sexta-feira, 8 de junho de 2007

BIOCOMBUSTÍVEIS


Embora não sejam nenhuma novidade, os chamados biocombustíveis surgem no cenário energético contemporâneo como um caminho (ou talvez, como muitos consideram, o caminho) para o grande dilema geração de energia x preservação.

Meus modestos conhecimentos de química e minha também modesta capacidade de pensar, tornam claro para mim que, obviamente, a obtenção de energia a partir da queima de matéria prima vegetal, desde que cultivada para esta finalidade, a priori, não representa acréscimo na taxa de CO2 atmosférico, ao contrário da queima dos fósseis, cujo carbono já, há muito, não faz parte do ciclo deste elemento na biosfera - está "estabilizado".

Por este aspecto, vivas ao álcool e aos "biodieseis" (se o plural não é esse acabei de inventar).
Tenho, porém muitas dúvidas quanto ao fato de nosso país estar caminhando na direção de ser o ou um dos maiores produtores de biocombustíveis do planeta. Vejamos:

- Em que medida a agricultura (de produção de alimentos) será impactada com o aumento das áreas destinadas às espécies geradoras dos biocombustíveis (cana, oleaginosas etc). Essa questão é tão complicada que eu já li trabalhos de dois pesquisadores (sérios) que chegam a conclusões opostas: Um garante que as áreas atuais são suficientes desde que agreguem desenvolvimento tecnológico; outro conclui que as áreas hoje plantadas deverão ser du ou triplicadas!?

- Estrategicamente é bom para o Brasil produzir e exportar álcool in natura? Que me responda quem souber: O álcool etílico não é, assim como o petróleo e o gás, uma substância que dá origem a uma "árvore" de subprodutos através de um conjunto de processos que poderíamos chamar de ÁLCOOL-QUÍMICA?

Neste caso, não estaríamos cometendo a imprudência de fornecer a matéria prima para outros países que a processariam e nos enviariam de volta os derivados cheios de "valor agregado"? Vide o nosso minério!

Tenho muitas outras dúvidas, mas vou deixar estas no ar.
Peço a quem tiver qualquer informação que acrescente algum esclarecimento que se manifeste.
E leiam o texto a seguir que é de autor não revelado, mas tenho certeza de que é sério e verdadeiro.
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IVO FONTAN

8 comentários:

Ana Cláudia Bessa disse...

Ivo,
quando moramos no interior de SP, vimos incontáveis vezes as queimadas que se fazem nos canaviais antes da colheita da cana.
A cidade ficava irrespirável. Tinham noites em que era difícil dormir.
Nas estrada, nada se via, tamanha a quantidade de "queimadas".
Eram labaredas assustadoras, imensas, sempre de noite, quando não há "fiscalização".

E agora, vemos a questão do consumo do álccol pelos motores "flex". Baixo rendimento, baixa performance do motor. Isso porquê o motor é regulado para a gasolina, visto que esta regulagem serve para os dois combustíveis(contudo altera o desempenho do álcool). O que já não acontece com a regulagem para o álcool, que não serve para gasolina. Com tudo isso, o valor e o consumo alto acabam não compensando.

Ivo Fontan disse...

Cara Ana
A questão da queima dos canaviais é um problema que já vem sendo superado. Os grandes plantadores utilizam cada vez mais esta prática.
Quanto ao desempenho dos motores é pura questão tecnológica, que também tende a ser resolvida.
O maior benefício na substituição dos combustíveis fósseis pelos "bio" é a questão da sustentabilidade.

Anônimo disse...

Ivo

Eu não sou favorável ao Biodiesel por várias razões:
- Embora a queima do biodiesel não gere os SOx, ela não irá ajudar a acelerar a redução do nível de co2 na atmosfera. Penso que a estabilização dos teores de CO2 nos níveis atuais não seja suficiente e devemos trabalhar para conseguir uma redução no menor espaço de tempo que for possível;
- Conhecendo o nosso país como conhecemos, sabemos que os favorecidos serão os mesmos de sempre. No Globo dessa semana já havia uma reportagem mostrando como os ‘ricos e poderosos’ já estão se movimentando para dominar esse novo mercado;
- O aumento da área plantada para suprir o mercado de biocombustíveis vai, em minha opinião, causar uma redução na área plantada de alimentos e, por conta disso, não tenho a certeza que haverá aumento nos empregos do campo. É provável que haja apenas a migração da mão de obra de uma cultura para outra, com os baixos salários de sempre;
- Com a aplicação de recursos nos biocombustíveis nós deixamos de investir em outras formas de energia, mais limpas, mas de maior custo. É a desculpa ideal para os governantes: “Já estamos investindo o que é possível em tecnologia mais limpa”;
- Eu acredito que uma das melhores alternativas será o Hidrogênio, mas ele ainda é muito caro quando comparado aos combustíveis tradicionais e, o uso do biodiesel ajudará a postegar uma ação efetiva dos governos para viabilizar economicamente seu uso ou de outras formas alternativas de energia, mesmo que através de subsídios.

Ciro

Ivo Fontan disse...

Muito esclarecedor.
Acho que responde várias das indagações que deixei no ar.
Acredito, no entanto, que vivemos uma era onde "limites" foram, estão sendo e serão atingidos em muito pouco tempo. Daí uma necessidade grande de sermos objetivos e pragmáticos nas decisões (não temos tempo de ficar pensando muito, temos que adotar medidas rápidas de "redução de danos", enquanto elaboramos soluções de prazo mais longo).
Por isso, penso que o simples fato de os "bio", em comparação com os "fósseis", NÃO gerarem os SOx, já é alguma vantagem, visto que, se não reduzimos a emissão do CO2, ao menos reduzimos a CHUVA ÁCIDA.
Ou não?

Ivo Fontan disse...

Mais uma coisinha, explorando o meu brilhante amigo:
O que falta para o HIDROGÊNIO se tornar viável? Tempo? Tecnologia? "Vontade Política"?

Valeu muito, amigo Ciro!

RAFAEL FONTAN disse...

oi pai...
não vou entrar nos méritos de qual a melhor alternativa, mas em uma Super Interessante de alguns meses atrás foi levantada essa questão. Seguia por essa mesma linha que vocês vêm discutindo.
Acho que toda alternativa para os combustiveis é valida, mas um grande problema do álcool e de outros similares (biocombustiveis,...) é a quantidade de residuos gerada.
para cada litro de álcool produzido, cerca de outros treze de vinhoto são geradas, com uma carga poluidora (por causa da DBO) elevada. O que seria feito com todo esse residuo?
Outra informaçâo que vem da Bahia: estâo testando um tal de pinhâo manso para produzir biodiesel
DEPOIS CONTO MAIS

um abraço

rafa

Ivo Fontan disse...

Que bom receber seu comentário, filho.
Quanto à questão do vinhoto, pelo que eu sei já existe tecnologia para aproveitamento deste resíduo. Talvez falte ainda conscientização, informação e a tal de "vontade política".
Não deixe de nos contar mais sobre o tal do "pinhão manso". Os leitores do blog agradecem.
Beijos

Ana Cláudia Bessa disse...

Eu ainda nao vejo o álcool como solucáo nem a curto prazo. Nao no Brasil como ele ainda é. Pra mim, solucao curto prazo é tirar os carros das ruas, incentivar o transporte alternativo, aumentar a fiscalizacao sobre os carros visivelmente poluentes, entre outras.
E também quero ouvir o que o Rafael tem a nos contar sobre o tal do "pinhão manso".