sexta-feira, 31 de agosto de 2007

O QUE FALTA?

No "post" datado de 14/08, nossa "blogueira-mãe" Ana Cláudia desabafa num texto veemente que começa com a pergunta:
QUANDO VAMOS REAGIR?
E termina com outra pergunta: O QUE FALTA?
Entre uma pergunta e outra ela discorre sobre os desmandos de nossos governantes, homens públicos etc e sobre nossa passividade (ou impassividade) diante de tudo.
Eu não tenho a pretensão de dar uma resposta definitiva às indagações, mas, tão somente, a MINHA resposta.
FALTA muito!

Com muita frequência ultimamente, tenho me deparado com textos, alguns assinados por nomes conhecidos da mídia, outros por anônimos ou "blogueiros" como nós, falando sobre um mesmo tema: A (BAIXA) QUALIDADE DA NOSSA CIDADANIA.

Talvez esteja aí a resposta. Somos um povo que se orgulha de sua jovialidade, alegria, pacifismo, hospitalidade etc etc etc. No entanto, ainda não fomos capazes de nos envergonhar de nossa alienação social, nosso baixíssimo espírito comunitário, nosso elevadíssimo grau de corrupção refletido em nossas ações do dia-a-dia.

Não estou falando daquilo que nós convencionamos chamar de corrupção e que atribuímos tão somente aos nossos homens públicos - os desvios, as propinas, o nepotismo etc. Falo da "pequena" corrupção que nós preferimos chamar de "jeitinho" ou "esperteza", e que praticamos desabridamente, sem vergonha e sem culpa.

Falo também da alienação que nos faz olhar-sem-ver toda a degradação social que se descortina diante de nossos olhos, na sujeira, na depredação dos bens coletivos, no crescimento sem controle da "cidade paralela" - das favelas, dos camelôs, dos flanelinhas...

Falo da falta de reação e de indignação diante de coisas obviamente canalhas como, por exemplo, um Programa de Despoluição da Baía de Guanabara que já consumiu "uma baía e meia" de recursos em mais de uma década sem apresentar NENHUM resultado prático.

Falo da nossa indiferença a qualquer coisa que não seja circunscrita a nosso nucleozinho familiar, como, por exemplo, a sistemática não-participação em reuniões de condomínio, associações de moradores etc.

Falo do nosso discurso-chavão sobre a honestidade (falta de) dos políticos que NÓS, reiteradamente "colocamos lá".

Falo de nossa "cegueira sócio-política" que faz com que candidamente acreditemos que grandes eventos como passeata das diretas-já; derrocada do Collor; eleição do Lula etc, foram DE FATO protagonizados pelo POVO!

Falo de nossa ojeriza a discutir sobre ESSAS COISAS, preferindo, ao invés, discorrer sobre a crise do Flamengo, a vitória "fajuta" da Beija-Flor ou a "puta" da novela das oito.

Falo de nossa (previsível e óbvia) "explosão de indignação" diante do próximo HORROR ou ESCÂNDALO que, seguramente está a caminho.

Enfim, falo de nossa CULPA, por tudo o que estamos sofrendo e que ainda vamos sofrer.
O que falta? Sinceramente, não sei. Talvez uma máquina do tempo para que algum de nós volte lá ao comecinho de 1500 e espalhe ao longo das praias uma série de placas escrito:
Caminho Marítimo para as Índias, apontando para a Argentina!



Leia o post "Quando vamos reagir?"

__________________________________________________________________________________ Texto de Ivo Fontan

14 comentários:

Marcelo Bessa disse...

