sábado, 28 de julho de 2007

Mais e mais favelas – Parte 1


Grande parte da violência vem das favelas.
Não que as pessoas que lá vivem sejam todas violentas mas é lá que os bandidos nascem, se criam e morrem, depois de ter feito todo o tipo de mal para a nossa sociedade. É lá que o crime organizado se fortalece, se mantém, se esconde e se protege.

Depois das palavras do Ivo, comecei a colecionar algumas matérias de jornal sobre favelas e violência e tenho mais um item a acrescentar :

As maiores doenças de nossa sociedade são as favelas e a corrupção. Sendo que a corrupção vem em primeiro lugar, na minha opinião.

No dia 19 de maio de 2007, saiu a matéria que dizia:
ILEGALIDADE OFICIAL NA ROCINHA – Moradores denunciam que funcionários da prefeitura incentivam crescimento irregular.

Em resumo: Denúncias feitas por líderes comunitários contra o administrador regional da Rocinha e dois engenheiros da prefeitura. Eles além de apoiar e incentivar, ainda ameaçam e constrangem quem tenta impedir.
Segundo o prefeito, o administrador acusa os líderes de fazerem isso na expectativa de ganharem apartamentos no Projeto Rocinha que gera disputa de poder e influência sobre estes pretensos imóveis (especulação imobiliária).

Ou seja, ocupam áreas irregulares para serem retirados para apartamentos. E quem conseguir viabilizar isso, fica mais poderoso e influente na comunidade.
Eles ainda têm documentos mostrando que mesmo ciente das ocupações irregulares, a prefeitura nada fez.

Ou seja, hoje, o que apóia o crescimento da favela é a corrupção e o poder público.
Crescimento hoje que conta com um Empire States, como é chamado o prédio de onze andares contruído irregularmente (claro). Afinal, mesmo com conhecimento da prefeitura (não poderia ser diferente já que é impossível se erguer uma estrutura deste tamanho sem ninguém saber...) foi construído sem licença, sem seguir normas urbanísticas, sem impostos, não tem Habite-se e não foi embargada. Pelo contrário, a prefeitura apenas verificou se o prédio era seguro. Não importa se é ilegal!

Fora a questão ambiental que não foi citada na matéria. Essa favela está crescendo pra onde?



Continua na próxima postagem


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Texto de Ana Cláudia Bessa

12 comentários:

Álvaro disse...

Pela informações no jornal, não só o poder público como as lideranças comunitárias.
Realmente, o grande mal é a corrupção, o pensamento "esperto" , a ganância pelo poder.
Será que isso tem solução?

Ivo Fontan disse...

Ana, vou te prevenir para uma coisa que já aconteceu comigo. Prepare-se para receber críticas.
Criou-se entre nós (lógico que por iniciativa de políticos safados e ONGs - algumas safadas também e outras simplesmente mal informadas) uma espécie de "defesa a qualquer custo" das favelas. A tal ponto que qualquer um que, como nós, aponte este tipo de "doença social" como raiz da criminalidade, seja acusado de estar fazendo pregação fascista contra os FAVELADOS.
Esta tese é tão entranhada entre nós que encontramos defensores ferrenhos muito próximos de nós, entre amigos e parentes.
Confundem extinção de FAVELAS com extinção de FAVELADOS, sem perceber que o que pregamos é exatamente a tão propalada INCLUSÃO SOCIAL, integrando, de fato, os (hoje) favelados (claro que à exceção dos bandidos e oportunistas, dos quais as favelas hoje estão cheias) à sociedade organizada, não-marginal.
Claro que esta utopia acabará com os feudos e bolsões que garantem hoje inúmeras eleições e reeleições e um fluxo de "grana" incalculável para os chamados "programas sociais".
Por isso é que é UTOPIA!

Cristiane A. Fetter disse...

Deixa eu te contar uma que vem bem a calhar com este post. Quando eu morava na Ilha do Governador (RJ) soube da história de uma favela. Resumindo era o seguinte: era um terreno particular que o dono estava construindo um condomínio, mas por um problema burocrático qualquer a prefeitura paralizou as obras. O tempo foi passando e o dono não conseguia resolver o problema. A obra foi invadida e uma favela começou a ser criada ali. O dono morreu e seus familiares continuaram tendando resolver o problema, mas aí a favela já estava enorme e a prefeitura disse que não poderia retirar os moradores de lá, pois teria que pagar indenizações e isso ela não faria. O valor do terreno não foi devolvido a família, a favela não foi retirada, a família já está na terceira geração e acabaram desistindo de qualquer processo.
Hoje a favela tem mais de 500 casas, o que acaba desvalorizando os imóveis de quem mora nas redondezas e paga seus impostos e taxas de forma legal.
Só pode ser descaso e procura por votos, pois quando um governador ou prefeito se dispõe a regularizar estas situações só abre uma porta para que outros casos como este se sucedam.
É muito triste.

