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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O fumo e a gravidez

Esta semana ví uma grávida fumando. Não vejo sempre, mas já vi algumas. Como não se pode, nem se deve dar lição de moral em ninguém, vão algumas das péssimas consequências de se fumar perto de crianças, seja no ventre ou fora dele. E porque uma grávida fuma? Eu penso que pelo mesmo motivo que todos os fumantes: ele faz um mal que a gente não vê.


"Fumar durante a gravidez traz sérios riscos. Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios de hemorragia (sangramento) ocorrem mais freqüentemente quando a mulher grávida fuma. A gestante que fuma apresenta mais complicações durante o parto e têm o dobro de chances de ter um bebê de menor peso e menor comprimento, comparando-se com a grávida que não fuma.

Tais agravos são devidos, principalmente, aos efeitos do monóxido de carbono e da nicotina exercidos sobre o feto, após a absorção pelo organismo materno.Um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar, em poucos minutos, os batimentos cardíacos do feto, devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho cardiovascular. Assim, é fácil imaginar a extensão dos danos causados ao feto, com o uso regular de cigarros pela gestante.

Os riscos para a gravidez, o parto e a criança não decorrem somente do hábito de fumar da mãe. Quando a gestante é obrigada a viver em ambiente poluído pela fumaça do cigarro ela absorve as substâncias tóxicas da fumaça, que pelo sangue passa para o feto. Quando a mãe fuma durante a amamentação, a nicotina passa pelo leite e é absorvida pela criança.

Efeitos da Fumaça sobre a Saúde da Criança Se a mãe fuma depois que o bebê nasce, este sofre imediatamente os efeitos do cigarro. Durante o aleitamento, a criança recebe nicotina através do leite materno, havendo registro de intoxicações atribuíveis à nicotina (agitação, vômitos, diarréia e taquicardia) em filhos de mães fumantes de 20 ou mais cigarros por dia. Em recém-nascidos, filhos de mães fumantes de 40 a 60 cigarros por dia, observou-se acidentes mais graves como palidez, cianose, taquicardia e crises de parada respiratória, logo após a mamada. Estudos mostram que crianças com sete anos de idade, nascidas de mães que fumaram 10 ou mais cigarros por dia durante a gestação, apresentam atraso no aprendizado quando comparadas a outras crianças: observou-se atraso de três meses para a habilidade geral, de quatro meses para a leitura e cinco meses para a matemática.

Há também uma maior prevalência de problemas respiratórios (bronquite, pneumonia, bronquiolite) em crianças de zero a um ano de idade que vivem com fumantes, em relação àquelas cujos familiares não fumam. Observa-se que, quanto maior o número de fumantes no domicílio, maior o percentual de infecções respiratórias, chegando a 50% nas crianças que vivem com mais de dois fumantes em casa. É, portanto, fundamental que os adultos não fumem em locais onde haja crianças, para que não as transformem em fumantes passivos."


sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Blogagem Coletiva da Semana Mundial de Amamentação


Amigos, eu tinha programado este texto para republicar hoje mas o sistema falhou e entrou aquela da televisão. Então, consertando o erro sistemático...risos...vai um texto que escrevi em 02 de Julho do ano passado que conta minha experiência pessoal com meu dois tesouros.


Quem AMA, AMAmenta!

Amamentar não é fácil.

Quando no deparamos com esta necessidade pela primeira vez, os dois protagonistas são iniciantes: mãe e recém-nascido.

O livro “Quem ama, Educa!” não é meu livro preferido. Mas acho um livro que não é totalmente ruim (mas isso é assunto para um outro dia). Contudo ele tem uma falha grosseira na parte que fala de amamentação. Ele fala que a obesidade infantil pode começar nesta fase quando a mãe não impõe limites ao bebê. Eu amamentei em livre demanda e meus filhos não são obesos. E não conheço nenhum caso deste tipo, comprovação científica ou respaldo médico para tal afirmação.

Amamentar resolve 90% dos problemas com os bebês. Eu costumo dizer que peito é bom pra tudo: cólica, gazes, soluço, manha... e fome, claro. E engorda, mas não tem nada de obesidade nisso!
Meu primeiro filho, segundo a neonatologista, não conseguia manter sua taxa de açúcar e foi internado para tomar soro glicosado. Uma notícia terrível naquele momento e nunca saberei se foi por conta do parto: uma cesareana com anestesia geral (e isso também é assunto para um outro dia...) ou por causa do tempo para eu me recuperar (a gente fica meio fora do ar até a anestesia passar...), deram NAN para ele!
Aliás, um outro assunto que merecemos discutir num outro dia: o incentivo da Nestlé ao consumo de leite em pó / fórmulas em idade inferior aos 6 meses e os procedimentos protocolares nos berçários das maternidades que normalmente dão mamadeiras e chupetas para os bebês, sem consultar previamente os pais.

Voltando.
Ele só mamou uma vez após nascido e depois dormiu direto...nem abria os olhinhos.
Diagnóstico: baixa taxa de açúcar.
Depois de 10 horas de soro sem que ninguém me falasse nada, EU PERGUNTEI SE NÃO PODERIA AMAMENTAR. Disseram que sim, com a maior naturalidade (como se ele não tivesse ficado todo esse tempo sem ter amamentado por falta de correta orientação por parte deles). Mas mãe de primeira viagem é luta desde que engravida...

Pois bem, do momento em que comecei a amamentar, na segunda mamada em diante, ele não voltou mais pro soro. Das 48 horas internado (6 mil reais de custo...pagos pelo plano, mas pagos), apenas 12 no soro. 36 horas apenas em observação depois de retomada a amamentação. Milagre do soro? Não! Do leite materno!

A amamentação em casa foi um sucesso, doei leite e ele mamou exclusivamente até os 8 meses. Nem água tomava. Nada de suquinho, nada de chazinho, nada de chupeta. Ele se manteve o tempo todo com peso acima da média da tabela, embora isso não me diga muita coisa pois já foi admitido pela OMS e se não me engano, já houve mudança na tabela, por conta da antiga não corresponder ao desenvolvimento das crianças que são alimentadas exclusivamente por leite materno durante os primeiros seis meses de vida.

Isso porque na década de 70, quando essa tabela foi montada, as mães eram estimuladas a dar complementos alimentares e o sucesso do momento era o LEITE EM PÓ.

Outra coisa interessante é que após a inserção de novos alimentos o peso dele caiu sensivelmente, nunca mais voltando aos valores acima da “média”, como acontecia durante a amamentação.

E para confirmar tudo isso: meu segundo filho, que não ficou tempo suficiente no berçário para tomar NAN e que tinha um neonatologista que respeitou minhas decisões no trato com meu filho, não precisou de soro glicosado, foi para casa no dia seguinte e foi amamentado nas mesmas circunstâncias do primeiro, durante o mesmo tempo e apresentou os mesmos resultados: peso acima da média e queda de peso depois da inserção de novos alimentos. De novo: Nada de água, chazinhos ou suquinhos, só peito até os 8 meses e nos dois filhos, só introduzi novos alimentos porque eles manifestaram interesse. Ainda ssim, a adaptação foi lenta e dificíl. Imagine se fosse antes! O primeiro demamou naturalmente aos 10 meses, não aceitou mais o peito (eu estava grávida de 2 meses e provavelmente, como dizem, o sabor do leite deve ter mudado - esqueci de provar...puxa vida...). Já o segundo foi tranquilo até os dois anos e pouco e desmamou também naturalmente...tranquilo e eu senti mais do que ele...risos

Uma pesquisa que lí, há muito tempo no jornal, feita com mulheres nutridas e subnutridas, mostrou que a qualidade do leite das duas mães era a mesma.
Incrível, não!
A natureza é tão sábia que retira todos os nutrientes da mãe, mas não prejudica a alimentação do bebê.