Prezado Ivo,

Quero parabenizá-lo pelo excelente texto, que vai muito ao cerne da questão e da realidade na qual vivemos. O Brasileiro é responsável por isso, não os políticos! Os políticos estão lá, colocados e libertos para agir pela nossa incompetência, preguiça e ignorância.
Somente a partir de uma autocrítica podemos crescer como cidadãos e sociedade. E minha conclusão (passível de mudança pela argumentação racional, e não emocional) é: o brasileiro é um povo alegre, acolhedor, criativo e trabalhador. Ponto! Entretanto tem erros cruciais, que são o egoísmo, a corruptividade, a morbidez cívica (acomodação), a esperteza burra e a alienação. Nesse sentido o europeu é grosso e mal educado (com muitas exceções), mas vive bem. Enquanto isso temos aqui uma cambada imensa de fodidos-alegres (desculpe-me o termo), entre eles a classe-média, que riem da própria desgraça. Se bem que a classe média também vive reclamando, ao passo que sempre viaja nas férias, tem filhos em escolhas particulares e acha o pedágio o máximo.
Enquanto isso a elite (que afirmo, EXISTE!!!) tira desse povo o acesso à educação e à dignidade, preenchendo sua "consciência" com um besteirol sem fim (novelas, futebol, a crítica política vazia e deturpada, carnaval). Estes aspectos, que eram para ser exceções e oportunidade de "fugas efêmeras" em nossa sociedade, passaram a ser a "regra e a ordem dos dias". Já reuniões de condomínio, horário político, Voz do Brasil, programas educativos e debates tornaram-se coisas chatas.
Um retrato claro disso é a campanha CANSEI, um dos movimentos mais manipuladores que já vi. Como foram os caras-pintadas. A elite cansou de quê???? Da corrupção, da criminalidade, do menino do sinal???? Descobriram a América??? Engraçado! Isso tudo começou agora???
Onde estava a elite na compra do Congresso por FHC, para aprovar a emenda à reeleição??? Onde estava a elite na privatização da Vale do Rio Doce, que lesou em bilhões os cofres públicos??? Onde estava a elite diante das centenas de chacinas que acontecem todo o ano, em várias periferias de nosso país??? Onde estava a elite para lutar contra a ditadura???
Eu respondo: estava caladinha, letárgica na sua conveniência. Agora resolveram se indignar. Por quê? Porque o presidente é um metalúrgico que está diminuindo a desigualdade social (tirando dos ricos, diga-se de passagem). Porque até então não tinha-se arrastado um menino de classe média pelas ruas de uma cidade (se for um menino da favela tudo bem). Porque o Estado deve ser mínimo e saúde, educação, subsolo são melhores geridos quando nas mãos da iniciativa privada. Realmente a privatização de setores estratégicos é uma maravilha. Alguém aqui já teve algum problema com telefonia e precisou resolver??? A iniciativa privada é muito boa. O Estado, uma merd...
Fico impressionado com a capacidade dessa gente de manipular e deturpar a realidade, fazendo uma crônica torna de nossa sociedade. Enquanto isso a crítica construtiva fica para trás, ofuscadas por campanhas articuladas e cínicas.

A elite não está preocupada com a criminalidade ou outros absurdos. ESTÁ PREOCUPADA COM OS IMPOSTOS, EM DIVIDIR A FATIA DO BOLO.

Abraços,

Marcelo Bessa

Ana Cláudia Bessa disse...

Eu adorei as colocações de vocês dois. E acho que os dois estão cobertos de razão, como eu também estava...rs..
A propósito, Ivo, eu não sou blogueira-mãe...rs...sou mãe-blogueira...
Mas disso tudo, o que podemos fazer para mudar este cenário?
O Marcelo citou o movimento Cansei.
E concordo com as coisas que ele falou.
Mas pensem bem...será que já não é um passo adiante a "elite" fazer um movimento contra os abusos de nossa sociedade?
A mensagem do video é bastante pertinente e acho que no mínimo Chamou uma meia-dúzia a refletir.
Se eles estão manipulando ou não, é outro aspecto. Ainda não entendi o que perderíamos com isso, em que essa elite "casanda" é tão reprovável. Eu acho que não chega a ser louvável, mas acho melhor do que ver a Ana Maria Braga fazendo comercial do Carrefour (que é uma merd...rs...de mercado), ou de alguma farmácia ou remédio ( o que um absurdo, levando-se em consideração que a auto-medicação é perigosíssima...).
Acho que temos que usar o limão do deboche da "elite" e fazer uma limonada. Pegar a mensagem do Cansei e falar para as pessoas: Cansou? então vamos votar direito. Vamos cobrar dos políticos, vamos prá rua mostrar a nossa cara de cansaço e a nossa indignação..
VAMOS PARAR ESSE PAÍS !
UM DIA!

