sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Filhos prá que? Parte 2

Não ter filhos tem realmente suas vantagens.
E é até ecológico, como disse o professor canadense. Deve ser mesmo, afinal, é menos gente consumindo, desmatando, destruindo, poluindo, corrompendo... Eu mesma penso na locura que fiz ao colocar filhos neste mundo tão caótico.

Mas, como em todos os assuntos, há controvérsias. Afinal, o que será do mundo se todos pensarem assim? Teremos apenas um bando de velhos corruptos e nenhuma nova alma para defender o planeta....rs

Eu não acho que a maternidade me realizou como mulher porque eu sou mulher também por isso e não só por isso. Mas, com certeza, me tornou uma pessoa melhor como só a dedicação incondicional a outro ser humano por nos tornar. Ver e formar um outro ser, além de ser gostoso é divertido porque se não fosse por eles eu não faria careta todos os dias para ouvir uma simples risadinha. Eu não brincaria de correr, nem de jogar bola ou de cantar músicas que cantei na minha velha infância.

Pegar uma criança no colo, que é seu filho, é indescritível. Sentir mexer na barriga, ouvir as primeiras palavras com aquela vozinha tão suave, dar os primeiros passos, levar para a escola, partilhar suas pequenas-grandes conquistas de cada dia e perceber o quanto essa pessoa nos motiva a nos tornamos melhores é inimáginável. Ter um ser tão pequeno e tão frágil mas ao mesmo tempo, tão importante, é algo que não se define em palavras. Eu não saberia mais viver feliz sem qualquer um deles perto de mim.

E na velhice? Tenho certeza que vou preferir ter minha casa cheia de netos do que gozar da solidão e da liberdade de só ter um companheiro dentro de uma casa impecávelmente arrumada. Ví muitos casais sem filhos que na velhice vivem na solidão ou sob a sombra dos netos dos irmãos, olhando com uma pontadinha de dúvida em como teria sido se...

Outro dia, um conhecido falava do vazio de sua vida aos quase 40 anos, que apesar da liberdade da solteirice, não deixava nenhum rastro de realização, nenhuma relação realmente sólida, nenhum filho e a realização profissional se mostrava um grande vazio.

Por isso, apesar de existirem mais de 40 motivos para não se ter filhos, apesar da loucura de mundo em que vivemos, eu adoro já ter escrito um livro, plantado umas árvores e ter tido meus filhos. E teria maia um, mas isso já outra história para um outro post um outro dia.... Fiquei tanto tempo com bebê em casa...rs... que estou sentindo falta. Amo pegar em suas mãozinhas para subir a escada, ouvir um "Budia, mamáe!", fazer cosquinha, cantar musiquinha, dar abraços apertados depois de uma bela corrida que só criança sabe fazer...amo...amo...amooo....

Ter filhos não é facil e exige muita responsabilidade. O fundamental que sinto é que a gente precisa estar disposto genuinamente a encarar essa aventura desconhecida. Preparado a gente sempre está. Mas nem sempre estamos dispostos. Fico feliz que meus pequeninos tenham vindo mais tarde porque me senti uma mãe mais segura em muitos aspectos. E recomendo: filhos, depois dos 30 é bom demais.

Maaaaas


Quer ter filhos? Aproveita prá dormir....rs....


________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

10 comentários:

ana b. disse...

ah, ana!
alguém no outro post escreveu q ter tido filho foi libertador para ela... pra mim foi uma experiência ótima tb!
eu tenho filhos de idades muito distintas (20, 14 e 4 anos) e tb recomendo essa diferença! aqui em casa, é cada um numa fase diferente!!!
e comecei cedo, aos 21.
no início pode ter sido meio difícil, mas como eu NUNCA me arrependi de ter tido filho, ser mãe SEMPRE foi um desejo profundo (eu sabia disso desde muito menina), eu tb recomendo! rs
afinal, hoje, com 41, ter um filho de 20, adulto, falando "de igual pra igual", é uma delícia!!!
ao mm tempo, temos nossa caçula de 4, nosso bbzão!!!
enfim... não dá pra ter regra, né não?
cada-um-cada-um... rs

Ombudsmãe disse...

Que texto lindo! Adorei e me emocionei. Dá vontade de engravidar de novo. Coisa inexplicável mesmo esta tal maternidade...