Leite materno, neles!


Para saber mais, para orientações e ajuda na amamentação :


Como contribuição visual à blogagem coletiva da Semana Mundial da Amamentação, mande fotos suas (ou de outras amigas ou familiares) amamentando, para o email sdeestocolmo@gmail.com - não esqueça de dizer os nomes da mãe e do(s) bebês (s) - e eu colocarei todas as fotos aqui nesse slide show em celebração da Semana Mundial da Amamentação que vai do dia 01 a 07 de agosto.
( a minha já está lá!)

http://relatosmatrice.wordpress.com/


Nota: as imagens são de cada um dos meus filhos sendo amamentados. __________________________________________________
Ana Cláudia Bessa

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Belo exemplo a ser seguido !

Fico emocionada com campanhas assim, abaixo os médicos cesaristas e suas cesáreas eletivas ! Parabéns Fernanda! Não há palavras para definir o quão importante foi sua atitude e o tapa na cara de quem fala que parto de gêmeos tem que ser cesárea! Que seu exemplo seja seguido por outras famosas que possam servir de estímulo para os partos normais após cesárea, para os partos normais com circulares de cordão, para os partos domiciliares, enfim, para os partos normais! Normal é parto normal!



E tem mais: Pai não é visita, tem direito a acompanhar o parto.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Parto, posições e o profissional que nos atende

A bem da verdade, meu parto foi muito confortável. A doula massageava, a dor passava rápido, eu descansava entre uma contração e outra. Tomava água e comia chocolate para ganhar energia. Tudo de bom. A dor é uma sinalização de que posição que a parturiente deve ficar. Depende muito de como o bebê está "rotacionando" dentro da barriga. No final do parto, tem parturiente que fica em cada posição esquisita...


Eu tenho uma amiga, que também teve parto em casa, e ela só se sentiu confortável em ficar numa posição deitada, meio que boiando na banheira. Em tempo, o parto dela foi dentro d'água. Show de bola.

No meu parto, eu também queria que a bebê nascesse dentro da água. Mas minha banheira é muito estreita. Passava a contração, eu fechava as pernas e ela voltava. Então a parteira mandou que eu saísse da banheira. Deu uma contração, ela desceu.

E aí, o maior fator de risco é o profissional que te atende. Já foi demonstrado isso em pesquisas. Se você aprende a usar um martelo, todos os problemas viram pregos. É o caso do médico. Um enfermeiro obstetra é um profissional preparado para parto normal. Ele é preparado para identificar se sua gestação é de baixo risco ou não. Existe ainda um universo mínimo de enfermeiros obstetras preparados para parto natural.
A minha parteira apenas um ano antes do meu parto, fez uma episiotomia numa amiga minha, em um parto domiciliar. Ela confessa que se fosse hoje, não faria mais. Pediu desculpas. Vivendo e aprendendo. Os médicos e enfermeiros ainda têm um longo caminho pela frente para se livrar dos dogmas e encontrarem seus próprios limites para um parto natural.
________________________________________________________________________________ Juty Chen

terça-feira, 17 de junho de 2008

Parteiras e a feminilidade

Eu tive parto em casa e quem quiser pode ler meu relato no site http://www.maternidadeativa.com.br/. Fiz meu parto com uma enfermeira obstetra (parteira, para os mais íntimos).

Quem tem plano de saúde e deseja um parto natural domiciliar acompanhado por uma parteira, a partir deste ano, os convênios estão sendo obrigados a remunerar os honorários de enfermeiros-obstetras, graças à ação que movemos no Ministério Público Federal (vide mais em http://www.partodoprincipio.com.br/).

No ano que eu tive minha filha, o convênio não cobria, e eu tive que pagar tudo por fora (ironia das ironias, paguei um convênio particular imaginando ter um melhor atendimento médico, descobri que pelo SUS teria mais chances de parto normal, e que pelo convênio tinha 80% de chances de acabar na "faca". Escolhi uma enfermeira obstetra, pois tinha certeza de que ela "JAMAIS" faria uma cesárea em mim.
:))

E se a mulher que deseja ter uma parto natural tiver alguma dúvida, por menor que seja, uma leve desconfiança de que será levada para uma cesárea desnecessária, não deve vacilar e mudar de profissional. Eu cheguei na parteira com 35 semanas de gestação. Se realmente, ter um parto normal, é que você deseja, não desista de tentar, por nada deste mundo, a experiência de ter um parto absolutamente natural. Para algumas mulheres, que não podem se dar ao luxo de ter vários filhos, esta pode ser a única experiência de parto em sua vida. E se você puder buscar uma experiência de parto, humanizado, respeitado, natural, minha amiga, você vai entender para que serve o último DNA do par XX de seu cromossomo.
________________________________________________________________________________ Juty Chen

(Desculpem, por não ter saído o nome da Juty, fiquei sem acesso ao Blogger desde cedo e não consegui inserir o nome dela. Ass. :Ana Cláudia Bessa)

terça-feira, 20 de maio de 2008

Cada caso é um caso.

Mas também cada pessoa acredita no que quer acreditar.

Eu mesma citei que independente da minha vontade, meu filho mais velho parou de mamar no peito aos 10 meses.
Não dependeu de mim.

Afinal, como obriga-lo a sugar meu peito contra sua vontade?
Ainda tentei, insisti, mas não houve santo que o fizesse mamar.
Ele já comia outros alimentos, embora fosse com relutância.
Nunca usou bico de mamadeira (eu doei todos para uma fundação assistencial). Sempre copo ou bico de copo.
Não foi uma transição fácil. Contudo, como eu estava grávida, imagino que , como dizem, o sabor do leite tenha se alterado em função dos hormônios e isso tenha causado seu desinteresse.
Se você não conseguiu amamentar, se o seu caso é o mesmo, ou seja,vc tentou,buscou ajuda, informacão, teve persistência e mesmo assim não foi possível, a mamadeira foi uma opção necessária.Em caso de gêmeos, imagino ser mais difícil, cansativo, desgastante para a mãe. Realmente não tenho experiência nenhuma, nem perto de mim para fazer qualquer comentário. Contudo, muitas mães desistem sem nem mesmo pedir ajuda ou buscar informação.Em muitos casos a criança não consegue sugar porque a pega no bico está sendo feita errada. Aí a mãe vira e fala que não conseguiu amamentar e pronto. Deu mamadeira. Um pequeno ajuste e pronto, tudo fluiria. Mas essa mãe não buscou ajuda, não perguntou ä ninguém, não pediu orientação.Certa vez uma amiga comentou que tinha tudo para ter um parto normal mas o médico falou que ela não tinha "abertura" e claro que ela confiou no médico experiente e partiu para a cesárea. Contudo, falta de abertura, somente na hora do parto é que é possível saber, antes nem com reza forte. Mas ela não questionou o médico.Na hora de amamentar teve dificuldade e o pediatra orientando disse ä ela para ter paciência que era assim mesmo, mais alguns dias e tudo estaria indo bem. Pelo bem do filho, ela contrariou o médico e deu NAN. E tudo mudou,o filho ficou feliz e "alimentado". E ainda bem que ela não ouviu o médico.O que quero dizer com essa história?Que a gente acredita naquilo que quer.Quando ela não deveria acreditar no médico, ela acreditou.Quando deveria acreditar no médico, não o fez desde o começo. Confiar ou não no médico vai de acordo com a conveniência mesmo que subconsciente.Para mim, ela queria cesárea e queria dar mamadeira, desde o começo.
Há a tese de que dar mamadeira também é amamentar.
Se olharmos a definição do verbo, amamentar vem de mamar, mamadeira é feita para tomar leite.
Mamar é sugar das mamas.
ou estou errada?
De qualquer forma, será que essa questão semântica é a questão relevante?
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Ana Cláudia Bessa