Porque eu ainda não ví essa legião de cansados sair prá rua para protestar.
Eu mesma participei de um grupo de mães que me convidou a sair do grupo quando sugeri que poderíamos e deveríamos fazer alguma coisa.

Essa corrupção que esta aí, não foi o Lula que trouxe, sempre existiu! Ela somente está explodindo agora. Porque o copo está transbordando de corrupção, chegou num ponto que não dá mais para esconder, porque o caldeirão está cheio demais. E aí, um começa a querer comer o outro, denunciar o outro, enfim...

Estamos num país, que o pobre vende lugar na fila e outro compra. Num país, que síndico desvia verba de condomínio, num páis que as pessoas fazem fila para ver o show da Ivete Sangalo mas não comparecem a uma passeata na rua.

A maioria não quer fazer nada. Só quer reclamar.
E TEM GENTE QUE NEM RECLAMA....

Sonhos de Crochê disse...

Fico felíx em saber que existem pessoas realmente preocupadas com o rumo que nossa existencia está tomando. Parabéns ao Ivo, ao Marcelo a Cláudia. Me deixaram sem ter mais o que dizer... apenas uma coisa, devemos acabar com nosso EGOÍSMO e dessa forma veremos o outro e não vai mais existir lixo nas ruas, cadeiras de ônibus rasgadas, muros pichados e vai crescendo, professores realmente engajados, advogados sérios, políticos honestos...
Falta Moral e Civismo e sobra egoísmo:tudo para mim e nada para meu vizinho.
Axho que se começarmos por nós, nas pequenas coisas esse movimento vai crescer e aí vamos realmente entender o que é votar e o valor verdadeiro de cada voto.
Os dos outros eu não sei, o meu decide eleição!
Beijos
Rita

Sonhos de Crochê disse...

Gente errei no felix, é felíz, aliás muito FELÍZ!
Rita

Cristiane A. Fetter disse...

É isso aí Rita.
É por isso que este blog tem o nome O Futuro do presente. Ele é composto de pessoas comuns que estão cansadas de não ver nada acontecer. O trabalho que realizamos vai além de escrever testos e responder comentários. Divulgamos, partilhamos, dividimos e aprendemos com os visitantes que aparecem nos comentários, com os colegas que escrevem, visitando outros blogs, pesquisando e errando.
É um espaço que faz a gente refletir sobre nossas opiniões e a dos outros. Estamos certos? errados? podemos melhorar?
Talvez seja um pouco disso que falte aos nossos compatriotas.
É bom assim, temas polêmicos,nem tão polêmicos, cérebros funcionando e alternativas surgindo.
Abraços

Ivo Fontan disse...

O "Cansei" nada mais é do que a terceira geração de "Indignações de Grife".
Começou com o Viva Rio, hoje uma próspera e bem sucedida EMPRESA.
Sua segunda geração foi o "Basta", surgido de uma faixa estendida num varandão de um condomínio de luxo de São Conrado.
A verdadeira indignação, aquela capaz "virar essa mesa" está totalmente sob controle. "Dopada" pelos "shows" das Ivetes da vida; pelo carnaval; futebol; novelas; cotas "raciais"; bolsas (desculpe, meu caro Marcelo, mas isso não é e nunca foi distribuição de renda. Isso é distribuição de imposto e, rico, meu caro, como todos sabem, não paga imposto!)

Marcelo Bessa disse...

Ana,

O fato da elite "levantar a bunda do sofá" para lutar por algo realmente já é alguma coisa. Agora falta lutarem por algo útil, mas isso talvez na próxima era glacial. O movimento Cansei é um fracasso (não encontra respaldo na grande camada da população), apesar da campanha de luxo articulada na internet e divulgada mídia. A última vez que a elite se levantou efetivamente contra algo, se não me engano, foi na Marcha pela Família. Esta última culminou (ajudou) no Golpe de 64, que destituiu um presidente eleito democraticamente e mergulhou o Brasil nos obscuros porões da tortura, intolerância e da perseguição.
Sendo assim, minha irmã, é temeroso engordarmos as fileiras de um movimento sem o mínimo propósito patriótico, não passando de um "jogo de cena" para camuflar a transferência de recursos dos ricos para os pobres. A limonada pode ficar azeda demais. Deixemos que eles se entorpeçam de vitamina "C" e façam bastante caipirinha. Se bem que esse pessoal gosta mais de uísque escocês (18 anos, no mínimo).