Anônimo disse...

É muito estranho para mim ler que favela é sinônimo de violência. Ao mesmo tempo, fui parar para pensar e tirando alguns casos , aqui e acolá, a maioria dos crimes é cometido por pessoas que estão envolvidas com o crime dentro das favelas.
No texto a Ana Cláudia diz que é lá que eles se escondem, e não é?
Vai mandar alguém entrar na favela para achar um bandido?

Onde estão os traficantes?

Mas uma coisa temos que enxergar: O PAN está aí.
Sem nenhum percalço.
Graças A Deus?

Não, graças ao poder público que quando interessa consegue fazer.

Sinal de que há o que ser feito e há como fazer, só falta mesmo, querer.

Ana Cláudia Bessa disse...

Amigos,

minha intenção é puramente mostrar o que venho observando. Cada pessoa que decide morar na favela está dando mais condições do bandido se esconder lá. Morar na favela em muitos casos, não é opção, mas em muitos é. Tem muita gente lá que quer ficar na favela para não pagar impostos.
Tanto é que normalmente as pessoas quando mencionam lugares que são de moradores de baixa renda, logo, informa que não se trata de uma favela: é uma comunidade pobre, não é uma favela.

Como bem disse nosso amigo, onde está o traficante? Na favela.

Logo, está também o crime organizado, o tráfico de drogas, o aliciamento de crianças e jovens, o poder paralelo.

Entendo que o nosso governo fomenta o sentimento de revolta de uma grande parte do povo que vive na miséria e acha mais do que justo, não pagar impostos para estes safados colocarem o dinheiro no bolso.

Mas é assim que mudaremos nossa realidade?

Não estamos fazendo como eles que simplesmente lavam suas mãos e que cada um cuide de si?

Eu penso que resolver a questão das favelas é extremamente difícil, pois urbanizar é uma utopia. Remanejar famílias, dar saneamento básico numa região de tão difícil engenharia, é complicadíssimo.

Mas penso também que duas coisas seriam interessantes de ver:
o governo fiscalizar e impedir o nascimento de novas favelas, coibindo logo nos primeiros barracos (como deu um excelente exemplo, a Cris) e fechar nossas fronteiras ao tráfico de drogas e de armas durante 1 ano. Trabalho ostensivo das forças armadas que já deveriam, há muito, estar defendendo nossas fronteiras dessa que é a NOSSA GUERRA INTERNA.
E punir severamente a polícia, porque corrupção dentro da corporação que foi criada para SERVIR E PROTEGER, deveria, na nossa realidade , ser considerado crime hediondo contra a sociedade.

Queria ver se o tráfico e o poder paralelo sobreviveriam 1 ano sem suprimento.

Cristina disse...

Ana, lembro que nas favelas existem muitas mães, que tb querem o melhor para seus filhos e para a sociedade. Você deve concordar com isso... Por isso, lamento esse teu post, pois me incomodou bastante tua opinião. "Não que as pessoas que lá vivem sejam todas violentas mas é lá que os bandidos nascem, se criam e morrem, depois de ter feito todo o tipo de mal para a nossa sociedade." É mesmo?

Ana Cláudia Bessa disse...

Cristina,
Adorei seu comentário, obrigada por me dar a chance de falarmos mais sobre isso.

Claro que lá existem mães.
Mas quando se fala de mãe se fala de santa?
Toda mãe é boa mãe?

Existem mães ruins em todo lugar. Vide a distinta que jogou a filha recém-nascida na lagoa da Pampulha em BH dentro de um saco plástico.

Não vou questionar o desespero dessa mãe para fazer isso porque não há justificativa. Não é questão de julgar, mas assim como eu não gostaria de morrer sufocada dentro de um saco plástico, não posso imaginar isso para uma criança, e mais ainda para um filho.
MÃe na favela ou fora dela é mãe, que pode ser boa ou ruim.

O bandido que se cria na favela, digo daquele que está inserido no contexto e como não tem outra realidade, acaba entrando na criminalidade. Ou seja, cada pequena criança aliciada é um bandido que nasce, entendeu meu ponto de vista? Culpa da mãe? Pode ser, como pode não ser. Mas a culpa maior é da sociedade. Nós permitimos.

É toda mÃe que protege seu filho do tráfico ou tem mãe que também é bandida? Eu acho que tem. Hoje em dia até mulher grávida se faz de vítima para assaltar as pessoas.

