quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Direitos de Escolha? Parte 2

Continuando nossas reflexões...
E a amamentação, será saudável para o bebê mesmo quando a mulher não deseja e amamenta sem vontade, sem prazer e sem condições emocionais de fazê-lo?

Hoje é sabido que nosso emocional está diretamente ligado a todos os aspectos de nossas vidas, não podemos simplesmente ignorá-lo como se fosse possível agir 100% do tempo racionalmente.
Parto normal e amamentação são indiscutivelmente o melhor caminho e não sei precisar até onde vão os direitos da mulher em determinadas escolhas. Afinal, é uma tristeza ver bebês tão novinhos tomando mamadeiras. Isso deveria ser uma excessão e das grandes. Nunca uma regra ou uma possibilidade rapidamente aceitável.

Mas o que espero de todas nós é não desistamos deles por vaidade, conveniência ou medo.

Todas as escolhas importantes de nossas vidas são difíceis e nos fazem abrir mão de outra coisa também importante. Isso é uma regra, sem excessão. Não há atalhos.

O que eu gostaria de ver é mais e mais mulheres fazendo escolhas que vencem seus medos, seus preconceitos e suas dificuldades.
Informação é fundamental e hoje , ela está aí, dentro da casa da gente pela internet.
Basta querer, basta buscar.

O que eu gostaria de ver é mulheres que desistiram depois que tentaram, depois que procuraram ajuda, depois que esgotaram todas as possibilidades. Não cedendo ao primeiro apelo da facilidade de se comprar uma latinha de leite/fórmula na prateleira do supermercado ou então ao conselho da maioria que é o de desistir da amamentação como se a criança estivesse sendo torturada de fome.

Porque acredito que somente seremos respeitadas depois que deixarmos de lado as escolhas vazias e exclusivamente emocionais.

Vivemos numa sociedade machista onde as regras foram criadas pelos homens.
E recentemente li numa reportagem sobre uma executiva de sucesso que para mudar essa visão social devemos jogar como homens e vencer como mulheres.

Tá mais do que na hora de resgatar isso, somos mulheres!

Somos mamíferas!

__________________________________________________________________________________ Texto de Ana Cláudia Bessa

7 comentários:

sula disse...

Eu enxergo exatamente desta maneira: as mulheres perderam sua fé na sua feminilidade. Isso, como você mesma disse vem da sociedade machista que tendencia a fragilização da mulher e ela passar a depender de artificíos não naturais para fazer coisas que ela faria naturalmente sem dificuldades, apenas seguindo seus instintos básicos. E aí, ela passa a depender de médicos, de produtos, etc...
Como é o caso da amamentação e do parto.
E por isso , hoje, a informação se torna importante, quando não deveria ser necessária. Mas é.
Daí vem as lendas do leite fraco, por exemplo.
Seguidos de todos os tipos de desculpa que as mulheres dão a si mesmas para acreditar que não eram capazes. Quando eram. Bastava que elas soubessem arrumar quem as orientasse porque o começo pode ser de difícil adaptação mas com procedimentos facilmente contornáveis, como é o caso da pega no bico do peito: quando feita de forma errada, pode comprometer a qualidade da amamentação e levar até à desistência.

Existem os casos de mulheres que simplesmente não querem amamentar, aí, se ela tem leite, não sei se ela tem esse direito.

renata disse...

Ana, achei fantástico seu post, abordar esse assunto tão delicado com profundidade é uma exceção numa época em temos bastante informação sobre esse assunto. Mas acho que a escolha, muitas vezes, não é racional. É claro que o fato de que sejamos intelectualizadas precocemente hoje, e mais, desde pequenas treinadas para ser racionais, deixando nosso emocional, nosso sentir de lado, faz com que tenhamos dificuldade de lidar com questões, na vida adulta, que envolvem boas doses de inteligência emocional, como é o caso. E aí está meu ponto. Somos seres racionais, culturais, não tem jeito. Mas a tomada de decisão nesses casos especialmente envolve uma carga emocional muito grande, tanto que, em muitos casos, embora saibam o que é o melhor para os filhos, mulheres inteligentíssimas acabam encontrando "desculpas" e convencem a si mesmas de que o jeito é tomar a decisão que colocamos aqui como a melhor. Há mulheres que simplesmente não sabem olhar pra dentro, que não tem condições emocionais de compreender certas coisas. E não é culpa delas, elas simplesmente não podem, naquele momento.
Eu mesma tive um parto cesáreo de emergência, depois de ter trabalho de parto e dilatação total. Tinha consciência do que era o melhor para mim e para minha bebê, escolhi uma médica maravilhosa, mas hoje sei que eu não tinha condições emocionais para ter um parto normal. Felizmente a maternidade me trouxe a oportunidade de me trabalhar, de me conhecer melhor e de mudar muitos padrões emocionais dos quais eu não tinha consciência antes. Felizmente eu estava preparada para aproveitar essa oportunidade, porque tb acontece muito de a pessoa não estar e deixar passar a oportunidade.
O que quero dizer é que acredito que, por mais que queiramos ajudar outras mlheres, em alguns casos não é possível porque elas mesmas não estão preparadas para tanto, e precisamos respeitar. E isso se dá, acredito, em virtude da nossa cultura extremamente racional, mas tb por razões emocionais de cada uma.
Bjs

Cristiane A. Fetter disse...

