domingo, 5 de agosto de 2007

As capivaras e as hortas

Como já devem ter percebido aqueles que costumam acompanhar meus textos, sou extremamente crítico em relação a idéias e atitudes "supostamente" preservacionistas mas que, na verdade, contribuem para difundir conceitos errôneos, afastando a população da causa ambiental ao invés de atraí-la.

Educação ambiental, para mim, pressupõe CONSCIENTIZAÇÃO acima de tudo. Nenhuma Lei, por mais draconiana ou cerceadora, terá o mesmo efeito de uma "boa e honesta explicação" sobre o porque de se fazer ou deixar de se fazer qualquer coisa.

Vou relatar um exemplo real do que estou falando. Aconteceu não faz muito tempo, numa pequena e aprazível cidadezinha de menos de 30mil habitantes, em uma das regiões mais ricas em natureza nativa no Estado do Rio. Não direi o nome por razões que vocês entenderão no final.

Cortada por um curso d’água e diversas áreas de várzea, a cidade abriga diversas espécies típicas desse ecossistema, como CAPIVARAS. Convivendo por gerações com estes animais, a população sempre teve na caça um suprimento extra de carne (diga-se de passagem, deliciosa!). Registre-se que a caça sempre foi praticada em escala doméstica, sem comercialização.

Pois bem, veio a proibição, a fiscalização ostensiva (e bota ostensiva nisso, a ponto de fiscais acamparem por noites à espreita de um flagrante de abate de UMA CAPIVARA).
Instalou-se um "terror" de tal ordem na cidadezinha que ninguém mais "ousou" abater uma capivara.

Bom, não sei se vocês sabem, mas este "adorável" animal convive "numa boa" com o ser humano. Isto significa dizer que eles entram na sua casa, refestelam-se na sua horta, seus vasos de plantas ornamentais, suas latas de lixo etc etc etc.

Também não sei se vocês sabem, mas as capivaras são os animais mais "carrapateiros" que se conhece. Como tal, são os principais vetores da FEBRE MACULOSA, além de transmitirem os carrapatos para os cães e "empestearem" a casa toda.

Não é preciso dizer que, em pouco tempo, ninguém mais conseguia manter uma hortazinha no quintal; não se podia deixar uma porta aberta (nem janela) e o número de infecções por carrapato cresceu com ares de epidemia!

Nada disso sensibilizou as autoridades ambientais. Tentativas de regulamentar a caça foram rechaçadas. A Lei, a Lei!

Sabem o que aconteceu? Um pacto tácito (não documentado) foi feito entre a população e as autoridades locais (municipais) que passaram a fazer "vista grossa" e, "ao arrepio da lei", a caça voltou a ser praticada e todos passaram a ser felizes de novo. Inclusive as capivaras! que continuam serelepes mas ficaram menos "espaçosas", contentando-se com as várzeas e banhados de onde nunca deveriam ter saído!

Bom senso não teria evitado tudo isso?
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Texto de Ivo Fontan

4 comentários:

Ana Cláudia Bessa disse...

Acho que situações como essa sempre podem acontecer visto que,precisamos pegar o caminho errado, algumas vezes, para descobrir que estávamos no caminho certo.

Pena que a lei demora tanto para ser bem direcionada.

Paula -rj disse...

Achei interessante quando você coloca todo o esforço para salva UMA CAPIVARA. Muita gente diria que uma vida animal salva, justifica.
Mas será que hoje em dia esse esforço é realmente produtivo?
Seu texto mostra, para mim, que existe eções megadimensionadas que poderiam ser feitas em mesma escala para coisas , hoje, mais importantes.

Michalis disse...

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Ivo Fontan disse...

Ana, me socorre, explica isso aí em cima para mim!