sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Guarda compartilhada


Uma amiga nossa, a Suzana Elvas, fez a sugestão para que falássemos a respeito da guarda compartilhada no caso dos filhos de pais separados. Recentemente, a sanção da nova lei da guarda compartilhada pelo presidente Lula deve criar uma corrida aos tribunais para revisão de sentenças. Contudo, é bom lembrar que, na prática nada muda , pois prevalecerá, como sempre, a proteção da lei ao interesse do que for melhor para a criança.

Não sei se ela vai concordar com o que vou dizer mas como filha de pais separados, eu não acho legal ter duas casas, ficar semana lá, semana cá.
Talvez isso faça parte do meu temperamento mas o fato é que durante os 6 primeiros anos de separação dos meus pais eu vivi bastante essa divisão, já que fiquei também com meu pai. Meus pais se separaram quando eu tinha 4 anos e aos 10, eu decidi ficar morando direto com minha mãe. Meu irmão, que não quis deixar meu pai sozinho, ficou com ele. E nossos pais respeitaram nossas decisões. Embora, a partir de então (eu 10, ele 7 anos) não tenhamos mais morado juntos, somos muito unidos e participamos ativamente da vida um do outro e essa distância não teve interferência negativa nenhuma. Exceto pela saudade (vivemos em estados diferentes) e pela vontade que temos de poder conviver com ele perto de mim almoçando aos domingos com nossas famílias.

Voltando à guarda compartilhada, e pode ser que eu esteja totalmente enganada, não me agrada. Sou filha de pais separados desde que me entendo por gente: não lembro de nada (nem brigas, nem da separação, nem dos meus pais juntos, só por fotos). Mas confesso que ser filha de pais separados numa época que ninguém que eu conhecia era, não era uma situação das mais fáceis. Mais pela sociedade do que pelos meus pais. Nem eu nem meu irmão temos traumas e a gente amadurece. Não é o fim do mundo. Meus pais se casaram novamente e nos deram irmãos do segundo casamento de ambos, logo, tenho 3 irmãos e saber onde era minha casa foi muito importante nesta família incomum da minha época.

Acho que mais importante que guarda compartilhada é haver boa convivência entre os pais. Estou no segundo casamento e meu marido também, só que eu não tive filhos, enquanto ele teve um filho que hoje tem 15 anos. Portanto, posso falar com alguma experiência e penso que depende mais de se ser presente e justo na educação dos filhos do que morar debaixo do mesmo teto. Nunca tratei meus outros irmãos diferente porque só o são por parte de pai ou de mãe. São meus irmãos. Sempre tratei meu enteado como um filho e com respeito à mãe que ele tem, como eu gostaria de ser respeitada. Meu marido é super-presente na vida dele, desde que se separou. E como filha, penso que guarda compartilhada só deve ser válida, na minha opinião, quando pai e mãe convivem harmonicamente e que, tenham, principalmente, bom senso e consciência plena, se isso é,ou não,verdade no seu caso. Portanto, para se chegar nessa decisão, não basta os pais se acertarem: conversem com seu filhos e não pensem que eles não entendem, porque entendem. Eles querem isso, de verdade?

Separar não é fácil, nem é bom e não gostaria que meus filhos vivessem isso porque hoje vejo como é lelgal ter pai e mãe dentro de casa. Na minha infância nunca senti falta porque nunca tive. Na verdade, nunca soube como era. Mas, pra mim, se for inevitável (e muitas vezes a separação é melhor do que forçar uma convivência sem amor e respeito), eu gostaria, como tive, um lugar no mundo que fosse meu. Não gostaria que ficassem me levando de lá prá cá porque eu iria ter duas casas e mesmo assim iria achar que não pertencia a lugar nenhum.
________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

15 comentários:

Ana disse...

