Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete…
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos?
FilhosMelhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!
(Poema Enjoadinho – Vinícius de Moraes)
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Filhos… Filhos?Melhor não tê-los!
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Filhos prá quê? Parte 1
É impressionante como este assunto tem chegado até meus ouvidos. Uma escritora francesa lançou um livro chamado “40 motivos para não ter filhos” e é sucesso de vendas. Um outro professor canadense falou que uniões sem filhos são mais felizes e fazem bem ao planeta. E sabem de uma coisa: eles estão certos!
Essa foto aí do lado é de um operador da bolsa, estressaaaaado e me lembrou demais algumas horas que eu mesma tenho vontade de furar meus olhos...rs...dar com a minha (a minha, tá, gente...) cabeça na parede... Tem horas que confesso, me sinto esgotada, cansada, me perguntando onde fui amarrar minha égua...rs
Nossa sociedade empurra as pessoas a terem filhos. A maternidade é “vendida” como a única forma de realização plena de uma mulher e ai daqueles que resolvem remar contra a maré. Eu mesma, como já contei aqui, fui casada anteriormente e não tive filhos mesmo depois de quase 10 anos de casamento. E ouvi muitas diretas e indiretas a respeito. Mas eu era muito nova e queria viver outras coisas antes de ser mãe. Acreditem, nunca tive isso como sonho.
Tive meu primeiro filho aos 32 anos e achei perfeito prá mim. Curti, viajei, trabalhei e fiz tudo o que tinha vontade de fazer sem ter que me preocupar com o “leite das crianças”... tanto que pude, inclusive me dar o luxo de parar de trabalhar para ficar com eles nos primeiros anos. Afinal, trabalho desde os 17 anos, me achei no direito de fazer o que estava com vontade. E parei mesmo? Que nada...rs...eu não tinha idéia do que era trabalhar. Tem gente que acha que mulher que fica em casa não trabalh o...Lêdo engano... Quer trocar? rs
Por outro lado, foi maraaaa! rs (gente eu não vejo sempre este programa mas o Ítalo Rossi é mara...rs...). Eu dormi tudo que tinha vontade na gravidez, tive tempo de montar quarto, comprar roupinha, acordar tarde e não passei pelo estresse de ter que deixar filho pequeno na mão dos outros, seja creche, babá, empregada, avó ou o escambal, para poder trabalhar. Não me arrependo em nada. Foi mara mesmo. Ainda é.
Mas vamos combinar que tem gente que , de fato, não nasceu para ter filhos.
Filho muda tudo na nossa vida, para o bem e para o mal. E por mais que eu AME ser mãe, tenho plena consciência e uma pontada de decepção sobre as coisas românticas que sempre ouvi a respeito da maternidade e não se concretizaram. E entendi, mais do que nunca, quando ouvi de muitas mulheres que eu só ia entender isso ou aquilo quando fosse mãe...
Filho muda tudo na nossa vida, para o bem e para o mal. E por mais que eu AME ser mãe, tenho plena consciência e uma pontada de decepção sobre as coisas românticas que sempre ouvi a respeito da maternidade e não se concretizaram. E entendi, mais do que nunca, quando ouvi de muitas mulheres que eu só ia entender isso ou aquilo quando fosse mãe...
Meu corpo mudou, meu tempo encolheu, minha culpa aumentou e por mais que meu marido seja um pai presente e participativo, a carga mais pesada sobra prá mim, assim como para a maioria absoluta das mulheres.
Sabe aquela frase que sempre ouvimos que filho não segura casamento? É a mais pura verdade e é ainda pior: se o casamento não estiver bem estruturadinho, eu diria que filho cria um verdadeiro abismo entre o casal. Vi muitos casamentos que se acabaram logo depois dos filhos. E aí vem uma das decepções: filho cria a família, mas ao mesmo tempo desestrutura. Afinal, todas as atenções da mãe, agora são do filho. Não temos hora de dormir, hora de namorar, e mal temos tempo de cuidar de nós mesmos, tamanha a atenção que dedicamos ao filho recém-chegado.
Criança demanda atenção, paciência, dedicação, fora de qualquer padrão ou pré-conceitos que tenhamos sobre o que essas palavras significam. E aí, me lembro de outra vez o assunto sobre as agruras da maternidade: tem hora que a gente explode e vê um monstro dentro da gente e se sente péssima por isso. Eu já soltei meus bichos algumas vezes também. Me sinto culpada às vezes. Às vezes, não porque isso resolve o problema na hora e é um alívio. Não somos de ferro e criança às vezes esgota tudo que a gente fica todo dia tentando aprimorar para ser uma mãe ou um pai melhor, paciente e compreensivo.
Fico pensando como era antigamente com 10, 15 filhos dentro de casa. Vocês acham que aquela mãe e aquele pai, tinham tempo de dar comidinha na boca de cada criança? E vestir, dar banho, pegar no colo, acalentar uma manha sem motivo aparente? Ficar horas na porta da escola convencendo o filho a entrar?
Hoje, na nossa modernidade, queremos dar tudo para um filho e acabamos ficando esgotados, física e mentalmente com apenas 1 ou 2 filhos (ai, meus sais...rs). Será que isso é o certo? Será que darão, de fato, valor no futuro? Olhe para si mesmo e para sua relação com seus pais: é a mesma relação que gostaria que existisse entre você e seus filhos no futuro? Tem gente que sim, mas tem muita gente que não...
Onde estamos errando? Onde estamos exagerando?
continua amanhã
________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa
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