sexta-feira, 14 de setembro de 2007

RECURSOS NATURAIS III

Façamos um exercício simples porém revelador do grau a que chegamos como consumidores de recursos.

Vamos tentar contabilizar a variedade de "recursos" que o planeta precisou disponibilizar para que você vivesse um dia da sua vida? Prepare-se para uma grande surpresa!

- Você acorda e faz sua higiene matinal. Considerando um procedimento bem simplificado, você utiliza ÁGUA e dentifrício. Já se deu ao trabalho de ver a composição deste produto? Não? pois saiba que, em média, dezesseis matérias primas entram na composição de uma simples pasta de dentes. E nem falamos da escova e/ou do fio dental! Claro que você não fez isso bucolicamente na margem do riacho! Você usou um banheiro, uma pia...(tudo isso foi construído usando os mais variados materiais de construção!)

- Se você não é um daqueles malucos que sai de casa só com um golezinho de café, certamente irá proceder a um desjejum básico: pão, queijo e/ou presunto (assemelhado); suco e/ou leite e/ou café; fruta e/ou um docinho...
Bem, neste café-da-manhã frugal você simplesmente fez uso dos principais produtos da agropecuária, que por sua vez, para serem produzidos utilizaram aqueles tais minerais de uso industrial (fertilizantes) lembra? além de água, muita água!

- Você sai para trabalhar, estudar ou para realizar qualquer atividade. Vai como? de carro? de transporte coletivo? de bicicleta? Como tudo isso é produzido?

Bem, vou parar por aqui porque você já deve ter percebido onde isso vai dar, não é?
Só para dar uma idéia, uma vez fiz um exercício destes em sala de aula. Um aluno voluntário se ofereceu para que identificássemos nele (considerando tudo o que ele portava, como vestimenta, material escolar, produtos que utilizou - no banho, almoço etc) as matérias primas necessárias para que ele estivesse ali naquele momento.
Acreditem, nós paramos quando já nos aproximávamos de 200 (duzentas)!!!

Onde quero chegar com isso? Será que estou querendo incutir sentimento de culpa por sermos consumistas e perdulários? Estou querendo pregar algum tipo de negação ao mundo moderno?
Em absoluto. Todas estas coisas de que dispomos hoje fazem parte indissociável de nosso mundo e de nossa forma de viver e de sermos felizes.

A questão que quero levantar é a seguinte: Até que ponto consumimos por necessidade e, até mesmo por prazer, e até que ponto consumimos por INDUÇÃO, por PRESSÃO SOCIAL ou por SUGESTIONAMENTO SUBLIMINAR da indústria?
É muito difícil perceber a diferença entre uma coisa e outra, sobretudo quando nos escamoteiam o principal, a informação.

Vou dar um exemplo simples: Quantas escovas de dente você consome por ano? Você troca sua escova quando as cerdas já estão sem condições de uma boa escovação? ou antes disso, porque "alguém" lhe ensinou que as escovas tem que ser trocadas frequentemente porque "acumulam bactérias" que podem ser perigosas para sua saúde? Cá entre nós, isso é MENTIRA! Para que sua escova se tornasse um meio de cultura para bactérias nocivas a você mesmo, você teria que ter hábitos altamente promíscuos (partilhar a escova) e minimamente higiênicos!

Este foi, como eu disse, um exemplo simples e pequenino, mas relevante se considerarmos que, assim como você, mais alguns milhões de pessoas trocam suas escovas antes do tempo que poderiam (o que representa a fabricação de outros tantos milhões de escovas. Sabe quais as matérias primas necessárias?)

Quero aqui encerrar esta série com uma proposta. Que tal encontrarmos no nosso dia-a-dia outros exemplos de desperdício mais sutis e menos óbvios, que, se detectados e corrigidos, podem levar a uma diminuição do nível de consumo supérfluo, com a consequente "poupança" de matérias primas, ou seja, RECURSOS NATURAIS, ou seja ainda: Que tal encararmos seriamente esse negócio de SUSTENTABILIDADE?