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Parir é um Parto!

Aproveitando o texto Medo da Dor, publicado sexta passada , vamos relembrar um texto publicado aqui em 20 de Março de 2007.

Parir no Brasil, é um parto. De preferência: cesareana.
Dos meus dois filhos, os dois foram de cesareanas. A primeira, desnecessária.
A segunda, embora necessária, nunca saberemos se foi a primeira que contribuiu para que o segundo não fosse normal. Já que meu colo do útero não foi “trabalhado” no primeiro parto. O filho era o segundo, mas para o colo do útero era o primeiro, ajudando, com outros fatores a impedir a evolução do trabalho de parto.
Nas duas oportunidades, eu busquei o parto normal.

Participei de grupos na internet e até paguei médico fora do plano de saúde.

É um horror saber que a OMS recomenda que , no máximo, 15% dos partos sejam cesareanas e vemos isso acontecendo em 80% dos casos. Causando prejuízos para a mãe e para o bebê.

Muitas vezes porque os médicos induzem as mulheres a escolher este parto, ou mesmo as enganam, falando, por exemplo, que cordão enrolado é indicação de cesárea. Dizem que parto normal depois de cesárea, não pode (minha sogra teve dois partos normais depois da primeira cesárea).

Vemos mulheres instruídas, inteligentes, escolhendo uma intervenção cirúrgica desnecessária apenas para escolher a data do “nascimento”, ou para não ter que ficar esperando que a natureza e principalmente a criança dê o sinal de que é chegada hora do nascimento.

Vemos crianças encaminhadas à UTI porque foram retiradas prematuramente e os médicos contam uma lorota salvadora que os pais do recém-nascido acreditam sem questionar. No fim, um “erro médico” vira uma cirurgia salvadora.

Eu queria parir é em casa, na minha cama, junto com meu marido e meus filhos. Ai, que sonho! Mas tem gente que acha parto domiciliar, coisa de macaca como se fosse parir ma selva. E o pior é que tem médico que diz que parto fora do hospital é retrocesso. Vejam o belíssimo trabalho da Casa de Parto de Realengo no Rio de Janeiro. Este mesmo trabalho existe em outras cidades como São Paulo. É público, é de graça, é sem médico.
Para ser mais sensacional, só sendo em casa. E não é difícil achar médico que acompanhe parto domiciliar. Basta buscar. Isso não garante o parto normal mas ajuda mais do que acreditar que o médico do plano vai fazer um parto normal com a mesma naturalidade com que ele faz uma cesareana. Pura ilusão na maioria esmagadora dos casos.

A mulher é plenamente capaz, embora queiram cada dia mais medicalizar o nascimento.
Tem tanta coisa que poderíamos dizer em prol do nascimento vaginal mas o principal e pedir ás mulheres que acreditem mais em si do que nos médicos, que questionem.



E para quem não acredita em parteira, que parto precisa de medicalização, vejam esta matéria do Caldeirão do Huck que nossa amiga Silvia Schiros nos mandou. A Dona Edite, linda, ajuda milhares de crianças a nascer respeitando o corpo da mulher e o bebê. Sem cortes vaginais (episiotomia), sem lavagem intestinal, do jeito que a mulher quiser (em pé, sentada, deitada...). Cheia de sabedoria, conhecimento, prática e experiência. Vale a pena assistir e se emocionar.

Nesta vida, não pretendo ter mais filhos, mas se a vida nos pregar alguma surpresa, acho que vou pra Pernambuco!
Não tenho filhas mas noras terão meu apoio para lutar pelo direito da mulher de parir como ela preferir, não como o médico quiser.
Em benefício de sua saúde e da saúde das crianças.

“Que coisa linda é um parto!” – D. Edite, parteira em Pernambuco.


sexta-feira, 2 de maio de 2008

Medo da Dor

Eu tive minha primeira filha aos 17 anos.
Imaginem: nordestina, recém-chegada no Rio de Janeiro, morando num bairro pobre e com "um filho no bucho".

Confesso: morria de medo do que o futuro me reservava.

No dia em que as dores do trabalho de parto começaram, eu estava sozinha em casa, angustiada sem nenhuma razão aparente. Meio aflita.
Consegui dormir um pouco e dei uma boa descansada.
Quando acordei lá pelas 3 da manhã, senti umas dores mais fortes, como uma cólica e tentei procurar ajuda na casa da sogra da minha irmã (todos haviam saído) que fica 3 andares de escadaria abaixo de onde eu estava.

Lá fui eu, descer 3 andares com dores (leves).
Conversei com ela e decidimos ir para o hospital. Lá vou eu subir os 3 andares de novo para pegar minhas coisas que já estavam prontas e separadas.

Desci os 3 andares...risos.... e fomos Á PÉ para o hospital mais próximo já que neste horário, em bairro pobre, é impossível se conseguir um táxi.

Chegando no hospital, o atendimento era feito no terceiro andar, sem elevador.
Fui eu, escada acima.
Minha pouca dilatação informava que ainda ia levar um tempo para nascer e me encaminharam para outro hospital. Fui eu, escada abaixo.
O outro hospital era longe, muito longe. Fui de ambulância tendo que ouvir o enfermeiro que me acompanhava falando o tempo todo para eu respirar enquanto eu falava em silêncio para ele CALAR A BOCA...risos

Chegando lá, eu já estava com minha dilatação bem avançada e fui encaminhada para ser preparada para o parto, no quinto andar.
Adivinhem???? Elevador quebrado!
Lá fui eu, escada acima, de novo! Risos

Eu tinha medo da dor, mas ela sempre se manteve fraquinha e suportável até aquele momento. Era uma dor mais incômoda, fininha, do que forte, propriamente dita.

Fui atendida por um médico muito atencioso que somente me orientou a fazer força quando ele falasse. E assim fiz, na segunda força, minha filha saiu, sem nenhuma dor tão alucinante, sem gritos, sem desespero.

