terça-feira, 28 de outubro de 2008

Hora de dormir

Há muito tempo que eu queria escrever sobre como colocar nossos filhos para dormir. Porque a meu ver, esse é um fator importante da boa relação mãe com filho e mãe com mundo. Porque uma mulher mal dormida, sai de baixo... nem eu me aguento...

Desde que engravidei minha relação com o sono foi gradativamente sendo diminuída...rs... Logo que engravidamos sentimos vontade constante de ir ao banheiro durante a noite, depois que isso passa a gente começa a dormir menos por conta do desconforto que aumenta à medida que a data do parto se aproxima e as idas ao banheiro voltam por conta da bexiga ficar comprimida e dar a sensação de estar cheia em intervalos menores. Costumo dizer que a natureza é sábia e já está nos preparando para o que há por vir...

Não que meus filhos não durmam bem (apesar de que dormir bem é relativo...são fases, tem as boas e as ruins), mas eu tenho sono excessivamente leve e acordo com qualquer suspiro, salvo quando meu cansaço está realmente grande. Minha sorte é que na mesma proporção que meu sono é leve, consigo voltar a dormir rapidamente, sem dificuldades. E o marido? Bem, o marido é como a maoiria, sono pesado... Ele ajuda, mas eu tenho que acordar para acordá-lo...rs...

Mas uma coisa interessante é que sempre tive mais facilidade do que dificuldade em fazer as crianças dormirem. Desde recém-nascidos eu achei que esse quesito foi tranqüilo. Primeiro porque recém-nascidos, eles dormiam quase o dia todo. De noite mamavam de 3/3 horas como de praxe. Exceto no primeiro mês do caçula que ele mamava de hora em hora... Quase pirei!

Depois descobri, meio que instintivamente que sempre que eu fazia um chiado, ele ficavam mais sossegados e dormiam mais rápido. E sempre foi assim... era no xiiii...xiiii....xiiiii...que eu os embalava para dormir. E não é que um pesquisador desses descobriu uma técnica que faz a criança acalmar e dormir chiando perto do ouvidinho delas? Segundo ele, esse chiado dá a sensação de familiaridade com o som que ouviam dentro do útero. E funciona mesmo, gente! Podem fazer que é batata, o chiado acalma e as crianças dorme mais rápido. Sempre achei meio doido e nunca pensei que tivesse embasamento científico...rs..

Outra técnica que uso é a do ventilador ligado. Como moramos numa cidade quente, até no inverno é possível usar desse barulhinho que se parece com um chiado e ainda abafa a maioria dos sons externos, deixando o quarto mais sossegado.

Nunca tivemos regras rígidas para dormir mas uma coisa nunca me preocupei, com sonos fora de hora. Sempre deixei que dormissem sempre que tiveram vontade. E não tem o que pensar: chegou a hora de dormir, é deitar na cama com eles, no escuro total, ligar o ventilador e ficar quieto...independente de terem dormido à tarde ou numa hora incomum durante o dia. Deixo que se mexam à vontade na cama...logo se cansam e pegam no sono. Sempre fiz dessa forma e sempre deu certo. Claro que nem sempre mas foram raras a vezes que demoraram mais para dormir.

E comecei a notar o seguinte: eu tinha que ficar paradinha, e jamais fazer contato visual, ou seja, olho no olho. Caso isso acontecesse, era se preparar para começar tudo de novo. E aí, outro dia, assistindo o programa Super Nanny (que eu nunca tinha assistido) a babá começa a ensinar a fazer os filhos dormirem mais ou menos dessa forma: coloca na cama e fica parada (no caso do programa recomendaram sentada no chão). Se saírem da cama, a gente vai e coloca de novo, sem conversa e sem contato visual. Eu não sentava no chão, sempre deitava na cama com eles mas o resto fazia como ela falava e realmente funciona. Só que, de novo, nunca pensei que isso fosse um procedimento recomendado por especialistas...

E por fim, a melhor descoberta dos últimos tempos: colocar na cama cedo. De 2 meses para cá, dá nove da noite, subo e coloco todo mundo na cama. Isso é ótimo, inclusive para o crescimento pois o hormônio é liberado no sono e quanto mais regrado, melhor. Crianças que dormem cedo, tendem a acordar mais cedo e aproveitar o sol da manhã, brincando, que é essencial pois é neste momento que o hormônio liberado durante o sono é acionado no corpo. Ou algo assim...

Mas não se enganem, nem assim posso dizer que tive noites perfeitamente tranquilas. Fazer dormir era fácil, difícil era manter dormindo. Sou como a maioria das mães, vítima de noites mal dormidas e que se sente saudosa de dormir uma noite inteira sem interrupções. Somente depois do segundo ano do caçula é que passei a ter noites mais completas. Até então os dois se revezavam: quando um dormia tranquilamente o outro acordava várias vezes por noite. Um bem de saúde, ou outro com tosse. Um sem febre, um com febre. Um agitado, outro tranqüilo... E quando conseguia fazer um dormir, o outro acordava. Sempre depois da meia-noite....
Mãe sofre....
________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

8 comentários:

Taís Vinha disse...