Abraço,

Marcelo

Marcelo Bessa disse...

Caro Ivo,

Gostei do termo "indignação de grife". Isto me lembra as patricinhas comprando roupas hippies em lojas de luxo. Como já li em um texto interessantíssimo, não vivemos a era do ser e nem do ter, mas DO PARECER. A hipocrisia é geral.
Apesar de compartilhar de muitas de suas colocações, discordo de sua posição em relação aos programas assistenciais (e não assistencialistas) do governo. Devo lembrar-lhe que foram, nos últimos meses, cerca de 7 milhões os brasileiros retirados da miséria absoluta, fato reconhecido inclusive pela ONU.
Os programas assistenciais são uma forma de transferência de renda compulsória, ou seja, os impostos dos ricos (incluindo elite e classe média), são revertidos em programas de auxílio aos mais pobres. Este é um dos motivos principais para a chiadeira dos INDIGNADOS. Para eles BASTA de tanto imposto!!!!
Sou partidário de ensinar a pescar, e não dar o peixe. Entretanto ninguém aprende de barriga vazia. Fazer isso é torturar o necessitado. É preciso dar condições mínimas para que o pobre caminhe com as próprias pernas. Por isso vejo com bons olhos esta transferência de renda, que está sendo muito boa inclusive para as elites. Supermercados e bancos nunca ganharam tanto dinheiro. Por quê? Porque o povo hoje está comendo mais, porque hoje o povo tem acesso a crédito. E crédito, quando adquirido (mesmo que equivocamente) pela população, significa mais recolhimento de taxas e juros pelos bancos. É o "revés" do crescimento e da distribuição de renda.
Sinceramente, não estou preocupado em o rico ficar mais rico. Desde que faça isso honestamente, dentro da Lei... O que me importa é o miserável deixar de sê-lo. E o pobre ser pobre (se assim for sua vontade ou ambição), mas com o mínimo de dignidade.
Quanto a rico não pagar imposto, caro Ivo, lamento dizer-lhe que está equivocado. É o imposto, ainda que mal recolhido, dos ricos, que mantém o Estado funcionando. O pobre foi tão esculhambado que há muito não paga imposto, a não ser aqueles incluídos em itens de alimentação e transporte, por exemplo. Há muito os pobres estão entregues á informalidade, ao anonimato econômico.

Falou,

Marcelo

Ivo Fontan disse...

Marcelo
Adoro essas trocas de idéias e pontos de vista que surgem nesse espaço de comentários. Troço chato é quando uma postagem quase não gera comentários, mesmo que polêmicos.
Bem, "vamolá". Concordo contigo quanto à necessidade do assistencialismo como primeiro passo para tirar milhões de seres humanos da miséria. Concordo também que os programas sociais do governo Lula estão atingindo este objetivo.
Só não concordo em chamar isso de "transferência de renda".
Renda é outra coisa. Eu não tenho, nunca tive e praticamente todos do meu círculo de amizades também não.
Eu esperava de um governo de esquerda algumas coisas que não aconteceram. Uma delas é uma coisa que o PT sempre apregoou desde sua criação (eu vi este partido nascer), a tal "taxação sobre grandes fortunas". Se este imposto fosse criado e daí saíssem os recursos para os programas assistenciais aí eu diria: "cacete, isso É transferência de renda"!
Agora, retirar recursos da "mesma fonte" que, em tese, alimenta programas de saúde, educação etc, é "descobrir um santo para cobrir outro". Pagar bolsa família e, ao mesmo tempo, pagar 30, 40, 50 reais a um médico do SUS que vai fazer uma cirurgia num membro desta família, ou 350 reais ao professor que vai ensinar aos filhos desta família é dar com uma mão e tirar com outra.
Quanto ao imposto, insisto: Rico não paga imposto!
Não me refiro à miríade de impostos espalhados por aí como os relacionados com produção de bens, comércio e circulação de mercadorias ou serviços. Me refiro ao "rei dos impostos", o de RENDA.
Duvido que haja um único rico neste país que pague "bunitinho" tudo o que deveria. Eu pago, com certeza, pois o meu dindim vem de uma única fonte, não tem "por fora" e o leão me pega lá na boca do caixa. Agora, para quem tem RENDA , existem mil artifícios "legais" , uns novecentos "nem tão legais", além de outros tantos "criminosos", para burlar, escamotear, camuflar e, em consequência, "abrandar" a fome do leão.
Não raro eles conseguem a façanha descarada de ainda ter DEVOLUÇÃO!