Outros partos estavam acontecendo e ouvi muitos gritos, mas eu não senti , em nenhum momento, vontade ou necessidade de gritar. E a dor existiu, mas foi uma dor que em nada lembrava a dor que eu imaginava que eu iria sentir. Só me senti incomodada pelo corte que fizeram na minha vagina e estes pontos , sim, doem na hora que é feito e depois, na recuperação. Mas nada também que tenha sido horroroso e nada que depois da recuperação tenha incomodado.

Meu medo da dor, foi maior do que ela.
E só pude pensar que queria ter todos os meus filhos nascendo assim.
Só pedi que tivesse menos escadas!

__________________________________________________________________________________ Texto enviado por Mafalda Tibiriçá

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Não desista de amamentar!

Tem muita mãe que diz que não conseguiu amamentar.
Eu digo que são poucas porque já foi comprovado científicamente que a grande e esmagadora maioria das mães que não amamentam não tiveram orientação adequada.

E muitas ainda tem aquele momento de "urubu" em volta oferecendo chazinho, leitinho, água e dizendo que o leite da mãe é fraco. Também comprovado cientificamente: não há leite fraco. Estudos feitos com mães nutridas e subnutridas comprovaram que a qualidade do leite era igual nos dois casos. Olha a natureza agindo em prol do bebê!

Muitas mães ficam num estado de nervos tão grande e com tanta gente dando pitaco, que não conseguem. Outras tem problemas psicológicos, como depressão. Outras estress.
Mas na maioria, mesmo desses casos, uma voz calma, uma orientação correta, poderia ter revertido este quadro, COMPROVADAMENTE.Por isso achei e continuo achando importante a gente falar disso aqui no blog.


Vejo a questão do leite artificial, como OCITOCINA no parto. A artificial é feita seguindo a original mas não é a mesma coisa. Ela causa mais dores, contrações mais fortes...um horror para quem já experimentou. O NAN é feito para ser parecido mas não é igual. Não é só caloria mas sacia o bebê de forma completamente diferente do leite materno. Em geral, criança que toma NAN não volta pro peito porque fica muito mais tempo saciada do que ficaria com o leite materno. Por isso a criança fica mais gordinha , mais rápido.


O peito também dá mais trabalho para a criança. Sugar mamadeira é facinho, facinho...Mamar no peito faz uma série de exercícios maxilo-faciais (nem sei se é assim que se escreve), ótimos para desenvolvimento da fala, da mastigação e correlatos. E essa facilidade em sugar o leite da mamadeira contribui para a criança largar o peito e para mãe achar que isso é o melhor que poderia fazer para seu filho, visto que ele não berrará mais de "fome". Fora a interaçao mãe bebê que é impar. E a vida não é só feita de valores nutricionais, tem os emocionais também. Claro que a mãe pode se interar com o filho no peito ou não. Mas o peito é um momento diferente, que a mamadeira não reproduz.

E será que TODAS as mães que acreditam ter tentado de tudo, foram orientadas da forma correta...?
Eu tentei de tudo no meu primeiro parto para ser normal e não foi. Mas tive a orientação errada na hora errada. Podia ter feito diferente...ah...podia! Mas na hora , já era... Por isso, tento sempre dar meus depoimentos para que as mães consigam ter seu parto normal e não para dizer que minha recuperação da cirurgia foi ótima e que cesárea salva vidas.Entendem meu ponto de vista?


Outro dia, li um site orientando as mulheres a não insistirem na amamentação. Isso é um crime!

Com a mãe e com o bebê. O melhor é sempre buscar orientação, as mãe vão encontrar ajuda. Desisitir só em último caso.

«Muitas mulheres não querem amamentar. A única resposta que lhes oferecem é o biberão! Sob a capa da liberdade e com a finalidade , em principio honrosa, de "não culpabilizar as mães que não querem dar de mamar", "respeita-se" a sua não-vontade com um zelo um pouco equívoco. Nunca são verdadeiramente ouvidas nas suas dúvidas, nas suas angústias, nas suas representações mentais inconscientes, nos seus fantasmas, nunca se procura entender as suas motivações profundas...»
- Isabelle Filliozat em "A inteligência do coração"
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Ana Cláudia Bessa
foto: eu e meu bebezão de 2 anos e 3 meses, recém desmamado expontâneamente.

sábado, 5 de abril de 2008

Casa de Parto de Juiz de Fora ainda precisa de ajuda!

Lembram que nós escrevemos um post pedindo ajuda para salvar a Casa de Parto de Juiz de Fora?



Pois é ... precisamos que mandem e-mails pois:


REITOR DA UFJF FECHA MÊS DA MULHER SEM DEFINIÇÃO PARA
CASA DE PARTO


Após 7 meses, o atual reitor da UFJF, Henrique Duque, continua proibindo a realização de partos humanizados que durante 5 anos foram assistidos sem nenhum problema naquela que é a terceira Casa de Parto aberta pelo Ministério da Saúde no Brasil. Para que as mulheres possam ter seu direito de escolha novamente respeitado, participe do nosso ato.
Dia 07 de abril às 15h, em frente à Câmara Municipal de Juiz de Fora. Leve seus filhos!

Presença do Ministério da Saúde e de diversas autoridades nacionais, estaduais e municipais.
Esperamos que o Reitor compareça.
Envie e-mail de apoio à Casa de Parto em seu nome ou em nome de sua entidade para:
gabinete@planalto.gov.br
jose.temporao@saude.gov.br
adson.franca@saude.gov.br
flaviocheker@camarajf.mg.gov.br
gabinete.reitoria@ufjf.edu.br
ses@saude.mg.gov.br
spmulheres@spmulheres.gov.br
gabinetedoministro@mec.gov.br
luis.massonetto@mec.gov.br
sssda.secretario@pjf.mg.gov.br
Com cópia para
mailto:producao@tvpanorama.com.brmarise@tribunademinas.com.br producao@tvpanorama.com.br producao-jf@alterosa.com.br
silvia.carvalho@jornalpanoramajf.com.br
FRENTE DE APOIO À CASA DE PARTO DE JUIZ DE FORA
ABENFO - Associação Brasileira de Enfermagem e Obstetrícia
Aliança pela Infância
Amigas do Parto
Amigas do Peito
Amigos da Casa de Parto de Juiz de Fora
Associação de Professores do Ensino Superior – APES/JF
Associação Nacional de Doulas - ANDO
Bem Nascer
BH pelo Parto Normal
COFEN – Conselho Federal de Enfermagem
Comitê Municipal de Prevenção de Morte Materna
Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente –CMDCA
COREN / MG–Conselho Regional de Enfermagem - MG
Instituto de Yoga e Terapias Aurora
Parto do Princípio – Mulheres em Rede pelo Parto Ativo
Pastoral da Criança
Rede Pela Humanização do Parto e Nascimento –ReHuNa
_________________________________________________________________________________ Silvia Schiros

segunda-feira, 31 de março de 2008

Saúde x Tecnologia

Outro dia, como sempre, participando de um debate, eu estava defendendo o pouco uso da ultrassonografia na gravidez.

Isso porque o exame de ultrasson é muito impreciso!
As medições, os resultados, são sempre feitos em cima de probabilidades.

Se o feto tem uma medição x, está ou não na faixa de probabilidade de desenvolver esta ou aquela doença ou anomalia, etc...

