sábado, 19 de maio de 2007

CORTINA DE FUMAÇA - parte 2

Conforme prometi (ou ameaçei!) aí vai.

Vamos começar com RECICLAGEM.

Quem, em sã consciência, não é contra o absurdo desperdício de matérias primas e o descarte descontrolado de produtos de longo ciclo de degradabilidade na natureza?

Vamos falar do PET, que está na moda. No último ano, mais precisamente, durante as festas natalinas, o que mais se viu, país a fora, foram DECORAÇÕES de ruas, praças etc, à base de artefatos feitos de garrafas PET. Cada uma mais linda do que a outra! A minha cidade - Teresópolis - por exemplo, estava deslumbrante! milhares e milhares de garrafas que poderiam ter sido descartadas e estarem poluindo cursos dágua e provocando enchentes, tiveram destino muito mais nobre. Pergunto: Sabem onde estão hoje boa parte desses criativos e ambientalmente-corretos ornamentos?

NOS LIXÕES!

Trazida pelo neo-ambientalista AL GORE (?!), a "onda" da NEUTRALIZAÇÃO de carbono está correndo o mundo. Simplificando bastante, a idéia é "neutralizar", a partir do plantio de árvores, qualquer atividade que "produza" emissão de GÁS CARBÔNICO. O troço chegou a um nível de insanidade tal que já se multiplicam pelo país "empresas" especializadas em neutralização. Isso vai desde um show de rock até uma viagem (por exemplo, a viagem do Al Gore ao país para divulgar a idéia foi "neutralizada"!).

Me recuso a levar isto a sério, mas só faço umas perguntas a quem leva: Quantas destas árvores plantadas vingam/vingaram/vingarão? Quem controla? Quem contabiliza?
O que significa plantar umas arvores aqui e acolá diante do que vou expor a seguir?

DESMATAMENTO - Vocês sabiam que somente na região de Sete Lagoas, Minas Gerais, operam MAIS DE VINTE SIDERÚRGICAS.

Sabe o que elas produzem? GUSA e AÇO para suprir as necessidades de nossa indústria.

Para fabricar desde o material de construção até todos os eletrodomésticos e bugigangas em geral (Dê uma olhadinha aí em torno de você e tente identificar onde está presente todo esse ferro e aço produzido. Comece pela sua garagem!).

Sabe como se produz esse ferro e aço? com CARVÃO.

Sabe de onde vem esse carvão?

Cerca de 20% vem das "florestas plantadas", leia-se EUCALIPTOS, Os 80% restantes vem da madeira NATIVA.

Tudo LEGAL, com autorização e certificação dos ÓRGÃOS AMBIENTAIS.

A entrada de caminhões transportando esse carvão é ININTERRUPTA, 24 horas por dia!

O CERRADO do Brasil Central está sendo inacreditavelmente engolida por esta horrenda goela comedora de carvão. Tudo isso, repito, com autorização e certificação legal!

Enquanto isso as autoridades ambientais federais, estaduais e municipais, "perseguem" como verdadeiros criminosos, os "monstros ecológicos" que cortam um oiti ou uma goiabeira no quintal de sua casa!
A propósito disso, as autoridades ambientais (federais estaduais e municipais) da minha cidade empreendem uma verdadeira cruzada contra os moradores da zona periférica e distritos (casas, sítios e propriedades rurais), que costumam queimar lixo originário de varredura de folhas secas ou podas.

Alegam e acenam com leis que regem a atividade de QUEIMADAS, desconhecendo, por estupidez ou má fé, que queimada é SUPRESSÃO de vegetação mediante uso de fogo, e não a queima de folhas ou galhos mortos.
A um desses "cruzados" que aterrorizavam um pobre caseiro que queimava um monturo de folhas que não chegava a meio metro cúbico, perguntei: Acaso o prezado fiscal aqui chegou, tão prestimosamente atendendo a denúncias, A PÉ ou de BICICLETA? diante de sua resposta, de que tinha vindo na "viatura" do órgão (uma picape), fui obrigado a informá-lo de que no trajeto da sede do órgão até o local ele, infelizmente, havia jogado no ar, com a queima de seu combustível fóssil, umas duzentas ou trezentas vezes mais gás carbônico do que o "criminoso" caseiro com sua fogueirinha!

Enquanto isso o presidente do País dá uma injeção de prestígio em sua ministra do Meio-Ambiente afirmando, com a "cara mais lavada" que: "Por mim o Ibama acabava"!

Gente, por favor, vamos olhar as coisas como tem que ser olhadas, entender como tem que ser entendidas, levar a sério o que é sério. Se dependermos "desses caras" que estão aí nos comandos, O APOCALIPSE VAI CHEGAR MESMO!
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IVO FONTAN

10 comentários:

Ana Cláudia Bessa disse...

Ivo,

mais uma vez, seu texto nos faz pensar. Outro dia, lendo sobre construções de casas ecologicamente corretas, li que o ideal seria usar esquadrias de metal (janelas e portas).
Lendo seu texto vemos que, no fundo, estamos trocado um mal por outro já que o metal precisa do fogo para ser fundido, logo, do carvão.
E a pergunta de seu outro texto retorna:
O que fazer?

Ivo Fontan disse...

