terça-feira, 3 de junho de 2008

Crianças x Comida: eterno desafio

Mais uma vez fica difícil não ressaltar os benefícios da amamentação:


difícil imaginar uma criança recusar um peito por motivos naturais.

Ou seja: nenhum problema na pega do seio, nenhum stress da mãe, nenhuma introdução desnecessária de complemento ou mamadeira e etc.

Mas...quando chega a hora de introduzir novos alimentos, a coisa desanda. Aqui em casa foi MUITO difícil. Meu filho cospia a comida, travava a boca, se debatia, foi muito estressante vê-lo recusar a comida (que além de tudo, era tão gostosinha!).

Então, como sempre, apelei para a internet!

E achei um trabalho sobre o assunto que dá dicas muito legais. Não perguntem a fonte pois isso ainda é do tempo em que eu não me dava conta de que devia somente imprimir o necessário e, ao contrário disso, me recusava a ler qualquer coisa no monitor. Pobre do meu mundo se eu continuasse assim!

Vamos às dicas:
.Sempre comece com produtos menos propensos a causar alergia e como seu bebê está acostumado com o gosto adocicado do leite materno, comece com alimentos doces como banana amassada. O arroz é um grão muito tolerado pelo intestino pois é livre de glúten, baixo teor de proteína e rico em carboidratos. Portanto tem um perfil nutricional mais parecido com uma fruta do que com cereal. Por isso, misturado à banana ou feito como mingau bem ralinho no começo, é uma boa opção.
.Use seu dedo como a primeira colher do bebê: macia, numa boa temperatura e familiar ao bebê. Deixe-o sugá-la.
.Contente-se com uma colher, duas. Lembre-se que sua intenção é apenas introduzir novos alimentos, sabores e texturas e não encher o bebê.
.Aumente gradualmente saiba quando for bastante, seu bebê saberá pois fechará a boca, mexerá negativamente a cabeça ou afastará a colher.
.Para os bebês ainda em fase de amamentação, o melhor é começar os sólidos lentamente, até para que ele não deixe de mamar . Sempre ofereça novos alimentos pela manhã pois qualquer mal-estar acontecerá durante o dia. Dar novos alimentos à noite pode significar um noite ruim. Além disso, há sempre mais fome pela manhã, facilitando a introdução de novos alimentos.
.Esteja atento à reação do bebê a esta nova experiência. Se o bebê aceitar o alimento e der um sorriso, é sinal de que está pronto e disposto. Se o alimento for devolvido, pode ser sinal de que não está pronto ou ainda demonstrar dificuldade em manter a boca fechada enquanto move o alimento. Caretas engraçadas são comuns pois é uma experiência nova para ele.

Se ele abrir a boca a uma nova tentativa, ofereça. Se não, aguarde e tente mais tarde. Não desista e não fique ansiosa, é assim mesmo.


________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Crianças se desintoxicam das telinhas


30/05/2008

Dez dias: na Europa, crianças se desintoxicam das telinhas

De Martine Laronche
Enviada especial do "Le Monde" a Estrasburgo

No dia 20 de maio, uma terça-feira, os 254 alunos da escola primária do Ziegelwasser (antigo afluente do Reno, hoje um dos canais que atravessam Estrasburgo, uma cidade constituída por várias "ilhas") se lançaram num desafio tão arriscado quanto difícil: dispensar toda e qualquer telinha de televisão, computador e consoles de videogame durante dez dias. Logo após o anúncio, os jornalistas passaram a disputar espaço diante da porta da escola, que é classificada na categoria ZEP (Zona de Educação Prioritária), situada no bairro popular do Neuhof, na periferia.

Até mesmo a secretária de Estado para a família Nadine Morano se deslocou de Paris até o estabelecimento. Uma semana mais tarde, as crianças estão prestes a vencerem a partida. A taxa de sucesso supera os 90%, enquanto a meta que havia sido projetada para tanto era de 70%."No começo, nós não sabíamos o que esperar", se recorda Lucette Tisserand, mãe de um baixinho chamado Samuel, de 7 anos e meio. Habitualmente, o seu filho fica assistindo aos desenhos animados na televisão, pela manhã, além das informações regionais e do seriado "Omar et Fred" no canal por assinatura "Canal+", à noite, junto com a sua mãe. Nos dias sem escola, ele fica brincando com o seu Nintendo DS."Ele realmente levou o desafio a sério. Um dia, excepcionalmente, eu quis assistir a uma reportagem na televisão sobre esta experiência. Pois ele saiu da sala e foi se trancar no seu quarto", recorda-se a sua mãe. Felizmente, o garoto dispõe de muitas alternativas: bicicleta, piscina, museu, feirinha de objetos usados no pátio da escola...