Qdo. era marinheira de primeira viagem, uma tia já velhinha me ensinou: o nenê dorme melhor se der um banho bem morninho antes de colocá-lo na cama. Como meu primeiro filho dava muuuuito trabalho para dormir (e dá até hoje) o banhinho era milagroso. Recomendo a todas as mamães. Este assunto do sono é muito interessante e necessário. As crianças mudam da água para o vinho quando dormem bem. Eu tb mudo depois de uma boa noite de sono. Mas acho que nós mães deveríamos ser mais "pais", isto é, ferrar no sono e não acordar a qualquer suspiro. Li em algum lugar que os filhos dormem melhor sob a guarda dos pais do que das mães - porque os pais não acordam com nada e os filhos acabam dormindo bem por falta de opção...rs.

Michelle Müller disse...

Báh Ana...

sono é coisa séria mesmo,, o meu pequeno nunca deu problemas para dormir, dorme a noite toda sem problemas, mas desde que entrou o horário de verão deu uma bagunçada na rotina de horários dele, hoje acordou super tarde porque foi dormir muito tarde... mas temos o ritual aqui que funciona... tem uma historinha na minha cama, depois ele vai para cama dele e faço como tu, para nós é ótimo!
estrelinhas coloridas
Mi

João Carlos disse...

Oi, Ana Cláudia! Nunca lhe ocorreu que as mesmas mudanças hormonais que estimulam a lactação, fazem com que seu sono fique mais leve?... Já os homens não amamentam, né?... (Quem disse que este mundo é "justo"?... :D )

Ana Paula disse...

Ana,

Tb passei por uma fase difícil com relação ao sono do pequeno... mas depois que criei a "rotina do sono", ficou tudo muito fácil...

Às 20h00, eu já começo: levo p/ o banheiro, dou banho, coloco pijama, ele toma o leite, escovamos os dentes, e ele já sabe que é hora de dar boa noite e deitar.

Funciona como mágica, ele deita na cama, puxa alguma conversa comigo, e logo pede p/ que eu o cubra. Aí fecha os olhinhos e dorme a noite toda!!!

Acho que tive muita sorte com ele mesmo, pq até qdo ele era menorzinho, se acordava de noite, era só pegar no colo ou coloca-lo p/ dormir na minha cama comigo, e ele dormia na hora...

Ana Paula disse...

João Carlos,

Seu comentário foi muito interessante... mas, e quanto às mães que adotam?

Suzana Elvas disse...

Oi, Ana;

Uma das coisas que sempre me chocou foi a recomendação de pediatras de deixar o bebê se esgoelar no escuro - "deixa chorar que uma hora ele pára." Conversando com a pediatra das minhas filhas (meu ex-marido sempre brigou comigo porque eu JAMAIS deixei filha minha se esganar até dormir) ela descreveu a seguinte cena:

"Imagina você pequeno, deitado no escuro. Sua mãe morna e carinhosa botou você no berço, saiu do seu campo de visão (bebês, até uma certa idade, não seguem o que lhes sai de perspectiva) e... acabou-se. Você quer ter certeza de que há alguém ali. Então chora. E chora e chora e chora. E ninguém aparece. Você então não é importante. Porque está chorando e urrando naquele escuro assustador e ninguém vem. Então, gradativamente pára de chorar. Engole seu medo e realiza que, afinal, não é assim tão importante para alguém vir quando você chama, não é?"

Depois, conversando com a psicóloga da escola, ela confirmou que é isso mesmo. E que há estudos recentes que apontam que, em alguns casos de bebês/crianças que regurgitam, há indícios que isso é - pasme - nada mais do que anorexia causada por rejeição e baixa auto-estima. Por isso eu, sempre que posso, literalmente IMPLORO às mães que seguem essa prática que não façam mais isso.
Bjs

Ana Paula disse...

Achei um texto muito bonito sobre esse assunto, sempre me leva às lágrimas...



Querida mamãe,

Esta noite acordei estranhando o silêncio. Não havia barulho algum e pensei que o mundo tinha até acabado e você esquecido de mim. Coloquei a boca no trombone e você apareceu. Ainda bem.

Fiquei tão feliz no calor do seu peito que acabei pegando no sono antes de mamar tudo o que precisava. Quando percebi que você ia me colocar no berço, chorei de novo. Mas não tente negar, você estava com pressa para ir dormir outra vez.

Você me deu de mamar novamente, assim, meio apressadinha e depois resolveu trocar a minha fralda. Estava tudo calmo, um silêncio, nós dois juntinhos, tão legal que eu perdi o sono. Você até que foi compreensiva, mas começou a bocejar um pouco e resolveu me fazer dormir. Eu não queria dormir. Talvez eu precisasse de mais dez minutos ou meia hora, mas você estava mesmo decidida a dormir. Foi ficando bem nervosa e até chamou o papai e todos fomos ficando muito irritados. No final das contas, acordei a casa inteira cinco vezes.