Ana Cláudia,

Li bastante sobre esse assunto, pq sou separada e esse assunto me assustou bastante, no começo. Mas agora percebi que, na verdade, essa lei só visa regulamentar situações que já existem. Existem casais separados que se dão muito bem, dividem (de verdade!) a responsabilidade (e isso não inclui só a parte financeira, e sim a presença - física e afetiva - dos pais na vida dos filhos). Nesses casos, essa lei se aplica, na verdade, apenas para "regularizar" essa situação. Também não acho legal ter duas casas, acho inportante o filho ter seu espaço nas duas casas, mas ter consciência de que ele tem UMA casa. Mas, nos casos em que os pais não conseguem decidir, em comum acordo, o destino dos filhos, prevalece o modelo tradicional da guarda, visando os melhores interesses da criança. Acho que isso acontece na maioria dos casos, e infelizmente, não é uma lei que vai mudar o comportamento desses pais que não se esforçam para fazer parte da vida dos filhos...

Ana disse...

Cristiane,

Eu te conheço???


Não estou te reconhecendo, desculpe!

Ana Cláudia Bessa disse...

risos...risos...risos...
Ana é um nome raro, difícil de se ver por aí...risos...
É tanta Ana que causa esse tipo de confusão.
E ainda difícil de escrever. Eu sempre soletro: A-N-A..
huahuahuahua...

Ana, Acho que a Cris tava falando comigo e ao mesmo tempo foi embaixo da sua resposta e esse monte de Ana, já viu...risos

Ana Cláudia Bessa disse...

Agora respondendo:
Ana, eu acho que na maioria dos casos o melhor lugar para os filhos é ao lado da mãe, porque homem, mesmo aquele pai super-presente, tem características diferentes de uma mulher. Mas cada caso é um caso. Não tem jeito. O importante é pensar sempre nas crianças, o que na verdade, tem muita gente que não faz.

Sobre ter espaço nas duas casas, também acho complicado porque meus pais mesmo nunca tiveram condições de manter um quarto só para mim de 15 em 15 dias, quando eu ia. Porque nem sempre dava por causa de provas e compromissos da escola. O importante era ter meu quarto na casa da minha mãe. Na casa do meu pai, eu dormia no quarto do meu irmão e vice-versa quando ele ia na minha mãe.

Suzana Elvas disse...

Oi, Ana Cláudia;

Assino embaixo de tudo que você escreveu.
Bjs

Ana Cláudia Bessa disse...

Cris,

é isso aí.
Não vou dizer que sempre foi um mar de rosas...não...

Nenhuma relação é...
Mas o ruim é quando os pais usam os filhos para fazer chantagem emocional.

Respeitar os filhos e participar da vida deles é fundametal. Não dá para ser perfeito o tempo todo.

E eu tmbém fico muito orgulhosa de ver o cara legal que meu enteado está se tornando. Depois de tantos anos convivendo com ele(são 8 anos), sinto que contribui um pouquinho também. Bem...o pai anda precisando de babador ultimamente...hehehehe

Cristiane A. Fetter disse...

Já que as Anas ficaram confusar estou realocando meu comentário, risos.

Ana Cláudia, você falou tudo.
É a presença constante, a preocupação, é o "estar" ao lado sempre que faz os filhos se sentirem seguros e amados por eles.
Não adianta ter guarda compartilhada e o pais chegarem tarde do trabalho, não terem tempo de compartilhar a vida dos filhos, ou então só saber como tudo está por telefone, aliás isso acontece até com quem não está separado.
Eu sei como seu marido é atuante na vida do filho e você sabe que sou fã incondicional desta atitude dele.
Aqueles que são omissos continuarão assim, seja em termos financeiros ou afetivos.
Mas este é um bom assunto.
Beijocas

Cristiane A. Fetter disse...

ANA CLÁUDIA, ele está certo, o filho é muito gente fina e conseguiu dar a volta por cima de todos os entraves normais de ser filho de pais separados.
Gostcho muitcho du mininu, risos.
Beijocas

Ana disse...

rsrsrsrs

Desculpem a confusão!!!!


Continuando o assunto...

