terça-feira, 22 de janeiro de 2008

OS CARANGUEJOS E A CABEÇA D’ÁGUA I

Enquanto escrevia meu último post sobre a Ilha Grande um fato lá acontecido há muitos anos me veio à mente. Foi exatamente no ano em que conheci a Ilha, 1972. Juntamente com três amigos, todos nós na faixa de 18, 19 anos, fomos parar na Ilha Grande. A expressão "fomos parar" é bem apropriada pois realmente lá chegamos nas asas de uma aventura meio louca, do tipo "mochila nas costas" e "vamos ver no que dá". Pois bem, deu no que deu.


Pegamos um barco e fomos para na Ilha Grande. Ainda com o presídio funcionando e sem abertura para o turismo regular. Era véspera de carnaval. Ao chegarmos no povoado do Abrão tivemos a má notícia: Estava proibido, a partir daquele momento (e por todo o carnaval) o acampamento nas praias. Somente poderíamos permanecer caso conhecessemos alguém, algum morador, que nos acolhesse. Caso contrário nem sairíamos do pier, retornaríamos na próxima embarcação. Nesse impasse lembramo-nos de uma pessoa com quem travamos conhecimento no barco. Era um senhor, negro, de idade indefinida, entre os 60 e 80, de cabeça toda branca e um chapéu engraçado.


Muito conversador e simpático ele, em certo momento da viagem, ao saber que estávamos indo à Ilha pela primeira vez, ofereceu o quintal de sua casa para que acampássemos, caso fosse necessário. No desembarque perdemos o contato com ele e esquecemos de perguntar seu nome e onde era sua casa. Diante da situação, lembramos deste fato e procuramos o chefe do posto da polícia militar para informarmos que tínhamos sim onde ficar. Explicamos a situação, mas, sem saber a identidade do nosso potencial anfitrião, o descrevemos para o policial acrescentando sua oferta feita na viagem.


Um tanto desconfiado o policial olhou bem para cada um de nós e disse: Vocês tem certeza de que MADAME SATÃ convidou vocês para acampar na casa dele?!


Assim fomos para com nossa barraca, sob um pé de fruta-pão, no quintal do mais famoso ex-presidiário da história da Ilha. Mas o que tem isso a ver com caranguejos e cabeças d’água?


Saibam no próximo capítulo, quer dizer, post.

Leia a segunda parte deste texto:

http://ofuturodopresente.blogspot.com/2008/01/os-caranguejos-e-cabea-dgua-ii.html
__________________________________________________________________________________ Ivo Fontan

6 comentários:

Só Magui disse...

Madame Satã foi um dos maiores malandros do Rio de Janeiro daqueles de usar navalha nas brigas.Tem livros e filme sobre ele.Eu o conheci pela televisão.
http://somagui.zip.net

Carla Beatriz disse...

Agora fiquei curiosa para ver como continua a história! :-D

Simone Zellner disse...

fiquei curiosa para saber o final dessa história!!!
vi que vc tem links sobre reciclagem, e tantas outras informações aqui no seu blog, a dica aqui da minha cidade é sobre o Câmbio Verde, onde as pessoas trocam seu lixo reciclável por frutas e verduras e agora também a troca é feita com óleo de cozinha usado. http://www.condominiosbrasil.com.br/chamada1.php
beijos

Cristiane Fetter disse...

Eu também estou curiosa, até porque eu conheci a Ilha Grande antes do boom de crescimento que ela sofreu, não foi na época do Ivo, mas foi em 1988 e lá era um paraíso.
Abraços Ivo

Ana Cláudia Bessa disse...

Ivo, eu adoro a natureza, mas nunca fui muito de acampar...rs...
O maridão sempre acampou e quem sabe agora com as crianças ele me leve para vivenciar as experiências maravilhosas que ele conta de sua infãncia!
Por enquanto, acampei uma vez na vida e foi tragi-cômico!
Em duas cenas, fui lambida como um picolé por um dogue-alemão imenso- (desde então fui arrebatada e sonho com o dia que terei um dogue imenso em casa!)
Na hora foi pânico total porque o dogue era bem mais alto do que eu em pé...de quantro era quase do meu tamanho - depois foi engraçado contar a façanha.

E numa outra cena uns maluco-belezas pediram um facão que a gente tinha, emprestado.
Não tivemos como negar e ficamos pensando - até a devolução da "arma" - que ia rolar uma sexta-feira 13 básica com direito a primeira-página de jornal no dia seguinte - ou quando encontrassem os corpos...ahahahaha
Beijos!

Paola Oliveira disse...

Também fiquei curiosa!!
Adoro acampar!