quinta-feira, 29 de março de 2007

Economia e Ecologia

Meu nome é Cristiane. Sou brasileira, Carioca, 37 anos, 1 filho de 3 anos e um marido um pouquinho mais velho que isto, morando atualmente nos Estados Unidos, em Paramus no Estado de New Jersey. Podemos considerar que New Jersey está para New York como Niterói está para o Rio de Janeiro.

Adorei o convite da Ana Cláudia de participar deste blog pois a experiência de viver em uma país tão grande e cheio de paradigmas é uma oportunidade única. Viver aqui é ter a chance de estar em uma comunidade aberta a vários povos do mundo e extremamente civilizada, respeitadora de seus deveres e obrigações, consciente, politizada, com alto nível de educação, mas com muitos problemas também.

Mas chega de divagações e vamos ao certo. Neste primeiro post quero falar sobre a economia que fazemos com as embalagens tamanho grande, existentes aqui. Na área onde moro as famílias são grandes com muitos filhos, bem como as casas e carros e apesar disso tudo o americano não gosta de gastar muito tempo fazendo compras tanto pelas distâncias que são grandes quando você não está em um centro, como é o meu caso.

Mas, também devido ao tempo, pois quando temos uma tempestade de neve fica quase impossível sair de casa, as empresas percebendo então esta oportunidade criaram embalagens grandes, que além de economizar tempo, também se economiza dinheiro, pois a diferença chega a quase 50% de uma embalagem "normal". Talvez até por isto os americanos gostem de carros grandes porque realmente é necessário ter um para trazer um pacote tamanho super de papel sanitário, e isto não pode ser encarado como a mania de grandeza dos locais. Para quem chega aqui fica meio espantado e tem uma tendência a criticar este tipo de embalagem, mas com o passar do tempo verifica como o custo de vida é alto e aprende a usar estes truques para economizar.

No Brasil em alguns poucos mercados (mais especificamente no Wal-Mart que é uma rede americana) já podemos encontrar alguns tamanhos destes, mas o mercado brasileiro ainda não o absorveu, talvez até por termos uma economia ainda instável em relação a americana. Seria bom salientar que apesar da economia financeira que se obtem, o ganho para a diminuição do impacto ambiental seja irrelevante.

Na foto que você vê (da esquerda para direita) uma embalagem de papel absorvente, uma de óleo de canola, uma de achocolatado em pó e uma de leite.

Podemos observar que em algumas áreas o povo brasileiro já está bem informado sobre o seu poder de escolha e com isto consegue fazer valer seus direitos e necessidades, mostrando assim que não somos apenas "consumidores" mas donos da decisão. Já é um avanço, mas acredito que ainda tenhamos um longo caminho a trilhar no Brasil, mas esse caminho seria infinitamente mais curto se nós, os "decididores" , fizéssemos a nossa parte ao entrar em contato com as empresas, reclamar, fazer sugestões e claro também elogiar (este retorno é uma forma das empresas saberem que estão no caminho certo ao atender as opiniões do decididor). Tão simples e tão importante é a nossa participação para agilizar este processo.

O brasileiro tem que se ver como o grande ícone de transformação pois todo e qualquer produto e serviço é para ele e, por pior que seja a empresa, ela está ávida em fazê-lo consumir seus produtos.

_________________________________________________________________________________ Cristiane A. Fetter

4 comentários:

Ivo Fontan disse...

Oi Cristiane,
Muito legal seu texto, mas "em se tratando de BRAZIL", tem uns probleminhas...
Vou te contar uma coisa difícil de acreditar:
Eu sou um dos que pensa como você, ou seja, a aquisição de produtos em embalagens maiores (atacado, como chamamos aqui) apresenta um monte de vantagens, dentre as quais o menor impacto ambiental no descarte e a economia(!?)
Bom, sabe porque coloquei esta exclamação e a interrogação aí em cima? É porque na maioria das vezes em que encontro nas lojas - supermercados, principalmente - produtos em embalagens "ditas econômicas", ao fazer as contas constato que o preço unitário não é diferente do da embalagem menor, quando o é é apenas "ridiculamente menor" e, o que é INACREDITÁVEL: Muitas e muitas vezes constatei que o preço (unitário) nas embalagens grandes é SUPERIOR ao varejo!!!!!!
E aí?
Beijos
Ivo Fontan

Ana Cláudia Bessa disse...

Ivo, vc tocou num ponto importantíssimo! Eu ne me lembrei disso: eu também faço as contas e constato o mesmo que vc. quando não há diferença, ou a diferença é ridícula, chego a encontrar preço maior!
A rede Makro (não lembro de que país é), vende 90% para atacado e comerciantes e lá encontro produtos que chegam a ser mais caros que no varejo. Me pergunto se as pessoas que compram lá , não fazem as mesmas conta que eu, ou não vão a mercado varejistas...

Cristiane Fetter disse...

Oi Ivo e Ana, desculpe a demora em responder mas nisto vocês estão cobertos de razão, quando eu morava no Brasil, com exceção das fraldas descartáveis eu também encontrava esta, para mim, discrepância, mas aqui na área em que moro, realmente fazemos uma grande economia. Em alguns mercados existe um setor especial só para estas embalagens de grandes volumes. Aliás somente aqui consegui aprender e entender o que é uma promoção ou desconto. Aqui se a oferta do produto ou serviço não for realmente compensadora o americano não consome. Já até comentei com a Ana da importância que todos de todas as classes dão a um centavo de dólar americano. Como eu disse, temos que lutar muito no Brasil para que este nicho de mercado seja mais trabalhado em nosso dia-a-dia. Aqui o que realmente tem uma grande redução no impacto ambiental é o refil, além de uma grande economia, mas no Brasil eu percebi que esta conciência de utilização de materiais alternativos é bem maior. A Natura é um bom exemplo. Aqui até agora o que vi de forte junto ao público foi levar o consumidor a utilizar bolsas para compras em mercados, feitas com materiais reciclados e que podem ser utilizadas muitas vezes, além da calçada feita de pneus reciclados. Mas o importante é constatar que trabalhos como este que a Ana começou é que irão ajudar a educar nossos compatriotas no sentido de buscarem estas formas de economizar vida. Abraços

Ana Cláudia Bessa disse...

Cris,
A Natura é pioneira e quase unica porque várias empresa que poderia trabalhar com refil , não fazem. fico passada coma quantidade de embalagens de shampoo que eu tenho que jogar fora.
Fiquei muito espantada com as calçadas feitas de sobras de pneu. Aqui a gente vê somente propaganda deste tipo de produto em revistas de jardinagem. nada que seja usado em grande escala. No mercado varejista, é raro encontrar vasos de pneu, por exemplo.