segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Inversão de valores

Eu não sou de assistir novelas (já fui).

Mas ultimamente por conta da minha mãe que muitas vezes tem estado em minha casa, acabo acompanhando a novela das nove.

Mas o que e chamou a atenção foi uma matéria no jornal de domingo, há vários domingos atrás, falando sobre uma pesquisa feita sobre a repercussão dos vilões da novela.

O resultado foi de larga vantagem para a total inversão de valores.

Todos os personagens inescrupulosos são considerados batalhadores e merecedores de um final feliz pela população pesquisada. Uma total inversão de valores pelo provável simples motivo de que os personagens são carismáticos e charmosos.

É um resultado tão surpreendente que o próprio autor da novela declara que apesar de novela ser uma obra aberta e muito influenciada pela resposta e pela vontade do público, ele manterá os finais “infelizes” para os vilões, afinal, ele "ainda tem senso de ética" .

Nem precisamos falar mais nada.

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Ana Cláudia Bessa
...
Ainda estou digerindo a vitória do Eduardo Paes para prefeito do Rio.
O post acima foi escrito em 21/08/07 e não lembro a que novela se referia, mas acho que ele explica bastante porque um safado como este, como Rosinha Garotinho (que foi eleita em Campos), Maluf, e muito outros ganham eleições no Brasil. Estou arrasada com o futuro do Rio nos próximos 4 anos. Não avançaremos nada porque simplesmente este político é a continuidade de tudo o que mais se abomina na política. É por causa de políticos como ele que a Baía da Guanabara continua poluída, que os presídios continuam recebendo sinais de celulares, a Polícia continua mal paga, mal preparada e as escolas públicas e hospitais caindo aos pedaços.
Eu não moro mais no Rio, mas saímos todos de casa e fomos de verde votar no Gabeira, na esperança de que essa eleição pudesse surpreender e o Eduardo Paes, não ganhar. Mas tinha muito pouca gente de verde na rua... Talvez, não tenha sido anunciado na TV, não vi, só vi na internet. O feriado de hoje, decretado pelo governador, que apóia o Eduardo Paes, também deve ter colaborado bastante. COMO PODE A JUSTIÇA ELEITORAL PERMITIR UM DECRETO DE FERIADO ÀS VÉSPERAS DAS ELEIÇÕES PARA O DIA SEGUINTE UMA ELEIÇÃO???
Estou enojada de ser carioca, de ser brasileira com tanta marucutaia. Teve até uma denúncia envolvendo propaganda ilegal com desvio de merenda escolar. Não entendi direito ainda mas não duvido de nada. Esses políticos tiram doce de criança, mole... e ainda fazem o V de vitória com a outra mão.
Mas é neste momento que a gente entende porque os políticos não querem educação para o povo.

10 comentários:

Fabíola Lucena disse...

Nossos valores realmente andam totalmente alterados. Acho que todos nós, de uma forma ou de outra, precisamos fazer esta reflexão.

Anônimo disse...

Não assisto a novelas mas acho o resultado da pesquisa um reflexo do que vivemos hoje no Brasil: uma país de espertos.

fabio tôrres disse...

Me lembrei deste e-mail que recebi:

Uma psicóloga que assistiu o filme Cazuza
escreveu o seguinte texto:

"Fui ver o filme Cazuza há alguns dias
e me deparei com uma coisa estarrecedora.
As pessoas estão cultivando ídolos errados.

Como podemos cultivar um ídolo como Cazuza?
Concordo que suas letras são muito tocantes,
mas reverenciar um marginal como ele,
é, no mínimo, inadmissível.

Marginal, sim, pois Cazuza foi uma pessoa
que viveu à margem da sociedade,
pelo menos uma sociedade que tentamos construir
(ao menos eu) com conceitos de certo e errado.

No filme, vi um rapaz mimado, filhinho de papai
que nunca precisou trabalhar para conseguir nada,
já tinha tudo nas mãos.
A mãe vivia para satisfazer as suas vontades e loucuras.
O pai preferiu se afastar das suas responsabilidades
e deixou a vida correr solta.

São esses pais que devemos ter como exemplo?

Cazuza só começou a gravar
porque o pai era diretor de uma grande gravadora.
Temos vários talentos
que não são revelados por falta de oportunidade
ou por não terem algum conhecido importante.

Cazuza era um traficante, como sua mãe revela no livro,
admitiu que ele trouxe drogas da Inglaterra,
um verdadeiro criminoso.
Concordo com o juiz Siro Darlan quando ele diz
que a única diferença entre Cazuza e Fernandinho Beira-Mar
é que um nasceu na zona sul e outro não.

Fiquei horrorizada
com o culto que fizeram a esse rapaz,
principalmente por minha filha adolescente ter visto o filme.

Precisei conversar muito
para que ela não começasse a pensar
que usar drogas, participar de bacanais,
beber até cair e outras coisas
fossem certas, já que foi isso que o filme mostrou.

Por que não são feitos filmes de pessoas realmente importantes
que tenham algo de bom para essa juventude já tão transviada?
Será que ser correto não dá Ibope,
não rende bilheteria?

Como no comercial da Fiat, precisamos rever nossos conceitos,
só assim teremos um mundo melhor.

Devo lembrar aos pais que a morte de Cazuza
foi consequência da educação errônea
a que foi submetido.

Será que Cazuza teria morrido do mesmo jeito
se tivesse tido pais que dissessem NÃO quando necessário?
Lembrem-se, dizer NÃO
é a prova mais difícil de amor.

