quinta-feira, 1 de maio de 2008

Reagir ou não Reagir?

Perdi a conta das vezes em que ouvi, das mais variadas hierarquias da Segurança Pública, a recomendação de JAMAIS REAGIR a situações de agressão como roubos, assaltos, sequestros...


Além de autoridades, frequentemente as vítimas (que tem a graça de poder falar após o evento) fazem a mesma recomendação.Eu me pergunto: O que diriam aqueles que não sairam vivos (e que não são poucos)? será que eles, sabendo que "morreriam no final" não teriam tentado alguma reação que poderia ter acarretado um desfecho diferente? Quantos perderam (e perdem) a vida por seguir direitinho as recomendações dos "especialistas"?

Médiuns de plantão, por favor, psicografem mensagens desses que se foram para que eles digam se fariam de novo! Fico me perguntando o que acham os bandidos disso? Imaginem o que eles acham? Acho que esse tipo de recomendação, de forma generalizada, é uma canalhice, dado o estado de descontrole social e violência gratuita em que vivemos. Será que a recomendação mais honesta ( e eficaz ) não seria a de "avaliar" a situação e, consequentemente, a viabilidade e as chances de sucesso de uma reação?

Por exemplo:

"Procure manter-se o mais calmo possível; observe, avalie, tente certificar-se de que o agressor está mesmo com "cobertura" ou está sozinho e blefando;

Tente analisar se há mesmo uma arma, se ela é real Considere que, em grande parte dos eventos o agressor está tão ou mais nervoso do que você.

Considere que, por mais violento que ele seja ou queira aparentar que é, ele, provavelmente não é inteligente. Se fosse, certamente não estaria nessa vida que, quase seguramente será encerrada (também violentamente) muito antes dos trinta anos!

"Porque eles (as autoridades) não nos dizem que quanto mais no início do processo reagirmos maiores serão as chances de nos sairmos bem. Quanto mais o tempo passa mais os agressores se assenhoram da situação. Por exemplo, numa abordagem em local público, ao primeiro movimento no sentido de dominá-lo(a), GRITE. Tenha uma reação HISTÉRICA. Isso desconcertará o desgraçado. Não é certo que alguém vá acudi-lo(a), mas é possível. Pode haver algum policial ou alguém mais destemido ou treinado por perto. Vai saber? O bandido também não sabe!

Ouvi isso de um policial novaiorquino que atuou nas áreas mais violentas antes da aplicação da "tolerância zero".
Ele explicava que o momento inicial da agressão, a abordagem, é o momento crucial para o bandido. Ele sabe que tem que "paralisar" a vítima, e o faz utilizando a vantagem do terror que sabe estar causando. Ele sabe também que a partir deste domínio você estará totalmente sob seu controle. Então esta é a melhor hora de "escapar". Porque eles não nos dizem isso?

É claro que há situações em que o domínio é inevitável e a reação, suicídio. O fato é que nem todas as situações tem essa característica, e você não é alertado para isso, mas sim, orientado, como gado, para NÃO REAGIR em nenhuma circunstância. É claro também que se você não tiver auto controle suficiente para uma mínima avaliação, não deve fazer loteria com a sua vida.

Mas o diabo é a generalização! NÃO REAGIR em nenhuma circunstância é o cacete.

Muitos que reagiram morreram!? Sim, mas destes quantos de fato reagiram? (ou causaram esta impressão por um movimento involuntário diante de um desgraçado tão apavorado quanto ele?) Quantos não iriam mesmo ser "apagados" de qualquer forma, de maneira ainda mais cruel?

Estatísticas? onde estão? Quantos dos que não reagiram e morreram teriam sobrevivido? (essa estatística só com os médiuns). Se começarmos a reagir "eles" vão se tornar mais violentos ainda!!! Mais? Será? Ou vão se acovardar? Afinal é isso que eles são COVARDES. De fato há situações e situações. Não sei como eu mesmo agiria, mas o que não consigo engolir é a generalização: NÃO REAGIR em nenhuma circunstância! Não consigo aceitar isso! Não consigo entender (ou não quero acreditar) o que eles pretendem com isso!

Mas não posso deixar de pensar que eles já tentaram até nos desarmar!!!
__________________________________________________________________________________ Ivo Fontan

2 comentários:

Geo disse...

Já estive em situações onde reagi e outras não. Tudo depende da adrenalina do dia e da percepção do perigo. Se o ladrão está armado e vemos, é difícil reagir, mas se estamos em igualdade de reação não há porque acovardar. A reação ao perigo é própria de cada pessoa e não dá pra ser ditada por especialistas.

Ana Cláudia Bessa disse...

É isso aí, Geo. Acho que depende do momento e devemos sim, avaliar a situação. Gritar é sempre uma opção e eu não gritaria "socorro", gritaria o nome de alguém pelo nome: " Sr. Paulo!!! Sr. Paulo, estou aqui, ainda bem que me esperou! ". E bem alto! Acho difícil o bandido ficar para ver quem é. Uma amiga deu uma de surda quando abordaram ela no carro: O quê?ãh? Fala mais alto! - O sinal abriu e ela foi embora...tremendo!

Agora, com arma na cabeça, não dá. E concordo com o Ivo que essa generalização em orientar o cidadão a não reagir é exclusivamente benéfica ao bandido. Eles devem adorar e o estado fica tranquilo porque se i cidadão reage e morre e culpa passa a ser dele. Se reage e sobrevive, vira herói de resistência.
E o Estado fica bonito, dando orientações políticamente corretas e agindo politicamente incorreto.