Aí, conforme o resultado, outros exames são indicados para resolver um problema que apenas tem aparentemente grande chance de acontecer, mas que ninguém tem certeza absoluta.
Eu não faria jamais nenhum exame invasivo por conta do resultado da ultrassonografia!
Um filho é um presente e nada vai mudar meu amor por ele!
Eu acreditaria até o final que tudo terminaria bem e se ainda assim, acontecesse o pior, seria meu filho, o amaria enquanto ele permanecesse entre nós.

Conheço duas experiências de ultrassonografia que deu resultado de Síndrome de Down e as crianças nasceram perfeitas!
Já pensou se fossem feitos exames invasivos (QUE SÃO EXTREMAMENTE ABORTIVOS!) e até um ABORTO?

Fora o drama de passar uma gravidez todo pensando em como receber o filho que precisará de cuidados especiais, atenção especial, mais dedicação do que normalmente já temos que dar, sem saber o que lhe espera e o que será da vida de seu filho.
Ninguém merece.

Eu não fiz o exame de Translucência Nucal no meu segundo filho pois já tinha passado da época (13 semanas, se não me engano) pois quando descobri que estava grávida (eu estava amamentando o primeiro, só desconfiei quando começaram os enjôos...) . E NÃO FEZ FALTA NENHUMA...e se tivesse algum problema?
Deixaria de ser meu filho?
Nunca!
Li uma entrevista da Cássia Kiss, grávida, acho que aos 44 anos, não fez nenhum exame e disse que se nascesse torto, era dela!
Não estou fazendo apologia a ninguém para deixar de fazer exame!
Só acho uma "dó" tantas grávidas desesperadas por causa de um exame que não é conclusivo, mas ninguém diz isso prá gente,né?

Outro exemplo? Na minha primeira gravidez, deu dupla circular de cordão e o meu primeiro filho nasceu sem nenhuma. Na segunda não deu nenhuma e ele nasceu com 3!!!!

E ainda por cima, na ultra que deu as circulares, a "médica" que fez o exame ainda soltou a pérola: "ih...vai ter que ser cesárea...". Isso acaba com a mulher que quer lutar por um parto normal. Se ela não tem preparo psicológico e acredita piamente em qualquer médicozinho, ela já sai direito dai para marcar a data da cesárea!

Gente, só tem que ser cesárea por causa de circular de cordão em pouquíssimos casos ou então se o médico não souber auxiliar um parto normal. Porque as circulares de cordão serão retiradas da mesma forma da cesárea: sai a cabeça, tira as circulares e tira o resto do corpo do bebê.

Na segunda gravidez, eu nem quis saber o sexo e a surpresa foi uma delícia para nós, para a família e para os amigos!
Cuidado com o ultrasson , amigas gestantes. Estejam mais atentas a resultados falso negativos do que positivos!
Aprendi isso na primeira gravidez e na segunda só fiz 2 ultrassons: a morfológica e uma antes de nascer... Foi mais do que suficiente pra ter a emoção de ver aquilo que já sentia dentro de mim.

E existe também um estudo falando do som altíssimo que as crianças ouvem no útero por conta deste exame. Muitas ultrassonografias poderiam gerar crianças mais estressadas.
Eu , pelo menos notava isso sempre: no ultrasson as crianças ficavam super agitadas, assim que começava. Será que não incomoda?
Será que este excesso de ultrassons não prejudicam mesmo as crianças?
Lembrem-se que somente depois de muitos anos é que descobriram que raio x não pode ser usado na gravidez. Mas foi usado durante anos a fio!
Vamos com calma com a tecnologia!
E, se puderem, leiam o texto abaixo, é muito bom para ilustrar sobre as consequências e os excessos nos tratamentos.
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Ana Cláudia Bessa

Morte digna

Escrito por Gilberto Dupas


Vamos aprofundar uma reflexão iniciada neste espaço há quase dois anos.
Em que medida é desejável o prolongamento da vida usando recursos extremos?
Quem se beneficia desses procedimentos?

A importância das tecnologias é óbvia. Mas onde estão o interesse do paciente que sofre e a proteção da sua dignidade humana?

Imagine-se o drama dos pais de fetos com defeitos congênitos, para os quais a medicina de ponta recomenda intervenções radicais até antes do nascimento. Trinta anos atrás, médicos experientes costumavam dizer: a natureza é sábia; deixemos que ela selecione quem deve nascer. Hoje, a tecnologia, onipotente e plena de esperança, obriga esses pais a uma decisão terrível: submeterem seus filhos aos procedimentos mais invasores ou se sentirem eternamente culpados de não terem tentado o máximo.

É o mesmo dilema trágico ao se tratar da sobrevida de mãe idosa, com doença grave. Embora o olhar da mãe implore o descanso final, médicos jovens armados com os novos recursos da medicina dizem: vai deixá-la morrer? E se um novo medicamento for inventado? Imensos recursos são investidos em novos equipamentos, que se tornam “indispensáveis” e, em seguida, precisam ser amortizados.

O custo dos tratamentos aumenta pesadamente. E o sofrimento também.

Para quem pode usá-los, proliferam hospitais privados moderníssimos; mas sobram pressões insuportáveis sobre a rede pública de saúde.

O nascimento de uma criança foi transformado, de uma função fisiológica para a qual o organismo da mulher esteve desde sempre preparado, em questão cirúrgico-hospitalar. O número de cesarianas no Brasil é quase o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O parto, tal qual evento cirúrgico, vê a mulher como recipiente a esvaziar. Só recentemente a onipotência “científica” concedeu procedimentos que a tradição e o bom senso consagraram: permitir bebês nos quartos com as mães e colocá-los sobre seus colos ainda na sala de parto. E as normas hospitalares finalmente reconheceram que as crianças saram mais depressa quando ficam acompanhadas de familiares ou tendo acesso a salas com jogos e pequenas diversões. Já hospitais das regiões muito pobres, carentes de recurso, substituem - em muitos casos com vantagens - as caríssimas e invasivas incubadoras pelas técnicas milenares de “mãe-canguru”.

Enquanto isso, fazemos muito pouco para reverter a lógica de nosso sistema de produção e consumo; e prevenir as moléstias que ele mesmo causa com alimentos pouco saudáveis, contaminação ambiental e emissão de ondas e radiações. As graves doenças geradas pelo nosso tipo de vida são as verdadeiras epidemias modernas. Na França os cânceres cresceram mais de 60% nos últimos 20 anos. Um casal em cada sete é infértil. São também epidêmicas as alergias, as doenças renais e neurológicas e a diabete.As novas técnicas de manutenção de vidas “artificializadas” agridem o senso comum. Elas exigem um corpo de doente infinitamente disponível, ligado a tubos e fios, pronto para intervenções sem cessar, numa verdadeira expropriação desse corpo que não pertence mais ao sujeito; é apenas um manifestador de sintomas.