Marcelo Bessa disse...

Caro Ivo,

Não quero aqui fazer propaganda do PT ou do governo Lula, mas acho que devemos, independente de qualquer ideologia, reconhecer as diferenças positivas (e reclamar também, com responsabilidade). Acho que o brasileiro, de uma forma geral, só sabe reclamar. E reclamar mal. E todos nós estamos passíveis de nos deixarmos levar pela "onda" de reclamações descabidas, daí a importância da troca de idéias.
A grosso modo existem duas formas de distribuir renda. Uma é gerar riquezas (produzir), para depois repartir o bolo. Esta alternativa existe desde que o Brasil é Brasil. O bolo, além de não crescer como deveria, quando cresceu fez a festa de "poucos".
A outra alternativa é tirar do rico para dar ao pobre. E isso, meu caro, nunca aconteceu mesmo, a não ser agora.
No Brasil de hoje vejo mudanças claras de postura. É claro que não se muda uma realidade de uma hora para outra, e nem moralidade e coerência se alcançam por decreto.
O Brasil, a meu ver, tem crescido consistentemente. Há os que queiram nos comparar ao Haiti ou à Argentina. No Haiti qualquer fabriqueta já interfere no PIB. E a Argentina saiu de uma situação de crescimento negativo. Num país que sofreu regressão, qualquer recuperação será mais "vistosa" em termos de números. Para mim a Argentina não cresceu tanto, apenas reconquistou o seu lugar depois de quebrada.
Se o Brasil cresceu 2,3 ou 2,6 em 2006 tudo bem. Acho que fez o possível depois de pegar um Estado completamente quebrado e enfraquecido pela especulação desenfreada. E já dá sinais de melhora, que irão se refletir nos próximos anos. A especulação deu lugar ao investimento. O fato realmente impressionante é que, para os mais pobres, o Brasil tem crescido a 10% ao ano, ou seja, no mesmo nível de China e Índia, embora com muito mais qualidade. E toda a mídia e classe média se calam diante disso.
Se o Brasil não cresceu efetivamente - o que está potencialmente se preparando para crescer - então este "dinheiro", que aumentou a renda dos mais pobres, saiu de algum lugar. Saiu dos mais ricos, com certeza, que agora estão chiando por terem que repartir a fatia do bolo. Uma reclamação imbecil, porque também acabam beneficiados por isso.
Talvez poucos ricos no Brasil paguem "bunitinho" todo o imposto de suas rendas. Mas devo alertar-lhe também que a classe média é, por sinal, a maior sonegadora deste país. As pequenas e micro empresas são as que mais sonegam, e têm um peso enorme na economia. Então acho meio folclore culpar só o rico. O problema é social, muito mais abrangente. O brasileiro tem ojeriza irracional a imposto, desde muito antes de Tiradentes.
Não é hora de se taxar grandes fortunas. O governo não tem lastro social para fazer isso. E as grandes fortunas não tolerariam tal investida. Isto é um segundo momento. Primeiro é preciso amadurecer o país, resgatar a auto-estima do povo e criar as bases para mudanças sociais mais profundas, visando um Estado do Bem-Estar Social, para mim um ideal a ser perseguido.

Grande abraço,

Marcelo

Ivo Fontan disse...