Pela manhã, nossa família estava com cara de quem saiu do baile. Acho que estraguei tudo. Imagina, você chegou a dizer para o papai que eu estou com problema de sono. Eu não! Você é que vem me dar de mamar com pressa e daí eu sinto que você não quer mais ficar comigo. Os adultos têm hora certa para tudo, mas eu ainda não entendi essas coisas de relógio e tarefas estafantes que vocês precisam fazer.

Quando meu corpo está com o seu, quero ficar do seu lado sem me separar nunquinha. Do alto dos meus três meses, ainda não descobri direito que você é uma pessoa e que eu sou outra. Um dia eu vou sair por aí, vou telefonar e posso deixá-la doida para saber o que ando fazendo e, então, você vai entender como me sinto agora.

Mas não precisamos dessa guerra, mamãe. Até lá já podemos nos entender, inclusive pelas palavras. Sinto a angústia da separação, pois acabei de passar por essa experiência. Você também, mas vive tudo isso como uma adulta consciente. Eu ainda estou vivendo no inconsciente. Eu não sei nada, tudo é tão novo para mim aqui fora. Mas eu tenho absoluta certeza de que eu vou aprender tudinho o que você me ensinar por seus sentimentos em relação a mim.

Mamãe, você quer um conselho de bebê? Quando eu chorar à noite, não salta logo para o meu quarto desesperada como se o mundo fosse acabar. Espere um pouco, respire profundamente, ouça o meu choro até que ele atinja o seu coração. Sinta seu tempo, realmente acorde e venha me pegar. Me abrace devagar, não acenda a luz, fale bem baixinho e me dê o seu peito para eu mamar.

Depois que eu arrotar, mais um pouco só de paciência pois, nós bebês, somos sensíveis aos sentimentos dos adultos. Se eu sentir que você está com pressa, sou capaz de armar o maior barraco, mas se você esperar o meu segundo suspiro, quando meus olhos ficarem bem fechados, minhas mãos e pernas ficarem bem molenguinhas, aí sim, pode me colocar de volta no berço que eu não acordo antes de sentir fome outra vez.

À medida que você desenvolver sua paciência, mamãe, eu estarei desenvolvendo a minha tranqüilidade e nós não teremos mais noites infernais. Apenas noites de mamãe e bebê, que um dia passam, como tudo na vida.

*Claudia Rodrigues. Jornalista

Ana Cláudia Bessa disse...

Mães- meninas!
Adorei os comentários! Nunca pensei que esse assunto fosse despertar o interesse de vocês, juro! Sei que todas nós passamos por esse dilema mas pensei que ia passar despercebido. mas não passou! Que bom!

Eu tinha esuecido de comentar sobre o banho quentinho, também funciona bem e com fundamento científico, já que a a´gua quente relaxa nossos músculos.

como bem disse a Taís, eu também sinto que n]ao devo levantar a qualquer suspiro deles, mas confesso, tenho que me segurar muito porque minha alma sempre levanta...rs... Mas luto bravamente algumas vezes e fico quieta esperando o choramingo cessar. e nunca demora 5 minutos e todos voltam a dormir tranquilos.

Como a Michele, também esqueci de contar que temos npoites em que o sono acontece na minha cama, depois os levo para as deles. Mas temos mudado isso e estamos fazendo-os dormir em suas próprias camas. Eles aceitaram muito bem, embora algumas vezes mencionem a vontade de dormir na cama dos pais. Uma boa conversa convence do contrário. Sem drama.

Como disse o João Carlos, o mundo realmente não é justo. E nuca pensei na lactação como um desencadear da leveza do sono materno. Mas acho que tem fundamento , sim. embora, acredite que nosso cérebro se condiciona a nova condição, digamos assim. Afinal, agora aquele cérebro sabe que é o cérebro de uma mãe...portanto, acho que pode ser sim, um sintoma altamente psicológico e natural... (na próxima encadernação, já pedi para tirar umas férias e vir numa corpo masculino, peludo e sem celulite...rs)

Ana Paula, eu também acho fácil, mas que esse negócio de termos que levantar para fazê-los dormir novamente acaba com a gente, acaba...rs... Mas é lindo...eu sempre que os pego no colo ( enquanto é possível...rsfico admirando-os e me sentindo, sei lá...uma rainha...rs...rs...rs...)

E Suzana, eu nunca consegui deixá-los chorando. Nunca botei na cama e deixei-os dormir sozinhos....Não consigo. E vejo pelo meu entenado que isso é uma coisa que acontecerá gradativamente com a idade. enquanto isso, vou curtindo essa fase pós-bebê que é tão, tão, tão gostosa e que nunca mais voltará. é cansativo , ás vezes...sim, sem dúvidas, mas vale á pena.