quarta-feira, 4 de junho de 2008

Como descartar: ISOPOR

Isopor também pode ser reciclado
Fernanda KalafEspecial para o UOL Ciência e Saúde

Ao ouvir falar sobre os danos causados ao ambiente pelo descarte incorreto do poliestireno expandido (EPS), popularmente conhecido como isopor, muita gente até percebe que contribui com a degradação, mas não sabe como evitá-la. Afinal, o isopor está hoje associado a um número cada vez maior de hábitos de consumo: das bandejas de padarias e supermercados às embalagens de proteção e até peças da construção civil.


Segundo a Associação Brasileira do Poliestireno Expandido (Abrapex), foram produzidas 55 mil toneladas do material no Brasil em 2007 e outras 2 mil toneladas foram importadas junto a equipamentos eletrônicos e diferentes bens trazidos do exterior. Mas, ao contrário da crença espalhada no país, o EPS é totalmente reciclável e já existem algumas empresas no Brasil que o reutilizam.


O presidente da Abrapex, Albano Schmidt, conta que metade da produção nacional de isopor é usada na construção civil e fica incorporada à obra, mas o restante poderia ser transformado. "Não temos dados concretos sobre a quantidade de EPS reciclado, mas estimamos que somente 5 mil toneladas recebam o destino adequado", afirma.

O poliestireno expandido (EPS), ou isopor, é totalmente reciclável; algumas empresas já desenvolvem programas com esse fim


Os principais entraves para que o produto não acabe flutuando nos rios, entupindo bocas-de-lobo ou sobrecarregando os aterros sanitários são a falta de conscientização da população - que coloca o material no lixo comum - e as características físicas do isopor - leve e volumoso -, que dificultam seu armazenamento e transporte.


Coleta

Apesar das dificuldades, há quem já esteja trabalhando com o reaproveitamento do isopor. A cooperativa paulistana Coopervivabem começou a recolher e a vender o EPS em janeiro de 2007 e hoje funciona como um ponto de coleta para as outras cooperativas de reciclagem da cidade: ela compra o produto sujo, faz a remoção de fitas adesivas, papéis, grampos e outros materiais e o revende. "Antes o isopor não tinha finalidade nenhuma, ia parar no lixo. Agora, já tem valor comercial que torna a coleta viável", diz Elma de Oliveira Miranda, tesoureira da Coopervivabem.


O valor a que Elma se refere, no entanto, ainda é baixo se comparado com materiais mais caros, como o alumínio ou as garrafas PET. Em São Paulo, o quilo do EPS limpo é de R$ 0,40, R$ 3 a menos do que o quilo do alumínio e R$ 0.80 mais barato do que o quilo do PET. Mesmo assim, Elma e os outros 63 cooperados animam-se com a perspectiva de complementar a renda. No primeiro mês da ação, foram recolhidos 1.523 quilos de isopor. Atualmente, a média é de 4.273 quilos por mês. "Aconselhamos a população a sempre enviar o EPS para a reciclagem. Se o ponto de coleta não tiver um recipiente próprio, é só colocar junto com os plásticos", declara.


Transformação

Depois de limpo, o isopor da Coopervivabem é encaminhado para a Pró-Eco, única recicladora totalmente dedicada ao EPS no Brasil. Há um ano e meio no mercado, a empresa desenvolveu uma tecnologia que retira o oxigênio do material, diminuindo seu volume. "Nos baseamos em uma tecnologia coreana para desenvolver uma máquina portátil, de apenas um metro quadrado, que viabiliza o transporte e o armazenamento do isopor", afirma Daniel Cardoso Fernandes, gerente de produção da empresa. Sem oxigênio, o EPS passa a ser uma massa compacta, que depois é novamente transformada em grãos e encaminhada para a fabricação dos mais diferentes produtos, como rodapés, molduras, porta-retratos, cabides e réguas.


Fernandes explica que a Pró-Eco tem capacidade para processar 600 toneladas de isopor mensalmente, mas que até agora só conseguiu transformar 100 toneladas por mês. Os motivos para a ociosidade da indústria, segundo ele, são a pouca conscientização da população e das empresas geradoras de embalagens de EPS, além da dificuldade logística causada pelo grande volume e pouco peso do produto. "A situação precisa mudar. Nos aterros sanitários, por exemplo, o isopor funciona como um isolante, dificultando a degradação do lixo orgânico e a expulsão dos gases resultantes da decomposição", alerta.