É o novo reinado das milionárias UTIs, tornadas rotina hospitalar, onde a vida se mantém totalmente dependente de máquinas e químicas. A morte digna cercada pelos parentes e amigos, aspiração atávica da humanidade, desapareceu quase por completo. Os doentes atuais morrem mais sós e mais lentamente, sedados para suportar a agressão de tubos e agulhas. O filósofo Jean-Luc Nancy fez um relato do drama de seu transplante cardíaco e das conseqüências dos recursos para evitar a rejeição, quando recebeu um órgão transformado e reciclado como peça de reposição: “Meu novo coração era um ‘estrangeiro’, a intrusão de um corpo estranho no meu pensamento.” A possibilidade de rejeição instalou nele uma condição de “duplo estrangeiro”. De um lado, o órgão transplantado; de outro, seu organismo lutando para rejeitá-lo e sua vida dependendo agora irreversivelmente da capacidade de enganar o próprio corpo, baixando brutalmente suas defesas imunológicas por mecanismos químicos. Nancy sobreviveu ao transplante, mas morreu após uma década de luta contra um linfoma produzido pelos efeitos dos remédios contra a rejeição. O câncer que emergiu foi um novo estrangeiro ameaçando sua integridade. Isso exigiu novas intrusões violentas, quimioterápicas e radioterápicas, mutilações cirúrgicas, próteses, etc. “Eu acabei por não ser mais que um fio tênue, de dor em dor” induzido pelas possibilidades técnicas. Sua frase final: “Estou reduzido a um andróide de ficção científica, uma espécie de morto vivo.”

Aos que perambulam pelos ambulatórios ou vivem presos a tubos de UTIs é imperioso perguntar se ainda lhes interessa viver, se a qualidade de vida que levam vale a pena. Essa é uma escolha que ninguém deve estar autorizado a fazer por eles, nem a equipe médica mais qualificada. É preciso aprender a assumir a finitude da vida e o enigma do fim. E enfrentar a morte com dignidade e o menor sofrimento possível, estabelecendo seu próprio limite à dor. Morrer é parte integrante do viver; as células começam a envelhecer assim que nascemos. Temos de nos preparar para esse fato inexorável e procurar viver da melhor forma até lá. A morte, embora sempre trágica para os que ficam, encarada com respeito é uma fonte de sabedoria sem igual, estimula a ação e dá sentido à vida. Se a discussão sobre políticas de saúde não levar em conta esses valores, acabaremos submetendo-nos apenas às prioridades de lucro do complexo farmacêutico-hospitalar privado. Seria lamentável. A vida é tudo o que temos. E uma morte digna é um direito humano.

Gilberto Dupas é coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional (IRI-USP), presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI) e autor de vários livros, entre os quais O Mito do Progresso (Editora Unesp)
Este texto foi enviado por Analy Uriarte, uma companheira ideológica.

quarta-feira, 5 de março de 2008

NOTÍCIA: Ministros terão que decidir quando começa a vida

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"BRASÍLIA - Os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm pela frente nesta semana o mais polêmico julgamento de sua história: decidir quando começa a vida e determinar, dessa forma, se as células-tronco embrionárias podem ser usadas em pesquisas científicas, como determinou a Lei de Biossegurança, de 2005, ou se devem ser protegidas pela Constituição como qualquer ser humano."


Nós já postamos um texto entitulado A Sociedade e o Aborto e voltamos a fazer uma chamada para ele pois esse julgamento será fundamental, não só para a questão embrionária, como para discussões sobre o aborto e sobre os direitos das crianças no parto, por exemplo.

Quando começa a vida?
Em que momento exato surge um novo ser humano e o que os cientistas sabem sobre o tema
Por Eduardo Szklarz Para responder a essa questão, é preciso saber o que entendemos por vida. Há quem diga que ela é o encontro do espermatozóide com o óvulo. Outros afirmam que é o coração pulsando, o cérebro funcionando, ou que a vida é simplesmente o oposto da morte – se é que sabemos o que é a morte.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Incapacidade de parir


Desde que eu engravidei pela primeira vez, me chamou atenção o fato de 99% das mulheres que eu conhecia, tinham passado por uma cesárea. E isso para mim era estranho porque eu cheguei a ver campanhas que estimulavam o parto normal. Eu pensava, como deveria ser , que a cesárea fosse apenas um recurso utilizado quando clinicamente fosse arriscado tentar o parto normal.
E isso em casos excepcionais visto que parir é um ato natural e fisiológico devendo ser aceito como o melhor método de trazer uma pessoa ao mundo.
Mas a nossa realidade é completamente diferente.
80% dos partos no Brasil, são cesareanos.
A partir de então, comecei a buscar informações para entender o que estava acontecendo com as mulheres.
Será que ficamos incapacitadas de parir?
Porque quando temos um número de intervenções cirúrgicas que é 5 vezes maior do que o recomendado pela OMS, isso tem que significar alguma coisa.

Contudo o resultado das averiguações são mais tristes do que simplesmente termos ficado incapazes de parir. O sistema nos tem tirado este direito sumariamente. Isso porque a maioria dos médicos obstetras preferem fazer cesárea em suas gestantes do que esperar horas por um parto normal.
A cesárea é prática, tem hora marcada para começar e para acabar.
E aí, para convencer uma mulher a fazer uma cesárea, e eles nem precisam fazer muita coisa: falam que ela não tem passagem (o que somente é possível saber na hora do trabalho de parto), falam que circular de cordão impede o nascimento natural (o que não é verdade), que depois da primeira cesárea não pode ter parto normal (minha sogra teve dois partos normais depois da primeira cesárea) e muito mais.
E agente cai nessas conversas porque é a primeira vez que temos filho e não entendemos nada de parto.
Porque ouvir essas coisas é o mesmo que ouvir que seu filho pode morrer....
Porque acreditamos que o médico jamais nos operaria sem necessidade.

Mas a realidade não é essa e hoje o que se prega é a segurança total da cirurgia, o que também não é verdade.

Eu mesma tive um sangramento por conta do corte da cesárea feito em meu útero que se não tivesse sido contido me levaria a dois terríveis caminhos: uma histerectomia (retirada da útero) ou à morte.

Eu vejo uma cirurgia feita sem necessidade e por conveniência e preferência do médico, uma mutilação e um crime. Sem mencionar a falta de ética profissional.

Acontece que muitas mulheres também fazem preferência pela cesárea. E aí?
E aí, eu acho que cabe ao médico ser ético e somente operar em caso de necessidade, não porque a paciente prefere um procedimento cirúrgico.
Ou alguém já ouviu falar de pessoas que chegam ao médico e falam: quero tirar um rim, e viver com um só, sem motivo clínico nenhum, o médico vai lá e tira, só porque o paciente quer?

Claro que muita gente vai defender o direito de escolha da mulher. Mas será que realmente ela tem o direito de escolher fazer uma cirurgia sem necessidade quando isso põe também em risco outra vida? Será que é mesmo só o seu corpo que está envolvido?

Essa é uma questão complexa e há muito que se pensar a respeito.
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Ana Cláudia Bessa

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Vamos salvar a CASA DE PARTO !

Amigos, a CASA DE PARTO de Juiz de Fora, precisa de nossa ajuda.

Um jornal local está fazendo uma enquete sobre a Casa de Parto de Juiz de Fora, que corre o risco de ser fechada porque os médicos estão fazendo uma pressão absurda, está um bafafá danado por lá. A enquete tá nesta página, mais abaixo à esquerda, na coluna da lateral:http://www.jornalpanoramajf.com.br/index.php

Você concorda com a suspensão das atividades da Casa de Parto?
Diga NÃO!!!! NÓS NÃO CONCORDAMOS COM A SUSPENSÃO!!!VOTE NÃO!!!

