domingo, 2 de setembro de 2007

A China e o Futuro - Parte 1

O recente escândalo do brinquedos fabricados na China com tinta contaminada vendidos no mercado Americano e em outro países levanta uma série de questões futuras.

Em vista da forte reação popular, o assunto se tornou um dos mais comentados aqui nos Estados Unidos, recebendo combustível adicional com a notícia de que uma popular marca de pasta de dente, líder de mercado, também contém contaminantes e, claro, fora fabricada na China. O chefão da gigantesca fabrica de brinquedos foi à televisão dar explicações, confirmar o “recall” de milhões de brinquedos no mundo inteiro e pedir desculpas. Ele disse às câmeras não entender o que houve, já que eles tem controle de qualidade, estão fazendo o possível, etc, etc.

Hoje em dia, é literalmente impossível comprar nos EUA qualquer brinquedo ou utensílio doméstico que não tenha sido fabricado na China, não importa sob qual marca. Da mesma forma, qualquer peça de roupa, mesmo das griffes mais conhecidas, são inevitavelmente produzidas fora daqui. O consumidor Americano já se acostumou com isso.

Semana passada eu estava conversando com um cliente Americano que me passou toda a sua preocupação com o assunto. Ele me disse que anos atrás, sempre que alguém dava ao seu filho um brinquedo da marca XX (vou omitir nomes e marcas) era sinônimo de artigo de qualidade, um presente de valor considerável, da mesma forma que quando comprava pasta de dente marca YY, sabia que estava comprando um bom produto. Hoje, ele me disse textualmente e com forte rancor que isso não é mais a realidade! Baixou a desconfiança no produto que entra na sua casa e isso causou uma revolta enorme!

O que acontecerá se o consumidor Americano passar a recusar o produto Chinês na sua casa? Tudo bem que a barra da suspensão do seu carro tenha sido fabricado na China (ele não sabe disso), mas e quanto ao cobertor térmico/elétrico que cobre o seu bebê? E que tal a aspirina que ele vai tomar contra dor de cabeça? Ou ainda o aparelhino de medição arterial ? No caso dos brinquedos e da pasta de dente, estamos falando de marcas ícones do consumismo doméstico Americano, visíveis, concretos, tangíveis para o usuário. A sua compra é o resultado da escolha pessoal do consumidor, fruto de imensos estudos de dados psicográficos e custosas campanhas de marketing. A imagem que o produto produz é diretamente relacionada ao perfil do consumidor. Imaginem se, no alto da crise da vaca louca na Inglaterra os consumidores Americanos descobrissem que (hipoteticamente, claro) a carne do hamburguer do Mac Donald’s era oriunda da Inglaterra? Afinal, não tivemos no Brasil leite em pó contaminado de Chernobyl nos anos 80?


Continua amanhã dia 03/09

__________________________________________________________________________________ Texto de Milton Fetter

5 comentários:

Ivo Fontan disse...

Grande post, Milton
Tema muito oportuno para um blog que tem por objetivo discutir o "futuro que queremos para nossos filhos"
Aguardo ansioso a continuação, mas já vou dando meu "pitaco".
Esse tipo de problema já era previsível. Vem muito mais por aí. É a GLOBALIZAÇÃO.
Essa equação vai demorar muito para ser resolvida.
A China não tem outro caminho a seguir a não ser este de comunismo-capitalista (ou capitalismo-comunista). Eles estão usando o seu maior "capital": a força-de trabalho (e bota força nisso). Acontece que eles ainda não estão na mesma sintonia do ocidente industrializado no que diz respeito a padrões de qualidade. Para eles a produtividade ainda é muito mais prioritária (mais que isso, é vital).
Uma coisa é certa: como a expansão do capitalismo rumo à globalização é caminho sem volta e a inserção da China nessa "brincadeira" também, essa equação VAI TER QUE FECHAR. Não sei quando, mas vai.

Anônimo disse...

Concordo com o Sr. Ivo, em parte, pois qualquer país busca o melhor preço para atrair clientes.
O problema é quando o custo disso são as vidas envolvidas, como no caso do chumbo.
Também aguardo a continuação.
Gostei muito do tema. Parabéns Sr. Milton.

Milton Fetter disse...

Comentando os comentários.

Obrigado pelos comentários. São um bom incentivo para continuar colaborando. Concordo plenamente com o Ivo : o caminho que a China tomou não tem volta. Pessoalmente, creio que as forças de mercado irão aos poucos regulando a aceitação dos produtos. Como bem frisou o nosso amigo anônimo, o ( baixo ) custo destes produtos poderá torná-los inviáveis em alguns mercados. Interessante também imaginar qual o país que eventualmente virá após a China..
Mas,isso já é outra história ...

Milton Fetter disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Cláudia Bessa disse...

Oi, Milton!

Seja benvindo!
Nós que temos crianças pequenas podemos ver isso com bastante clareza: é muito difícil comprar um brinquedo que não tenha sido fabricado na China. Eu, tenho tentado evitá-los, porque acho que criança não tem noção do que enfia na boca, do que machuca. Mas é tão difícil!
E é como você disse: marcas ícones estão fabricando na
china, ou importando de lá ou terceirizando suas produções.

Mas aí eu acho que cabe um discussão: eu tenho um aparelho Motorola, cuja pilha é feita na China para a Motorola, como diz no próprio produto. E aí, a Motorola não tem responsabilidade na qualidade deste produto que sai com seu nome?
Mesmo que a China ainda não tenha prioridade na qualidade e sim na quantidade, não cabe a marca de brinquedos, zelar para que o produto saia com qualidade condizente com a marca e com a confiabilidade conquistada por ela ao longo dos anos?

Por mais que este seja um caminho sem volta e um retrato da globalização, acho que se as leis e nós consumidores exigíssimos mais, esse fabricantes pensariam duas vezes em fazer a mesma coisa que a China: priorizar os custos em detrimento da qualidade. Porque um fabricante que cai de qualidade fabricando na china, está fazendo o mesmo que eles.