Eu diria mais, somos MÃEmíferas.
Excelente post.
Abraços

Ana Cláudia Bessa disse...

Gente, eu sou muito, mas muito suspeita para falar.
Eu já entrei em discussões oméricas por causa de parto e amamentação.

E realmente, não podemos negar que muitas mulheres não estão preparadas para serem ajudadas. Isso é verdade, cada um tem seu momento, sua hora de despertar.

Meu dois filhos mamaram exclusivamente, sem a´gua, até o oitavo mês em livre demanda. Teve época de mamar de hora e hora eu sempre dei, porque afinal, estava em casa para cuidar deles. Foi essa minha opção.
Sempre foram um pouquinho acima da média em peso, mas nada demais.
Depois que começaram a comer, emagreceram sensivelmente e nunca mais foram da mesma forma.

No começo, e acho que é normal, meu colostro era ralinho e em pouca quantidade. E muitas mulheres e médicos desistem sem paciência de esperar este primeiro momento passar. Se o leite não jorrar em 3 dias, dá-lhe fórmula.
E aí, vejo um despereparo muito grande dos médios, infelizmente.

E sou ainda desconfiada demais de deles: vejam vocês que a pediatra que nos atendia na época, mesmo com a amamentação indo bem, me recomendou introduzir novos alimentos aos 4 meses!
Eu não só segui o correto até o sexto mês, como ainda, contra a vontade dela, fui ao oitavo, exclusivamente, sem sequer dar água.

Eu questiono demais as orientações que recebo e desobedeço os médicos sempre que sinto que a recomendação não está correta, como o caso de interromper a amamentação exclusiva ao quarto mês. Temos que ter bom senso e informação para ter segurança na hora de questionar.

Então, para outras mães que venham a passar pelas dificuldades que falamos aqui, recomendo ir além da orientação ´medica e procurar grupos de apoio à amamentação.Na internet tem é só entrar com AMAMENTAÇÃO no Google.
Uma segunda, terceira opinião podem fazer toda a diferença.
Aqui no blog mesmo, nós indicamos o AMIGAS DO PEITO e o MATRICE.

Muitas vezes um pequeno ajuste na pega do bico do peito e o leite jorra. Existem exercícios, massagens, compressas, homeopatia e alimentos que ajudam na descida e produção do leite, independente do parto (eu tive duas cesáreas).

Adriana Fischer disse...

Falou tudo!!
Não apenas uma atitude errada como eu acho um crime uma mãe fugir dessa tarefa!
Também sou suspeita pra falar, mas em muitos casos acredito que o egoísmo é tanto que desprezam a necessidade da criança por preguiça.
Já vi muita mulher com problemas reias na amamentação que sangravam e mesmo assim não desistiram(finalmente por ordens médicas tiveram que parar)e outras que simplesmente por ser mais "fácil"??desistiram, essas sim são piores que os animais irracionais que mesmo também com algumas dificuldades amamentam seus filhotes.
Amamentar é dar vida, saúde, carinho e muito, mas muito amor!

Ana Cláudia Bessa disse...

Prá variar..risos...entrei em outro debate sobre amamentação num grupo de mães que engravidou depois dos 30.
Uma das mulheres, mora no Canadá e dá fórmula à filha de 3 meses. Mas o caso dela foi totalmente orientado. ele teve acompanhamento de nefermeiras durante a amamantação para correção da pegada, orientação para retirada do leite com bomba, enfim...tentou-se de tudo com orietação e acompanhamento porque lá, não se aceita outra alimentação antes do sexto mês que não seja o leite materno. Salvo excessões, como foi o caso dela.

Por outro lado, no mesmo grupo, teve outra que o médico , no Brasil, recomendou o complemento com apenas 1 mês porque "o bebê não mamava todas as fases da mamada".

Quando eu amamentava exclusivamente, aprendi que a mamada realmente tem fases, o início, mais ralo tem mais líquido e nutrientes, anticorpos, etc...enfim nutre.
Enquanto o final da mamada, tem a gordura, também essencial ao ser humano e que engorda o bebê.

Não entendi porque o médico recomendou a mamadeira para resolver este problema.

Eu aprendi que para resolver o problema das fases da mamada, era só se certificar de que o bb mamou todo um peito para passar para o outro, da seguinte forma:
Ele mama no direito e dorme, por exemplo. Pode ser que ele não tenha chegado na fase da gordura. Então, na próxima mamada, ele deve começar no mesmo peito direito até esvaziar e só então passar para o esquerdo.

Eu não fazia isso no começo, porque aprendi errado que deveria ficar revezando os seios. Mas com a orientação correta, não foi preciso usar complementos.

Ana Cláudia Bessa disse...

Outra coisa interessante no grupo:
o tópico amamentação tinha apenas 15 mensagens.
Informações para festa de um aninho, 153.
Suquinhos e papinhas, 168.

Isso para mim vai além de um reflexo da característica do grupo, para mim isso é uma característica do retrato da qualidade e quantidade de informação sobre amamanetação entre as mulheres.