Não deixem seus filhos à revelia
para que não precisem se arrepender mais tarde.
A principal função dos pais é educar.

Não se preocupem em ser amigo de seus filhos.
Eduque-os e mais tarde eles verão
que você foi a pessoa que mais os amou
e foi, é, e sempre será, o seu melhor amigo,
pois amigo não diz SIM sempre."

Karla Christine
Psicóloga Clínica
.

Cristiane A. Fetter disse...

Fabio, concordo em quase tudo que esta psicóloga escreveu, só que a mesma deveria ler o livro Só as mães são felizes" em que a mãe dele conta a história nua e crua.
Admite todos os erros, bem como o pai.E utras coisas que ela disse não estão corretas.
Caso este seja verdadeiro este texto, pois recebemos muita coisa criada por desconhecidos e que colocam nomes de pessoas famosas.
Também acho que o fato dele ter morrido de aids não é seja justificado por ter sido criado de forma errada pelos pais, pois era uma época em que no Brasil nem se conhecia direito sobre a doença, mas concordo que se acaba criando um culto aos valores errados.
Mas será que no caso do filme não seria o valor ao músico que mesmo em toda sua loucura conseguiu fazer poemas bonitos?

Ivo Fontan disse...

Escritores e autores tem um poder nas mãos que, se aliado a talento, os torna quase divinos. Eles CRIAM. E por criarem, fazem o que querem de suas criaturas!
O autor pode "glamurizar" absolutamente qualquer personagem, seja ele um sacerdote ou um "serial killer".
Sempre foi assim só que esse "poder de manipulação", antes da TV, se restringia à literatura ao teatro (mais modernamente também ao cinema). Acontece que que este tipo de público, em tese, possui um certo poder de discernimento para separar ficção de realidade. Além do mais, ler um livro ou ir ao cinema ou ao teatro são atos voluntários que pressupõe a existência deste discernimento. Já ver TV é outra história. Primeiro porque praticamente todos tem acesso a ela. Há que se considerar também que, no Brasil, milhões e milhões de pessoas a têm como sua principal (quando não única) diversão, e que "ela entra pela sua casa a dentro".
Enfim, lembram da minha postagem intitulada "Televisão. Não gostou desliga! Simples assim?".
Pois é, era sobre isso que eu falava...

Ana Cláudia Bessa disse...

Cris,

eu não li o livro do Cazuza. Nós vimos o filme.
Achei louvável que o filme tenha descrito cruamente a personalidade do Cazuza. Até me surpreendeu neste aspecto.
Contudo, a mídia do filme e a própria história, embora narre os fatos verdadeiros e mostre a apatia do pai, a conivência da mãe, ainda pareceu querer cultuar o talentoso e corajoso Cazuza.

Ele era um menino rico, mimado, sem limites, egoísta, irresponsável, folgado e adepto total do sexo, drogas e rock n'roll. E com algum talento que teve uma grande oportunidade. Porque se o pai dele não fosse produtor musical, ele não teria conseguido, afinal, o que ele não gostava era do suor do trabalho!

A sua morte foi meramente consequência da forma como ele a conduziu. Embora, na época a AIDS ainda fosse praticamente desconhecida, a vida dele não poderia terminar em boa coisa.

Se a história dele vale alguma coisa é como um exemplo do que não deve ser seguido.

Cristiane A. Fetter disse...

Ana, eu concordo com você em que isto tenha que ser tomado com um exemplo de conduta errada.
Só acho que os filmes deveriam seguir os livros de um jeito mais real.
Todos os filmes que eu ví baseados em livros foram de alguma forma distorcidos, pois eles dizem que nem sempre é possível levar a história real para a tela, pois ela não vende.
O que eu acho interessante também comentar é que esta mãe que assumiu ter cometido todos os erros possíveis usou este "erro" do filho para fazer algo de bom.
É a histório do inversamente proporcional.
Cultuar sim o artista, não o ser humano cheio de discrepâncias.
Gosto muito das músicas do Cazuza, mas condeno totalmente a vida que ele levou com a anuência dos pais.
Se a vida dele servir para que se pense sobre o certo e o errado, já valeu de alguma coisa.
beijos

Silvia disse...

Tava levando fé no Gabeira... Uma pena, foi por tão pouco, né? :-(

Não sei se ele conseguiria mudar alguma coisa, mas eu digo exatamente o que você disse: com o Eduardo Paes não muda nada. É mais do mesmo. O Rio tava precisando de um novo fôlego, agora são mais quatro anos assim (e, do jeito que o carioca é, talvez sejam mais oito, né?)

Taís Vinha disse...

Eu tb estou digerindo o resultado das eleições. Na minha cidade, os eleitores tb optaram pelo continuísmo. Um aluno meu chegou a se referir a um vereador reeleito dizendo: "Eu sei que o cara é um safado, mas ele ajuda muito a minha empresa e eu preciso pensar nisso." A impressão que tenho é que vivemos num pega para capar. Cada um garante o seu e fazer o que se alguém se der mau por isso? Acho que no fundo, o povão é tão descrente da política, tão descrente que algo possa mudar, que prefere votar em quem sabe que a vida vai continuar na mesma (mesmo que na mesma m@#$%%) a ter que apostar em aguém novo e vai saber o que vai acontecer? É uma pena, mas a verdade é que o povão tá se lixando. Se pudesse tenho certeza que muitos, nem votariam.

Ana Cláudia Bessa disse...

Silvia e Taís....
Será que tem solução?
às vezes acho que o problema é tão grande, tão mais profundo que não consigo ver luz no final do túnel.