Ou eu estou errada?

Na favela é difícil contruir escola, hospital, dar saneamento, ter delegacia.

Como podemos continuar defendendo as favelas?

Favela não dá dignidade a ninguém.

E ainda propricia o crescimento da criminalidade pois é lá o melhor lugar para um bandido ser encoberto por becos, ruelas, barracos. Um verdadeiro labirinto, dificílimo de transpor.

Conheci muita gente trabalhadora que mora em favela ou "pé de morro" que por muitas vezes não podia subir para suas casas porque o traficante não deixava.

E os tiroteios durante a noite?

E as invasões na casa de qualquer um que more lá, feitas pelos traficantes para se esconderem da polícia?


Por mim, ninguém morava em favela.

Todo mundo merece um lugar limpo, seguro, bonito e livre para viver.

Anônimo disse...

E você acha justo colocar todo mundo no mesmo balaio?
Você acha justo essas pessoas que ganham apenas um sálario mínimo, pagarem ainda impostos para os políticos enfiarem a mão?
Eu entendo quem mora na favela e imagino que não seja uma opção.

Ivo Fontan disse...

Não te avisei, Ana?
Prepare o "costado" para mais porrada!
Tem mais defensor de favela em torno de nós do que poderíamos supor nos nossos piores pesadelos!
É por isso que não acaba. Ao invés, cresce!

Cristina disse...

Ana, entendi seu ponto de vista, e concordo em grande parte. Também gostaria que não existissem favelas e que todas as pessoas pudessem viver nas melhores condições possíveis.
Porém, é preciso medir as palavras. Enquanto o morador da favela for visto como criminoso potencial, não haverá inclusão. É só essa a observação.
E acho que discordar é sempre bom, Ivo, porque, como disse Walter Lippman "onde todos pensam igual, ninguém está pensado".
Então, quando todos se respeitam, o diálogo é o melhor caminho.
Tenho certeza que todos nós temos o mesmo desejo, de transformar a realidade das favelas, e não combatê-las.

Ana Cláudia Bessa disse...

Cristina,

entendo seu ponto de vista. Mas sinceramente, não vejo como tansformar a realidade das favelas.
Digo, a única forma é educando o povo. Porque com educação as pessoas entenderiam o quão nocivo é viver ä margem da sociedade.
Se por um lado é revoltante pagar impostos para políticos inescrupulosos roubarem, por outro é dignificante pagar nossas contas e impostos e poder dar conta de nossas próprias depesas, ou não é?

Sou contra protecionismos como bolsa-família,vale-gás, vale isso, vale aquilo.

Acho que todos deveriam ter condicões dignas de se viver e isso inclui pagar suas contas.
A favela não propricia isso. Ao contrário, estimula o crescimento da parcela "marginalizada" (leia-se, que vive ä margem.).

Favelado não é sinônimo de bandido.
Político não é sinônimo de ladrão.

Mas em ambos os casos, a facilidade da aquisição de uma quantia de dinheiro proporcionalmente inimaginável (que em condições normais não seria possível) torna muito difícil não virar bandido ou corrupto.

Quanto ao comentário do amigo anônimo, acho suas colocações muito simplistas. Não acho que o político ladrão justifique o cidadão sonegador de impostos.
O que eu realmente gostaria de debater é o que pode-se fazer para tornar a favela um bairro (não falo de favela-bairro...esse plano já furou), com toda a infra-estrutura do estado e sem tantas condições favoráveis ao crescimento do crime organizado.

Ivo, eu sei que é complicado falar daquilo que "politicamente" é incorreto falar. Graças ä Deus, deve existir muita gente que pensa que todo pobre não tem que morrer pobre, todo favelado não tem que morrer na favela, todo iletrado não precisa morrer sem estudar.
Caso contrário, o mundo estaria muito pior do que está. Fico até feliz com comentários que geram debate.
Para isso estamos aqui!

Ivo Fontan disse...

Cristina
Estamos diante de um problema de semântica, e não de ideologia.
O último parágrafo do teu comentário diz:
"Tenho certeza que todos nós temos o mesmo desejo, de transformar a realidade das favelas, e não combatê-las".
Perfeito!
"transformar a realidade das favelas" significa, para mim, fazer com que DEIXEM DE SER FAVELAS.
Portanto, entendo isso como COMBATE sim. Combate ao GUETO; ao ESTIGMA; à MARGINALIZAÇÃO.
E não, em hipótese alguma (como, infelizmente grande parte das pessoas insistem em entender) aos FAVELADOS!