Um beijão e obrigada pelo texto.

Alexsandra Moreira disse...

Verdade Ana... Tenho dois garotos um de 12 e outro de 10, quando penso nas dificuldades que passei me desanimo e digo que pensaria duas vezes novamente para tê-los. Porém, ao lembrar das coversas que tenho com eles, da preocupação que eles tem comigo, do rostinho deles falando engraçado e errado, da evolução no crescimento... São tantas coisas Ana que concordo com o texto. Very good!

bj

Michelle Müller disse...

Báh Ana eu também não gosto dessa conversa de que a mulher só se realiza se for mãe... pelamordedeus, coitada dessa criança carregar o "fardo" pela realização de outra pessoa! Cresci ouvindo minha mãe dizer isso e nem sei como sai tão diferente dela, encaro a maternidade de maneira bem diversa dessa que comumente escutamos, é sim uma ótima, mas sinceramente eu seria feliz se não fosse mãe de maneira diferente mas seria, as vezes sou até mal interpetada, me perguntam se não amo meu filho e coisa e tal, mas a questão realmente não é essa, eu AMO infinitamente o meu pequeno, mas eu realmente não projeto nele coisas que são pertinentes a ele.
Adorei teu texto e tuas reflexões, é sempre enriquecedor para o exercício diário da maternidade esta troca que encontramos aqui em tuas palavras...
estrelinhas coloridas pra ti...
Mi

Renata disse...

Ah Ana, acho que pra ter filhos sempre estamos preparados e nunca estamos preparados...
COmigo foi assim: depois que tive descobri o quanto estava despreparada e, ao mesmo tempo, o quanto estava comprometida e de peito aberto, pronta pra encarar o desafio.
Quando escuto as pessoas que nao querem ter filhos usarem esse argumento de que o mundo ta horrivel e tal, eu compreendo perfeitamente. E acho louvavel, bem melhor do que ter e nao poder se comprometer (ja li sobre isso na Rosely, sobre as pessoas que querem ter filhos mas nao querem mudar suas vidas, querem ter tempo pra dormir, sair, namorar, se dedicar a careira etc. como antes). Mas sem duvida essa eh uma visao pessismista...pq eles serao os homens de amanha, aqueles que serao capazes de escrever uma historia diferente, alem eh claro, de serem capazes de tornarem seus pais melhores - pelo menos ocmigo isso aconteceu...e esta acontecendo.
beijo
Renata

Ana Cláudia Bessa disse...

Ana, eu sempre senti, desde os os meninos nasceram, que todas as fases, são boas. Eu adorei todas.
Ter recém-nascido em casa é bom, e cada dia que crescem vai ficando diferente e igualmente bom. Não dá para voltar atrás nas fases dos filhos, né? É bom vê-los crescer e ficar independentes.
E eu acho que vou acabar fazendo como você, vai ter uma hora, com filhos já maiores que vou sentir vontade de começar de novo...

Ana Cláudia Bessa disse...

Ah....acho que em outras encarnações fui daquelas mães que tinham filhos de dois em dois anos...rs...

Se desse, se o corpo ajudasse, se o mundo não fosse tão corrido, eu faria. Acho que a maternindade, para mim, foi viciante...

Ombudsmãe é uma palavra perfeita...rs

Não penso nisso, mas gostaria...
deixa eu mudar de assunto...rs...

Ana Cláudia Bessa disse...

Alexsandra, eu fico só imaginando quando os meus estiverem nesta idade. Deve ser demais!!!

Mas que no começo é pauleira, é...rs

Ana Cláudia Bessa disse...

Michelle,

Não tenho noção das mudanças nas mães de hoje porque na internet convivemos com mães com pensamentos diferenciados. Não consigo saber se essa é a realidade da maioria. Mas como você falou, também percebo uma visão bem diferente da maternidade entre minha mãe e eu.

Ana Cláudia Bessa disse...

Pois é, Renata. tem gente que não nasceu mesmo para ter filhos e até acho melhor que tenha esta percepção porque depois que eles nascem, não tem volta.

Ao mesmo tempo, como sabê-lo, tem te-los?..rs...

E concordo com você, é transformador. Ainda bem que os temos!