Votei agora, e só tinha 40% de votos contra o fechamento da Casa de Parto!

Eu posso falar por experiência própria pois frequentei a Casa de parto de Realengo e é a coisa mais linda que eu já vi!

As mulheres são tratadas com dignidade, respeito, competência, (muito) carinho e profissionalismo. São mulheres cuidando de mulheres e dando à nós o direito a um parto natural, num ambiente tranquilo e acolhedor sem intervenções cirúrgicas ou de praxe que agridem, mutilam e maltratam a mulher e o bebê. E tudo isso DE GRAÇA !

Parto na água? Lá tem!

Presença e participação do pai? Lá tem!

Preparação e acompnhamento pré e pós-parto? Lá tem!

Orientação, exercícios, palestras durante a gestação para gestantes e seus parceiros? Lá tem!

Parto sem laceração da vagina? Lá tem!

Parto Natural? Lá tem!

Não há risco para as mulheres que tem sempre um hospital de referência e ambulância de plantão para atendimento de emergências. As enfermeiras são enfermeiras obstétricas experientes. O ambiente é maravilhoso e as instalações parecem a casa da gente. A gestante tem direito a quarto privativo, banheira, música... coisa de poucos, mesmo nos melhores hospitais privados do país!

Os médicos fazem este alarde todo porque querem se manter como donos do parto e do corpo da mulher, medicalizando cada vez mais o nascimento que é um fenômeno natural e fisiológico!

Ajudem, amigos, a acabar com este escândalo que é 80% de cesáreas no Brasil.

Isso significa que 65% das mulheres podem estar sendo operadas sem necessidade clínica e sim por conveniência do médico que não quer perder tempo ou que não sabe acompanhar um parto normal e expõe mães e bebês a risco de 4 a 10 vezes maiores, a infecção hospitalar, complicações pós-parto para a gestante e para o bebê e ainda a submete a um dolorido e sofrido pós-operatório que no parto normal simplesmente NÃO EXISTE! Dando á mulher plenas condições de dar toda atenção, carinho e dedicação ao seu filho que acabou de nascer.

E os dados falam por si:

"Não houve necessidade de cesariana para 87% das mulheres assistidas. Apenas 3,4% foram transferidas para hospitais; 4,7% utilizaram anestesia; 2,1% fizeram episiotomia(nota minha: corte na vagina) e 1% precisou de fórceps. A pesquisa concluiu que os percentuais de intervenção são mais baixos que nos hospitais.
Mesmo com aprovação das mulheres e autorização de funcionamento pelo Ministério da Saúde, as casas de parto não são consenso entre os profissionais de saúde. Isso acontece porque as casas podem ser geridas por enfermeiras-obstetras e não são obrigadas a ter supervisão de um médico.
Um dado importante, segundo o Ministério da Saúde, é que não houve nenhum óbito materno, num total de 4.838 partos entre os anos 2001 e 2004. Esse número corresponde aos partos realizados nas casas de Belo Horizonte, Juiz de Fora e Rio de Janeiro. Desse total, houve seis óbitos neonatais." (http://www.previ.com.br/portal/page?_pageid=56,484921&_dad=portal&_schema=PORTAL)

Taí, apenas seis óbitos neonatais em tantos atendimentos em tantos anos! Óbitos que provavelmente teriam acontecido em qualquer circunstância e que com certeza, recebeu todo o atnedimento necessário. Recentemente saiu uma pesquisa revelendo que a cesariana é a maior causa de mortes maternas no Brasil. É preciso que tenhamos essa consciência e passemos a tratar o parto como um evento natural do corpo da mulher e que privar o bebê de nascer desta forma de nascimento é privá-lo de mais carinho, tranquilidade e principalmente, saúde.

Parto bom é parto normal! Normal, é parto normal!

Votem e ajude a Casa de parto de Juiz de Fora a continuar oferencendo este trabalho primordial à nós, mulheres!

Diga NÃO!!!! NÓS NÃO CONCORDAMOS COM A SUSPENSÃO!!!VOTE NÃO!!!


_________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa e Silvia Schiros

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Nem a parteira pariu...

Recentemente vi um programa de televisão onde uma conhecida parteira estava participando de um debate com um médico e uma mulher "recém-parida".

Claro que diante do meu sabido interesse pelo assunto, parei para assistir.

Participei, nas minhas duas gestações, de um grupo de discussão considerado radical defensor do parto natural.
Neste grupo vi mulheres cesareadas serem sufocadas de questionamentos. A única exceção acontecia quando esta mulher puxava para si todas as responsabilidades e culpas por ter cedido ou caído na “ladainha” de médicos que dizem que cordão enrolado, por exemplo, é invariavelmente motivo para cesárea (quando, na verdade, não é).

O que se espera dessas mulheres é que lutem até o final por seu parto normal, que acreditem em si, no seu corpo e enfrentem a decisão médica mesmo já em alucinantes dores durante o trabalho de parto. Essas serão louvadas e endeusadas no grupo como verdadeiras mulheres plenas do seu corpo e de suas decisões.

Mas o que me chamou atenção no programa foi a quase total silêncio da parteira que inclusive é muito considerada no meio defensor do parto natural.

Não seria aquele momento um momento de "parir" o parto natural?
Não seria , analogicamente falando, a "hora P" dessa parteira em defender perante um público imensamente maior que o universo de suas pacientes os benefícios e as possibilidades de se ter partos naturais, inclusive domiciliares?
Mas não foi.

E aí, chegando ao ponto que desejo, embora pareça uma crítica a essa profissional, não é.
Meu ponto é: o sistema é difícil de enfrentar.

Se para ela que não estava em trabalho de parto, tendo um filho para parir, um médico dizendo que seu filho poderia morrer, um marido do lado questionando sua capacidade de decisão quanto ao parto de um filho que também é dele (embora todo o trabalho da gestação seja e aconteça dentro da mulher), um anestesista perguntando se ela não quer um alívio (que muitas vezes tira muito sua capacidade de atuar fisicamente no parto), uma família fazendo pressão porque você quer algo que a maioria não faz (80% dos partos no Brasil são cesareanas e já está, claro, banalizada), que não tem conhecimento técnico e experiência para discutir um parto saudável, enfim...

Ainda assim essa mulher que só faz um ou dois partos na vida (em média), tem que lutar.

Mas a profissional que fez mais de 100 partos domiciliares, que não tinha dores e que tinha respaldo para debater seus procedimentos tecnicamente, não debateu.

E não é a primeira vez que observo isso.

Num outro programa, um médico humanizado (movimento que valoriza o corpo e as escolhas das mulheres, minimizando intervenções e encorajando o parto natural como sendo o caminho mais saudável para o nascimento) também pouco se manifestou, ficando o "show" quase que totalmente por conta do médico "pop-cesarista" que também estava presente. Porque "pop-cesarista"? Poque quem faz 80% cesárea tem tempo de ser pop, oras!

Por que será que isso acontece?

Se para eles foi difícil transpor as barreiras do sistema, do marketing pessoal dos médicos cesaristas (que por não acompanharem quase nenhum parto normal, tem mais tempo livre para aparecer na mídia), imagine para as mulheres prestes a parir!