Além do processo feito pela Pró-Eco, existem ainda outras formas de reciclagem mecânica - que reintroduz o material triturado em novas peças de EPS, especialmente em blocos para construção - e de reciclagem química, que dissolve o produto para a fabricação de colas, solventes, solados de calçados e outros.


Parcerias

Outras medidas adotadas para mudar a situação do isopor no pós-consumo são as parcerias fechadas entre a Abrapex e grandes redes varejistas para que cada uma delas funcione como ponto de recebimento do EPS levado pela população. De acordo com Schmidt, a ação ainda é tímida e apenas algumas unidades de marcas conhecidas pela população, como Wal-Mart, Magazine Luiza, Ponto Frio e Casas Bahia, já aderiram ao programa. A associação também vem trabalhando junto a prefeituras que têm coleta seletiva, para conscientizar tanto as administrações quanto a população sobre o destino adequado do isopor.


Para saber onde deixar o EPS na sua cidade ou bairro, entre em contato com a secretaria responsável pela coleta seletiva de sua prefeitura ou com a Abrapex, pelo site http://www.abrapex.com.br/ou pelo e-mail eps@abrapex.com.br . Na cidade de São Paulo, é possível obter informações pelo Alô Limpeza, no telefone 156.


9 comentários:

Silvia disse...

Ana, mas a solução ainda é evitar o isopor, pois há pouco interesse comercial na sua reciclagem, já que grande parte do seu conteúdo é ar. Ocupa muito espaço e uma quantidade enorme gera pouco volume reciclado.

A maioria das cidades que faz coleta seletiva inclui o isopor entre os itens que NÃO podem ser reciclados.

Aqui em casa, quando não tem jeito e vem o isopor, eu guardo, e as bandejas viram "telas" para as crianças fazerem arte. Elas adoram. Pintam com canetinhas ou lápis de cera.

Aliás, a solução ainda é evitar ao máximo o excesso de embalagens, né?

thais disse...

Olá, meu nome é Thais Saito, do blog Vida Verde (blogvidaverde.com.br) da revista Crescer.
Gostaria muito de linkar seu blog. Será que posso?
Obrigada

Lisella disse...

Barbaro seu blog!
adorei!

Ana Cláudia Bessa disse...

É isso, aí, Silvia, concordo com você. Mas precisamos divulgar a informação porque eu que tenho coleta seletiva em casa, não incluia o isopor. A reportagem mostra bens os malefícios do mesmo.
Quando vou ao mercado, sempre pego queijo e frios fatiados na hora e peço paa colocarem em sacos plásticos. Se todo mundo mudar de hábito e somente o isopor inevitável entrar em casa, fica mais fácil. E mesmo ele deve ser encaminhado para a reciclagem.

Só ainda não sei se devemos de fato usar os materiais aparentemente não recicláveis para outros fins: tintas e colas usados em isopor ou pet, por exemplo, inviabilizam a reciclagem dos mesmos. Pelo menos foi a última informação que tive.

Beijos!

Ana Cláudia Bessa disse...

Claro que pode, Thaís!
Aliás, adorei seu blog!
Sensacional, vou linkar aqui também!
Beijos!

Ana Cláudia Bessa disse...

Lisella, adorei seu blog também!
obrigada e venha mais vezes!
Beijos!!!!

Silvia disse...

Ana, mas o intuito é elas fazem, por exemplo, "obras de arte" para dar de presente. Tenho um "quadro" de cachorro aqui no escritório, a Giovanna pôs uns dois no quarto dela, e outro dia fez um para a minha mãe.

Mas não sabia que desenhar no isopor inviabilizava a reciclagem. Até com lápis de cera e caneta hidrocor?

Lola disse...

Concordo com a Silvia, Ana, o melhor é evitar, mas, que bom que novas saídas estão aparecendo... É super legal o que esta empresa está fazendo, assim como esta postagem, divulgando este trabalho!!!
Beijo.

Ana Cláudia Bessa disse...

Silvia, eu tenho que me informar mais para te dizer se lapis de cera e canetinha atrapalham a reciclagem dos materiais. Eu uso o bom senso: se dá eu jogo fora sem usar, se tem utilidade eu uso porque é melhor do que consumir algo desnecessáriamente.

No caso do isopor, o melhor ainda é evitar mesmo!