__________________________________________________________________________________ Texto de Ivo Fontan

7 comentários:

Ana Cláudia Bessa disse...

Pois é, Ivo.

É isso aí quando te falei que se a gente parar para pensar a gente fica doido com um simples pintar de unhas.

É difícil encarar a sustentabilidade.

Para uma simples coleta seletiva, a gente pena. Eu mesma tenho sérias dúvidas quanto ao destino do eco-posto que uso e vou explicar mais num post que estou preparando.

Na seleção do lixo tem uma série de produtos que sabidamente não são interessantes para a reciclagem, embora possam ser reciclados! E ´por isso, vão parar no lixão.
Exemplo: tampa de iogurte, requeijão, isopor.

Para não levar sacolas para casa, eu já briguei no supermercado pois disseram que eu teria que levar nas sacolas!!!!!!!!!

Num putro post, fui fazer uma receita para usar as cascas de laranja e não jogá-las no lixo: gastei 10 litros dágua...(seguindo a dica da sua sogra, vou ferver da próxima vez, gasto gás, mas poupo bastante água).

Ainda temos muita pedreira para quebrar!

Cristiane A. Fetter disse...

Mas é assim mesmo Ana. No começo a gente se sente muito preocupada com as coisas. Mas até o problema do isopor a gente mesmo pode arrumar a solução.
É quando surgem os problemas que logo atrás vem as soluções.
Faça que nem eu aprendi aqui, não tente quebrar a pedra, tente utilizá-la dentro do seu dia-a-dia.
Eu me sinto como uma criança aprendendo as coisas do mundo. Tem que repetir um monte de vezes até que isso vire hábito.
Ivo, parabéns pelo post. Com as informações que você deixou aqui só facilita o nosso aprendizado.
Abraços

Ivo Fontan disse...

A gente tá aprendendo uns com os outros!

Mercedes disse...

Fantástico esse post Ivo... você foi muito feliz nas colocações. Pensar o consumo pessoal e refletir se é ou não consumismo desnecessário é uma tarefa para todos os dias. É um verdadeiro processo de aprendizado...
Aprendemos uns com os outros e no decorrer desse processo, afinal o resultado final também nos afeta a todos.
Abraço.

Maria de Lurdes disse...

Olá.
Excelente iniciativa, este vosso site. Tento mudar meus hábitos, tenho essencialmente cuidados com o desperdício de água, mas quanto mais me empenho, mais duvidas me surgem. Ao ler este post, por exemplo:então, qual a solução?Porque chega a um momento em que a escova de dentes já não está em condições. Que fazer? E já agora, alguém me sabe dizer em que eco-ponto se colocam as embalagens vazias do dentrífico em pasta?
Abraço

Ivo Fontan disse...

O ponto de trocar as escovas, cara Maria de Lurdes, é quando elas já não cumprem direito sua função, isto é, já não estão mais "escovando" devidamente.
Isso é percebido quando começa a haver deformação , "espalhamento" ou perda de cerdas.
O ponto importante é que as escovas não se tornam "meios de cultura" para bactérias nocivas com tanta facilidade quanto a indústria quer nos fazer crer.
Tive oportunidade de acompanhar alguns testes feitos em um laboratório sério, que constataram crescimento ZERO de bactérias em escovas com mais de UM ANO de uso, porém mantidas pelo usuário em boas condições higiênicas.

Ana Cláudia Bessa disse...

Maria de Lourdes, eu colocaria a embalagem de pasta de dente nos PLÁSTICOS.
ainda não entendo como proceder com embalagens de difícil limpeza, como este caso, como as garrafas de óleo e azeite, por ex.

Quanto ao uso das escovas, para dar "um tapa no visual" delas, eu coloco, de tempos em tempos, de molho, durante a noite em uma solução com água sanitária. Dá uma ótima higinenizada.