quarta-feira, 6 de junho de 2007

Será que adianta? - Cap.1

Dia desses, aconteceu uma situação que me deixa triste, desanimada e descrente dessa nossa sociedade.

Eram mais de 22 horas ao sair do shopping (sem comprar nada que não fosse essencial - temos feito isso com freqüência e acho ótimo (fralda, lenço umedecido e duas caixas de bombons para dar de presente) e ficamos depois do fechamento das lojas para comer alguma coisa nos restaurantes que ainda ficam abertos.
Quando fomos pagar o estacionamento, só havia um caixa aberto. Imagine nós, com duas crianças de colo ( de 12 Kg em média, cada uma), cansadas, tendo que andar pelo shopping procurando onde pagar?

Tivemos que andar o shopping quase todo para encontrar o tal caixa e ao chegarmos lá havia, nada menos que 50 pessoas “pacientemente” na fila. Essas empresas que administram o estacionamento do shopping ganham fortunas e colocam apenas 1 caixa funcionando com uma demanda tão grande?
Óbvio, que reclamei, até porque este mesmo shopping (Via Parque) já vem reduzindo as cabines há tempos.
Imagine uma pessoa idosa, ou ainda uma pessoa idosa que tenha dificuldade de se locomover, ou ainda um deficiente ou uma grávida?

O “responsável” que estava recebendo pagamentos no lugar de um caixa, praticamente me ignorou e ainda disse que o shopping já havia fechado (como que dizendo que eu é que estava errada de ainda estar ali).

E na fila, as pessoas olhavam imóveis enquanto eu reclamava e ninguém falou NADA.
Quando vejo isso acontecer, dou minha solidariedade, e dou meu apoio abertamente à pessoa. Mas ninguém falou nada.

Então minha indignação com o mau atendimento foi dando lugar ao desânimo e ao entendimento de que a sociedade merece o (mau) tratamento que recebe. Porque simplesmente acata.
Estava eu ali “brigando” por um respeito que eu nem precisava...
Então, olhei para o “responsável”, solicitei atendimento prioritário devido as crianças de colo e saímos rapidamente deixando para trás a fila de conformados.
Saí feliz porque poderia ter sido egoísta e me calado, sendo atendida prioritariamente e ido embora.
Briguei pela causa, pela melhoria para todos. Fiz a minha parte.
Mas saí triste porque me pergunto:

====Ser apenas um na multidão em fila, adianta?



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Texto de Ana Cláudia Bessa

6 comentários:

Álvaro Nogueira disse...

Adianta, sim!

Não se deixe desanimar.

Cristiane A. Fetter disse...

Eu também acho que a gente tem que reclamar, nem que seja para evitar um ataque cardíaco, pois estes episódios elevam a pressão sanguinea com certeza. Eu sou como você, sempre reivindico meus direitos. Isto até aconteceu da última vez que fui para o Brasil. O aeroporto cheio, era dezembro, um tumulto danado e a fila enoooooooooooorme, muita criança chorando inclusive o meu e todo mundo quieto. Então fui falar com o responsável pelo embarque para passar na frente e qual nao foi a surpresa de todo mundo quando ele me deixou entrar. Todos os outros passageiros estavam acomodados. Ate pq aqui nos EUA eles nao tem o habito de deixar pessoas com criancas pequenas passarem na frente nao. As pessoas tem é medo de falar, a maioria dos brasileiro entao morre de vergonha de passar vergonha. O maximo que alguém pode nos responder é nao. Eh isso aih Ana, se temos o direito, vamos a ele. Abracos

Ivo Fontan disse...

Ana, sinceramente, eu não acho que adiante nada não. Pelo menos não no sentido de que "nosso exemplo será seguido" ou que "se cada um fizer..." enfim, essas coisas que a gente costuma dizer querendo SE CONVENCER de que é verdade.
Não é verdade não. O fato é que a maioria (esmagadora) se comporta mesmo é como GADO, sendo tangido. E não acredito que isso mude, a não ser para pior, na medida em que aumentamos (demograficamente) e diminuímos (em "qualidade humana" pela ausência total de um projeto EDUCACIONAL de grande escala).
Mas também acho (e tenho certeza) de que gente como eu, você, os amigos aí de cima que opinaram, e outros espalhados por aí, continuarão agindo e reagindo como você diante dessas situações. Não vai mudar nada, repito, mas faz bem à nossa dignidade!
Esperneemos, pois!

