sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Ainda sobre Brinquedos...

O texto da Renata sobre "Brinquedos de Sucata" me remeteu a uma época já bem longínqua de minha vida, minha infância.

De repente me vi lá com uns seis ou sete anos, sentado no chão, cercado por caixas de papelão de diversos formatos e tamanhos (meu pai tinha uma fabriquinha de fundo de quintal que produzia caixas), dentro, em cima e embaixo das quais eu amontoava "bonequinhos" (miniaturas de personagens disney, distribuídos como prêmios nas tampinhas da coca-cola e soldados e índios de plástico comprados nas lojas de brinquedo para formar o cobiçado "forte apache").

Eu disse "amontoados"?! Mentira. Cada caixinha era um carro, ou barco, ou trem, ou caminhão, ou casa, ou castelo... E nelas os meus bonequinhos eram PERSONAGENS! O índio de plástico azul com um rifle na mão ao lado da Branca de Neve na caixinha amarela faziam o maior sentido, como não? eram "marido e mulher" na sua "casa"!

Isso se chama IMAGINAÇÃO. Isso criança tem de sobra. Esse é o meio mais lúdico, eficaz e gostoso de uma criança estabelecer suas próprias relações com o mundo real e ir "se construindo" como ser social e gregário.

Ainda é assim hoje e será assim sempre. Dê a uma criança um brinquedo eletrônico que se movimente por controle remoto e que se assemelhe em forma e escala a elementos do mundo real e você estará privando esta criança de usar sua própria imaginação. Usar prá que? você já lhe deu pronto!

Quase todo pai ou mãe já experimentou a sensação de frustração de ver seu filhotinho(a) "desprezando" depois de alguns minutos o brinquedo caríssimo e sofisticado, trocando-o por aquela "porcaria velha" que você só não jogou fora ainda porque esqueceu. Já aconteceu com você?

Pois é, aquela "porcaria velha" propicia ao seu filhotinho(a) aquilo que ele mais curte: Usar a imaginação, fantasiar, criar...

Não pensem que aqui vai um libelo contra os brinquedos caros e sofisticados. Adquiri-los para nossos filhos é, também, um exercício de satisfação para nós mesmos. Saber que podemos proporcionar pequenos luxos a nossos filhos traz uma sensação gostosa de sucesso que, em nenhum momento é condenável (a não ser que o façamos por necessidade de ostentação ou afronta a quem não possa). No entanto, é importante termos em mente que o brinquedo simples, aquele que permite à criança dar asas à sua imaginação, é mais do que um brinquedo, uma ferramenta para sua própria "construção" como ser humano.

Da próxima vez que você encontrar aquela "porcaria velha" largada no meio da sala, não pegue e guarde simplesmente, chame seu filhote e, com todo o respeito e cerimônia diga para ele:

- Querido, guarde seu carro na garagem, pois aqui alguém vai acabar batendo nele!

Texto de Ivo Fontan

3 comentários:

Anônimo disse...

Meu filho estuda numa escola cujo enfoque lúdico é descrito exatamente como você mencionou: a informação não deve vir pronta para a criança. Isso inclui até livros! Visto que eles também tem uma informação pronta. A escola tem bonecas sem rosto, por exemplo. Assim as crianças podem imaginar.

Ana Cláudia Bessa disse...

Ivo,

como nos mudamos recententemente, tivemos muuuitas caixas.
Várias delas viraram carro, avião, ônibus. As crianças amaram! Fizeram até um engarrafamento...rs...Pena que não dá para postar as fotos aqui.

Já fiz o boliche com as garrafas de pet, sugeridas pela Renata.

E realmente devo concordar com você: não são os briquedos mais caros que fazem mais sucesso.

Renata disse...

Ivo, fico muito satisfeita em ter dado continuidade ao tema sobre brinquedos. Interessante a sugestão das caixas de papelão, que podem virar carros, casas... O que é mais importante ressaltarmos é o valor que tem o brinquedo construído pela própria criança. Ao construir um brinquedo, a criança concretiza sua imaginação e seus sonhos se tornam realidade. Viva a "velha infância"!!!