É, Marcelo, nós poderíamos sustentar essa troca de idéias por um tempo ilimitado, e não perderíamos argumento. Sabe por que? Porque acreditamos no que falamos. Temos ideologia. Temos sonhos verdadeiros. Somos íntegros!
Como você diz lá no início: "Não quero aqui fazer propaganda do PT etc", eu uso a paráfrase: "Não quero aqui fazer propaganda contra o PT..." mas não acredito nele! ou melhor, "neles"
Não creio neles como não acreditava nos que os antecederam (aqueles do neo-liberalismo, lembra?). Na verdade, para mim, eles são duas faces da mesma moeda.
Não tem um Projeto de País. Tem um Projeto de Poder.
Concordo plenamente com você que é preciso: "amadurecer o país, resgatar a auto estima do povo etc...", mas ainda não aflorou na política "deste País" um homem público ou um partido capaz de empreender esta viagem!
Invejo quem, como você, acredita que este homem é o Lula e este partido é o PT. Torço para que você esteja certo e eu errado, mas eu não acredito!

Marcelo Bessa disse...

Caro Ivo,

Já entrei em discussões exaustivas, ainda que positivas, sobre política. E confesso que estou meio "cansado" em me estender nesse assunto, embora acredite que quase tudo que é dito neste blog, por exemplo, tem solução na política que, antes de ser feita de um homem ou um partido, é feita de homens (coletivos).
E a política não dá certo não por causa da corrupção de Brasília, ou de um partido, ou de um político. A política não dá certo porque as pessoas (o povo) efetivamente não se esforçam para isso. Se quisessem nossa realidade daria um estalo, um salto para frente em pouco tempo. Mas demora anos para mudar, em parte porque a elite condena o povo ao besteirol e à desinformação, e noutra pelo desinteresse natural e espontâneo das pessoas por questões realmente edificantes e solidárias. Digo que a maioria das pessoas veio a passeio. Se dependêssemos delas estaríamos talvez na Idade da Pedra.
Vejo a macro-política como um reflexo puro e óbvio da micro-política, ou seja, aquela dos lares, dos escritórios, do bar da esquina... Quantas vezes, em nosso trabalho, não fazemos vista grossa para alguma irregularidade, não omitimos a incompetência de alguém??? Será que depois teremos moral para cobrar dos políticos a mesma postura em relação a seu ambiente ou a seus pares? Nós temos medo de perder o emprego, de nos indispormos com alguém, de sermos o "chato da repartição". E quando fazemos a coisa certa podemos ser injustiçados, tachados de inconvenientes, congelados no ostracismo. Enquanto isso os que fazem cagadas e plagiam recebem promoções. Esta lógica torta e injusta impera, mas vai e deve mudar. E está mudando, haja vista que hoje podemos estar neste blog elogiando ou criticando o governo. Há alguns anos atrás não nos era permitido este direito.
É nesse contexto de contradições que se forma a política que sustentará as grandes questões nacionais. Uma pesquisa feita revelou que o brasileiro comum, em grande parte, se tivesse acesso ao poder, teria as mesmas práticas que tanto condena nos políticos. Aí vemos que o processo é longo, tortuoso e terá que ser empreendido ao longo de alguns anos, no cerne de nossa sociedade.
Um Projeto de País vem sempre acompanhado de um Projeto de Poder. Sem poder as ideologias resumem-se a um eterno e cansativo falatório. E nem acho que devemos nivelar todos por baixo, pois se fosse assim condenaríamos pessoas como eu, como você e tantas outras que podem e querem fazer a diferença, mas ainda são minoria. E para fazermos algo, caro Ivo, teremos que ter este tal projeto de poder. Ou então ficaremos sempre restritos a um blog que, por mais nobre que seja, sozinho não será capaz de transformar a sociedade.

Abraço,

Marcelo

Ivo Fontan disse...

clap clap clap (aplausos)
Assunto encerrado.
Abraços

Ana Cláudia Bessa disse...

É marcelo, a gente é pequeno mesmo.
Não basta a gente só falar aqui, a gente tem que adotar essas medidas na nossa conduta.
A gente tem que enfretar as disucssões, muitas vezes desgastantes com outras pessoas.
Nõ é fácil ir além do blog onde estamos com gente que pensa, na maior parte do tempo como nós.