E atualmente, saiu uma reportagem no jornal , falando que a mortalidade materna ainda é alta. Por causa de quê?

Dos altos índices de cesárea. Ou seja, se nós mulheres temos nossas parcela de culpa quando aceitamos, não nos informamos, quando não questionamos. A culpa é 80% maior dos médicos. Pois o conhecimento lhes dá o poder diante de uma mulher fragilizada pelo momento, pela dor, pela insegurança de vivenciar aquilo tudo pela primeira vez, pelo medo de por em risco sua vida e a da criança, enfim, "n" motivos.

É uma luta covarde pois na maioria das vezes é com um médico apressado e anti-ético que quer te operar sem necessidade clínica apenas para ir para casa mais cedo ou para atender a agenda cheia de seu consultório.

E a gente tendo um ser humano para parir ainda tem que chupar essa manga!
__________________________________________________________________________________ Texto de Ana Cláudia Bessa

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Direitos de Escolha? Parte 2

Continuando nossas reflexões...
E a amamentação, será saudável para o bebê mesmo quando a mulher não deseja e amamenta sem vontade, sem prazer e sem condições emocionais de fazê-lo?

Hoje é sabido que nosso emocional está diretamente ligado a todos os aspectos de nossas vidas, não podemos simplesmente ignorá-lo como se fosse possível agir 100% do tempo racionalmente.
Parto normal e amamentação são indiscutivelmente o melhor caminho e não sei precisar até onde vão os direitos da mulher em determinadas escolhas. Afinal, é uma tristeza ver bebês tão novinhos tomando mamadeiras. Isso deveria ser uma excessão e das grandes. Nunca uma regra ou uma possibilidade rapidamente aceitável.

Mas o que espero de todas nós é não desistamos deles por vaidade, conveniência ou medo.

Todas as escolhas importantes de nossas vidas são difíceis e nos fazem abrir mão de outra coisa também importante. Isso é uma regra, sem excessão. Não há atalhos.

O que eu gostaria de ver é mais e mais mulheres fazendo escolhas que vencem seus medos, seus preconceitos e suas dificuldades.
Informação é fundamental e hoje , ela está aí, dentro da casa da gente pela internet.
Basta querer, basta buscar.

O que eu gostaria de ver é mulheres que desistiram depois que tentaram, depois que procuraram ajuda, depois que esgotaram todas as possibilidades. Não cedendo ao primeiro apelo da facilidade de se comprar uma latinha de leite/fórmula na prateleira do supermercado ou então ao conselho da maioria que é o de desistir da amamentação como se a criança estivesse sendo torturada de fome.

Porque acredito que somente seremos respeitadas depois que deixarmos de lado as escolhas vazias e exclusivamente emocionais.

Vivemos numa sociedade machista onde as regras foram criadas pelos homens.
E recentemente li numa reportagem sobre uma executiva de sucesso que para mudar essa visão social devemos jogar como homens e vencer como mulheres.

Tá mais do que na hora de resgatar isso, somos mulheres!

Somos mamíferas!

__________________________________________________________________________________ Texto de Ana Cláudia Bessa

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Direitos de Escolha? Parte 1

Outro dia li um texto da Fernanda Young falando sobre sua preferência em não amamentar. Não só falando como estimulando e incentivando a que as mães não se sintam culpadas por isso. Como formadora de opinião que toda pessoa que tem alguma visibilidade é, achei totalmente inapropriado, mas ainda assim, defendo o direito que ela têm de falar o que quiser. Fazer o quê?

Sou defensora ferrenha do direito da mulher em ser respeitada em suas escolhas, como no caso da escolha do parto, por exemplo. Por que eu não seria no caso da amamentação?
Assim como no caso do parto, não dá para comparar os benefícios de um parto normal para a saúde do bebê e da mãe com um parto cesariano. E amamentação é a mesma coisa: os benefícios do leite materno são incontáveis com relação a mamadeira.
Mas assim como no caso do parto, ninguém tem mais direito as suas escolhas do que a mulher. Afinal, trata-se do seu corpo. No caso da amamentação também, trata-se do seu corpo.

Mas se perante os homens, os médicos e a sociedade, a escolha da mulher deve ser soberana porque se trata de escolhas que envolvem seu próprio corpo, o que dizermos das escolhas que envolvem a saúde e o corpo do bebê?
Temos realmente direito a escolher um parto cesariano por conveniência ou vaidade quando temos plenas condições a um parto normal?
Temos o direito de não amamentar porque simplesmente não queremos que nosso peito caia ou porque estamos cansadas demais para levantar várias vezes durante a noite abrindo mão do direito que o bebê tem de receber o melhor e mais saudável alimento que a ele pode ser oferecido e que somente nós temos a oferecer?

Por outro lado, onde fica a questão psicológica a mulher? Poderá ela ter um parto normal ou amamentação saudável e plenos para ela e seu bebê quando não o deseja?

Vamos pensar nisso?

Continua amanhã.


__________________________________________________________________________________ Texto de Ana Cláudia Bessa

quarta-feira, 18 de julho de 2007

PARTO: acompanhante não paga!

Na época que eu estava grávida, ouvi muita gente dizer que os hospitais cobram pela presença de um acompanhante para a parturiente na Sala de Parto ou no Centro Cirúrgico. Muitas vezes, essa cobrança vinha (e ainda vem) disfarçada como custo da roupa descartável a ser usada. Mas essa roupa descartável é tão baratinha e falava-se em taxas de até 100 reais!

Eu não passei por isso. Tive meus dois filhos acompanhada do meu marido e sem que houvesse nenhuma objeção nem da equipe médica nem do hospital.

Contudo, é importante que saibam que depósito em hospitais ....É PROIBIDO POR LEI.

Foi publicado no D.O. em 09/01/02 a Lei numero 3.359 de 07/01/02 que define:

"Art.1o - Fica proibida a exigência de depósito de qualquer natureza, para possibilitar internamento de doentes em situação de urgência e emergência, em hospitais da rede privada."

"Art 2o - Comprovada a exigência do depósito, o hospital será obrigado a devolver em dobro o valor depositado ao responsável pelo internamento."

"Art 3o - Ficam os hospitais da rede privada obrigados a fixarem em local visível e dar possibilidade de acesso aos usuários, a presente Lei."

"Art 4o - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação."

Divulgue para que as pessoas não tenham dúvidas e possam reinvindicar seus direitos em caso de necessidade.

E principalmente para que as mulheres tenham direito a estarem acompanhadas por quem desejarem. E que os pais também tenham direito a estarem com suas esposas e assistirem o nascimento de seus filhos sem que ninguém venha fazer disso mais um modo de mercantilismo.

80% dos partos são cesareanas, quando o recomendado é apenas 15% pela OMS.

Isso indica que, provavelmente, 65% deve ser uma cirurgia desnecessária feita por opção do médico ou da paciente e/ou desinformação da paciente.

Ser submetida a uma cirurgia sem necessidade correndo o risco maior (ou sem ser informada do mesmo) do que no Parto Normal é anti-ético e desumano.

Privar a mãe de partilhar este momento e receber apoio de seu companheiro também.

Divulgue esta informação e contribua para que o parto passe a ser menos médico e mais humano no Brasil.


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Texto de Ana Cláudia Bessa