Com tudo isso, Samuel teve um fim de semana bastante agitado."Graças a esta experiência, o ambiente está tranqüilo lá em casa", acrescenta Lucette. "Em relação a tudo isso, creio que algumas dessas regras deverão ser mantidas: não mais assistir à televisão durante as refeições, continuar nos divertindo com jogos de sociedade, e ler uma história para o meu filho à noite".

Os pais, apoiados pela associação ambientalista estrasburguesa ECO-conseil, que esteve na origem da operação em parceria com a Câmara de Consumo da Alsácia, participaram da realização de diferentes atividades, as quais foram coordenadas pelo diretor da escola.

Na última terça-feira (27), duas mães estiveram ocupadas em recortar moldes para a oficina de costura do dia seguinte. "Há muitas coisas que nós fazemos para os nossos filhos que nós não faríamos anteriormente", explica Sabrina Klem, mãe de Lyse, 7 anos, e de Laura, 8 anos. "Por conta disso, anteriormente, eu não tinha contato algum com os outros pais. Agora, a gente se cumprimenta, e vai criando laços de amizade". A mesma constatação é feita por Karine Vanhouck, mãe de quatro filhos, dos quais um está sendo escolarizado na escola do Ziegelwasser. "O meu filho quer continuar estudando aqui, não apenas porque ele aprecia muito os desafios, como também porque nós temos nos mostrado mais disponíveis para ele".

Uma parte das crianças teve lá seus momentos de fraqueza, sucumbindo a uma ou outra tentação, mas nem por isso elas resolveram desistir. Este foi o caso de Yasin, 10 anos, e de Matine, 11 anos, que na semana assistiram ao jogo de futebol da final da Liga dos Campeões e ao seu programa predileto, "As Trinta histórias mais espetaculares". Nasrine, 10 anos, confessa ter participado de um chat, uma vez, no MSN, junto com a sua prima, e ter assistido a um programa sobre o código do trânsito. Dylan, por sua vez, "tropeçou" em duas oportunidades diante da sua televisão, e tampouco resistiu a brincar com seu videogame. Essas pequenas distorções das regras resultaram toda vez na retirada de um ponto em sua grade de avaliação, mas, no total, os resultados obtidos por esses quatro colegas se revelaram mais do que honrosos.

Sobre a mesa do diretor da escola, destaca-se uma pilha de cerca de quarenta cartas de incentivo. "Todas essas mensagens mostram que nós estamos lidando com um fenômeno que diz respeito a todos os meios da sociedade", analisa Xavier Rémy. "Os últimos dez dias que nós vivenciamos foram um pouco mágicos. A operação permitiu que laços sociais fossem firmados, e disso restará forçosamente alguma coisa". Ao meter o bedelho em comportamentos que, a priori, não lhe diziam respeito, mas sim envolviam a intimidade das famílias, a escola do Ziegelwasser desempenhou um papel unificador no nível do bairro, incentivando as famílias a participarem de uma aventura inédita na Europa."Para idealizar este projeto, nós nos inspiramos em parte na experiência quebequense de Jacques Brauder, um professor de ginástica aposentado que atua como militante em favor da paz", explica Serge Hygen, um encarregado de missão na associação ECO-conseil.No Canadá, um balanço realizado em dez escolas listou inúmeros benefícios que podem ser obtidos com operações desse tipo: melhora do bem-estar e do humor das crianças, que acabam passando uma maior parte do seu tempo com a família, além de menos disputas. A maior parte das escolas que haviam lançado o desafio manifestou a intenção de repetir a operação.

Tradução: Jean-Yves de Neufville
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http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2008/05/30/ult580u3110.jhtm