Ana Cláudia Bessa disse...

Amigos,

confesso que ainda não sei qual de vocês está correto.

Penso como a Cris e acho que todos devem exercer sua cidadania lutando por seus direitos.
Contudo, não penso nesta luta apenas por necessidade de direito, mas de respeito. E acima das leis, esse é meu intuito maior.

Concordo com o ivo. Não vamos mudar a maioria do mundo que acata. Não vamos mudar o mundo e saber disso impedde uma ´serie de frustrações e anos de análise...rs...

Contudo, não vejo nem a questão da educação resolvendo esta questão. E vou falar disso no Capítulo 2 sobre o assunto porque acredito que essa é uma história de vaáááários capítulos. Eu, pelo menos, tenho muitos a contar.
Infelizmente, acrescento.

Quanto ao Álvaro, acho que adianta e acho que não.

Uma boa prova de que adianta é qu já voltei ao shopping a , mesmo depois das 22 horas, todos os caixas encontravam-se abertos.

Se foi minha reclamação que adiantou?
Não sei.
Espero que não.
Espero que tenham sido várias reclamações além da minha.

Idéia Legal disse...

Gente, não vamos ser pessimistas... As coisas e as pessoas estão mudando para melhor. Eu sou prova disso. Fui criada pelos meus pais, e não culpo eles, para dizer amém à todos e à tudo que falam. Sempre tive medo de reclamar, de reivindicar os meus e os nossos direitos. Nem sabia como fazer isso e no final achava que eu é que estava errada. Ana, sei o que você passou. Como você sabe, mudei de Belo Horizonte, capital de Minas, para Conselheiro Lafaiete. O que mais me chama a atenção aqui é que as pessoas, mais do que em BH, não se preocupam com os outros e com o bom senso. Tive que ir ao banco e me deparei com uma fila imensa. Como sempre, caixas vazios e dois funcionários atendendo uma multidão. Pensei, pensei se valeria a pena enfrentar aquela fila no meio de tantos compromissos que tinha para resolver no dia. Resolvi, tomei meu lugar na fila e aceitei que meu dia terminaria ali. Esperando na fila, no ritmo tartaruga, observei que chegavam pessoas, entulhadas de contas para pagar, que não estavam na fila e que tomavam um lugar lá na frente. Sem entender aquilo e já impaciente com a situação, percebi que as próprias pessoas da fila "guardavam" lugar para outras pessoas que saiam para resolver sei lá o quê. Pois bem, fiquei uma fera e quase explodindo de raiva. Achei um absurdo as pessoas se acharem no direito de reservar uma vaga na fila e das outras, que enfretavam a fila, obedecerem para fazer o papel de bom camarada. Reclamei com as pessoas que estavam na fila e ninguém se quer me apoiou e vingiram que não eram com elas. Realmente, a sensação de estar sozinha no mundo bateu em mim. Depois de mais ou menos 1:40h de espera na fila, desisti e fui resolver outras coisas. Depois, voltei ao banco e ainda estava aberto. A pessoa que, na primeira ida ao banco, estava atrás de mim, já estava para ser chamada. Quando me viu, fez um gesto, me chamando para ficar na frente dela. Achei aquilo engraçado e falei bem alto. Não vou furar fila. Acabei de chegar ao banco e meu lugar é aqui no final. Até quando vamos aceitar esse "Jeitinho Brasileiro"???? Um abraço, Renata Obs: Nossa, ficou muito grande esse comentário, mas espero que sirva de exemplo.

Ana Cláudia Bessa disse...

Renata,

vejo essa situaçao como uma constante principalmente fora dos grandes centros. Em outras cidades menores do Grande Rio também é assim. Fic até difcícil a gente falar alguma coisa pois seremos tratados com repúdia como se estivéssemos falando algo errado e o certo fosse essa falta de respeito e apadrinhamento de lugar na fila.
Depois querem acabar com este comportamento no governo. Prá mim, mais uma prova de que a maioria da populacao, no pode, faria igualzinho.