, das terras e do engenho, onde seu pai, humilde, costumava ir buscar o dinheiro da cana, para pagar a educação de seus filhos, e tirava o chapéu para os Omena, poderosos e perigosos. Renan sonhava ser um big shot, a qualquer preço. Vendeu a alma, como o Fausto de Goethe, e pediu fama e riqueza, em troca.
Quando você e o então deputado Geraldo Bulhões, colegas de bancada de Fernando Collor, aproximaram-se dele, aliaram-se, começou a ser parido o novo Renan. Há quem diga que você é um analfabeto de raro polimento, um intuitivo. Que nunca leu nenhum autor de economia, sociologia ou direito. Os seus colegas de Universidade diziam isto. Longe de ser um demérito, esta sua espessa ignorância literária, faz sobressair, ainda mais, seu talento de vencedor. Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici, que forneceu a você o combustível do ódio à pobreza e a ser pobre. E Renan Calheiros deci-diu que se a sua política não serviria ao povo em nada, a ele próprio serviria, em tudo. Haveria de ser recebido em Palácios, em mansões de milionários, em congressos estrangeiros, como um príncipe, e quando chegasse a esse ponto, todos os seus traumas banhados no rio Mundaú, seria rebatizados em fausto e opulência. “Lá terei a mulher que quero, na cama que esco-lherei. Serei amigo do Rei.”
Machado de Assis, por ingênuo, disse na boca de um dos seus personagens: “A alma terá, como a terra, uma túnica incorruptível”. Mais adiante, porém, diante da inexorabilidade do destino do desonesto, ele advertia: Suje-se gordo! Quer sujar-se? Suje-se gordo!”.
Renan Calheiros, em 1986, foi eleito deputado federal pela segunda vez. Neste mandato nascia o Renan globalizado, ge-rente de resultados, ambição à larga, enterrando, pouco a pouco, todos os escrúpulos da consciência. No seu caso nada sobrou do naufrágio das ilusões de moço! Nem a vergonha na cara. O usineiro João Lyra patrocinou esta sua campanha com US 1.000.000. O dinheiro era entregue, em parcelas, ao seu motorista Milton, enquanto você esperava bebericando, no antigo Hotel Luxor, av. Assis Chateaubriand, hoje Tribunal do Trabalho. E fez uma campanha rica e impressionante, porque entre seus eleitores havia pobres universitários comunistas e usineiros deslumbrados, a segui-los nas estradas poeirentas das Alagoas, extasiados com a suaintrepidez em ganhar a qualquer preço. O destemor do alpinista, que ou chega ao topo da montanha, e é tudo seu, montanha e glória, ou morre. Ou como o jogador de pôquer, que blefa e não treme, que blefa rindo e cujos olhos indecifráveis intimidam o adversário. E joga tudo. E vence. No blefe.
Você, Renan não tem alma, só apetites, dizem. E quem na política brasileira a tem? Quem neste Planalto, “centro das grandes picaretagens nacionais” atende no seu comportamento a razões e objetivos de interesse público? ACM, que na iminência de ser cassado, escorregou pela porta da renúncia e foi reeleito como o grande coronel de uma Bahia paradoxal, que exibe talentos com a mesma sem cerimônia com que cultiva corruptos? José Sarney, que tomou carona com Carlos Lacerda, com Juscelino, e, agora, depois de ter apanhado uma tunda de você, virou seu “pai velho”, passando-lhe a alquimia de 50 anos de malandragem? Quem tem autoridade moral para lhe cobrar coerência de princípios? O presidente Lula, que deu o “golpe do operário”, no dizer de Brizola, e hoje “hospeda” no seu Ministério um office boy do próprio Brizola? Que taxou os aposentados, que não o eram, nem no Governo de Collor, e dobrou o Supremo Tribunal Federal? No velho dizer dos canalhas, “todos fazem isto”, mentem, roubam, traem. Assim, senador, você é apenas o mais esperto de todos, que, mesmo com fatos gritantes de improbidade, de desvio de conduta, pública e privada, tem a quase unanimidade deste Senado de Quasimodos morais para “blinda-lo”. E um moço de aparência simplória, com um nome de pé de serra, Siba, é o camareiro de seu salvo conduto para a impunidade, e fará de tudo, para que a sua bandeira, absolver Renan no Conselho de Ética, consagre a “sua carreira”. Não sei se este Siba é prefixo de sibarita, mas, como seu advogado in pectore, vida de rico ele terá garantida. Cabra bom de tarefa, olhem o jeito sestroso com que ele defende o “chefe”. É mais realista que o Rei. E do outro lado, o xerife da ditadura militar, que, desde logo, previne: “quero absolver Renan”. Que Corregedor! Que Senado!
Vou reproduzir aqui o que você declarou possuir de bens em 2002 ao TRE. Confira, tem a sua assinatura: 1) Casa em Brasília, Lago Sul, R$ 800 mil, 2) Apartamento no edifício Tartana, Ponta Verde, R$ 700 mil, 3) Apartamento no Flat Alvorada, DF, de R$ 100 mil, 4) Casa na Barra de S Miguel de R$ 350 mil E SÒ. Você não declarou nenhuma fazenda nem uma cabeça de gado!! Sem levar em conta que seu apartamento no Edifício Tartana vale, na realidade, mais de R$ 1 milhão e sua casa na Barra de São Miguel, comprada de um comerciante farmacêutico, vale R$ 3.000.000.
Só aí, Renan, você DECLARA POSSUIR UM PATRIMONIO DE CERCA DE R$ 5.000.000. Se você, em 24 anos de mandato, ganhou BRUTOS, R$ 2 milhoes, como comprou o resto? E as fazendas, e as rádios, tudo em nome de laranja? Que herança moral você deixa para seus descendentes. Você vai entrar na história de Alagoas como um político desonesto, sem escrúpulos e que trai até a família. Tem certeza de que vale a pena?
Um vez, há poucos anos, perguntei a você como estava o maior latifundiário de Murici. E você respondeu: “Não tenho uma tarefa de terra. A vocação de agricultor da família é o Olavinho”. É verdade, especialmente no verde das mesas de pôquer!
O Brasil inteiro, em sua maioria, pede a sua cassação. Dificilmente você será condenado. Em Brasília, são quase todos cúmplices. Mas olhe no rosto das pessoas na rua, leia direito o que elas pensam, sinta o desprezo que os alagoanos de bem sentem por você e seu comportamento desonesto e mentiroso.
Hoje, perguntado, o povo fecharia o Congresso. Por causa de gente como você!
Mendonça Neto


Vi no site do Jornal Extra de Alagoas