Tenho um exemplo que eu considero guarda compartilhada, e que dá super certo, eu admiro muito e gostaria de ter esse privilégio algum dia. Uma pessoa da minha família se separou da esposa. Eles tem dois filhos, de 09 e 11 anos. Os filhos moram com a mãe, que não trabalha e tem mais tempo disponível. O pai trabalha o dia todo, mas no horário de almoço, vai buscar os filhos na casa da mãe e leva para a escola. À tarde, ele sai do serviço, leva as crianças para a casa dele, eles conversam, fazem a lição, e algumas vezes por semana, jantam com o pai, que depois os leva para a casa da mãe. Não é uma situação imposta pelo juiz, nem pela mãe, foi um desejo que o pai manifestou e os filhos aprovaram. Todos se respeitam e pôe em primeiro lugar a felicidade dos filhos.

Mas, como eu disse, acho que na maioria dos casos o pai não manifesta esse desejo...

João Carlos disse...

@ Ana Cláudia Bessa: (para não haver confusões :D )

Você tocou em um ponto crucial em seu comentário: Mas o ruim é quando os pais usam os filhos para fazer chantagem emocional.

Eu sei que vou passar por uma aporrinhação dessas (minha filha está se separando do marido inútil que jamais sustentou o filho...) E aposto que o tipinho vai usar o meu neto como "moeda de troca"...

No caso de pessoas esclarecidas e de boa vontade, a guarda compartilhada é uma coisa excelente. Mas - reconheçamos... - quantas pessoas "esclarecidas e de boa vontade" você conhece?... (não vale só seu círculo de amizades... eu falo no geral).

Ana disse...

"Mas - reconheçamos... - quantas pessoas "esclarecidas e de boa vontade" você conhece?"

DISSE TUDO!

Ana disse...

Em tempo: "Mas o ruim é quando os pais usam os filhos para fazer chantagem emocional"

Não sei se eu estou sendo "ingênua", mas pelo menos no meu convívio, não conheço mães que se usem desses artifícios. Acho que o divórcio se tornou uma coisa "normal", perdeu o tabu de experiência traumática, e (de novo, pelo menos no meu convívio), acho que as mães (e muitos pais tb, embora não todos), se preocupam muito em como abordar esse assunto com seus filhos...

O problema é que muitos pais não tem a mesma preocupação...

Seminha disse...

Olá =)
Eu tb sou filha de pais separados e sei bem o quanto o relacionamento dos pais abala nossas atitudes qd ficamos adultos. E como tu expôs perfeitamente, o mais importante é o amor, o carinho, nos sentirmos amados e principalmente, não nos sentirmos culpados, pq na maior parte das vezes a criança introjeta a culpa pela separação, por menos que os pais tenham esta intensão.

Um beijo grande amiga. Faz tempo que acompanho teu blog, sou amiga da Carla e conheci teu blog através dela. Teus textos são precisos e inteligentes.

Me visita também qd puderes!http://universogentil.blogspot.com/

Um beijo grande e boa semana pra ti!

Ana Cláudia Bessa disse...

Gente, eu vou falar uma coisa para vocês: separação é muito complicado!

E é muito difícil os pais, mesmo que num momento de desestrutura emocional, não usem os filhos como arma contra o outro. Muitas vezes, até para se defender, porque tem gente que pega muito pesado.

No meio disso temos os filhos.

E por mais que o mundo esteja diferente e ter pais separados seja muito mais comum do que na minha época, os pais, acredito eu, mudaram muito pouco e sinceramente, até pioraram porque hoje as coisas são mais difíceis do que antigamente.

Mas acho que a guarda partilhada tem um lado fundamental que é manter o pai com o direito pátrio que ele perdia ao se separar. Agora não perde e acho que isso pode fazê-los mais participativos. Tem o lado ruim disso porque tem pai que é melhor estar longe.

Mas eu lamento dizer, os justos pagarão pelos injustos como sempre.

Ana disse...

Sinceramente, sou contra a guarda compartilhada.

Por mil motivos!!!

Acho que a parcela de pais participativos, interessados e a parcela de filhos que realmente vão se beneficiar desse projeto não justifica um projeto de lei como esse.