O ideal, minha cara Ana, é usar mais e mais, e cada vez mais, MADEIRA!
De preferência madeira de silvicultura, pois quanto mais MADEIRA utilizarmos como material de construção, mais CARBONO FIXADO teremos, consequentemente, menos CARBONO "no ar" (na forma de CO2).
Por isso, ao invés de hostilizarmos o "pessoal da silvicultura" - principalmente do eucalipto, deveríamos incentivar (claro que com todos os cuidados necessários do ponto de vista ambiental) o desenvolvimento das pesquisas para a melhoria da qualidade desta madeira para uso em mobiliário e material de construção, e não somente como matéria prima para CARVÃO e CELULOSE, como ainda é hoje.
Porém, mesmo neste uso, é muito melhor usar o eucalipto do que DESTRUIR O CERRADO, como estamos fazendo para alimentar aquilo que eu chamei de "horrenda goela comedora de carvão", que são as siderúrgicas.
Como eu sempre digo, a gente é muito mal informado sobre a realidade nestas questões de sustentabilidade, por isso, frequentemente somos induzidos a trocar "seis por meia dúzia"

Henrique Oliveira disse...

Ivo, você tem um pensamento muito contundente e respeitável quando indaga sob a neutralização de carbono. Não adianta somente plantar árvores e largar, sem saber se vingarão e no caso de não vingar, emitirão metano em seu processo de decomposição.

Gostei muito quando vc diz que precisamos enaltecer os silvicutores, usar madeira na construção civil, industria moveleira e infra-estrutura rural (postes, cercas...).

Sou silvicultor e estou desenvolvendo a neutralização de carbono por meio de florestas plantadas com estes fins que disse acima, sem devolver o carbono p atmosfera.

Veja o meu site ainda em construção e apreciaria seu comentário sobre este projeto.
http://reciclecarbono.tempsite.ws

Penso que minha iniciativa irá contribuir muito com o meio-ambiente.
abs e aguardo sua preciosa opinião.

Henrique Oliveira

Paulo José disse...

O que é silvicultura?

Silvia D. Schiros disse...

Ivo, concordo que as práticas do governo não são nada sustentáveis, muito menos louváveis. Falta senso crítico, como no caso do tal fiscal que você apresentou como exemplo.

Mas o tal caseiro não deixa de estar errado (o fato de o fiscal estar *mais* errado não anula o erro de quem queima seu próprio lixo, na minha humilde opinião). Minha sogra tem um vizinho de muro que SEMPRE queima o lixo. É horrível, polui, sim, fica um cheiro insuportável e causa dificuldades para respirar. Polui o nosso pulmão. Se juntar cada carinha que resolve queimar o lixo no quintal, vamos ter umas boas toneladas de emissão de carbono.

Como eu já disse em outra mensagem, reduzir é a primeira palavra de ordem. Não é fácil, não mesmo. Requer conscientização, e conscientização, por sua vez, requer educação básica. Mesmo os mais abastados não têm a formação necessária para a formação dessa consciência.

Não sei qual a solução, mas sei que precisamos ter sempre consciência do NOSSO papel nisso tudo e procurar fazer o que estiver ao nossos alcance. Eu faço tudo que poderia ser feito? Não, mas eu tenho procurado encontrar pequenas formas de mudar meus hábitos.

Silvia D. Schiros disse...

Ah, sim: queria acrescentar que o fato de cada um fazer a sua partezinha não resolve o problema das grandes indústrias altamente poluidoras. Mas, olha, eu acho que esse é um caso de mudança de baixo para cima. Se conseguirmos formar cidadãos mais conscientes dos seus deveres e direitos, eles passarão a exigir que os "grandes" também façam a sua parte. Até porque esses "grandes" serão compostos por vários indivíduos que têm uma consciência ambiental, social etc. mais aguçada.

Ivo Fontan disse...

Ana Cláudia, aconteceu de novo!
Mandei um comentário que não apareceu. Vou escrever de novo.

Respondendo a cada um:
HENRIQUE - Agradeço muito. Vou visitar seu site ainda hoje, com muita expectativa.
PAULO JOSÉ - Silvicultura é o nome que se dá ao conjunto de ações que incluem manejo, exploração e cultura de espécies FLORESTAIS para fins econômicos. Por exemplo o plantio de eucaliptos para obtenção de celulose, papel, carvão etc.
SILVIA - Suas observações são muito importantes e merecem uma resposta mais elaborada. Farei na forma de uma nova postagem, até para compartilhar com todos.

Obrigado a todos

Ana Cláudia Bessa disse...

Que meleca, Ivo.
Sinceramente, nunca me aconteceu. Vamos ver se há mais reclamações porque eu nem sei como começar a resolver isso. Como dica, antes de enviar o comentário dê control+C, assim vc só cola se o comentário "sumir".

Eu concordo com a Silvia no que se refere ao incômodo que causa aos vizinhos. Eu moro num prédio cercado de terrenos e fico atenta aos "limpadores" que eventualmente aparecem. Caso contrário, eles tacam fogo e a gente não consegue respirar dentro de casa. Ou então ficamos abafados, no calor com todas a janelas fechadas. Fora a sujeira que faz com a fuligem e o vento.
Quanto á poluição também concordo quando a Silvia diz que ações individuais, mesmo que insignificantes, podem se transformar em ações significantes e coletivas.
Contudo, há que se observar que em camadas sociais superiores não há conscietização! Pelo contrário, quanto mais se tem, mais em si mesmo se pensa!
Nas camadas inferiores, não há educação básica. Portanto, acho difícil que a maioria dos caseiros tenham essa conciência ambiental e esse altruísmo individual.
Mas que vale à pena, vale, caso contrário, não estaríamos aqui, tentando esse trabalho de formiguinha no blog.
Bjs.

Anônimo disse...

Ué? pensar na sujeira que faz e no incomodo que causa não é pensar em si mesmo?

Ana Cláudia Bessa disse...

Sim e não.
Eu não moro em casa e os terrenos aos quais me refiro, não estão habitados. A queima deste lixo trará transtornos aos que vivem no local. Os donos dos terrenos desocupados estarão em suas casas sem respirar fumaça.

Não tenho conhecimentos ainda suficientes para provar qual a melhor saída.
Mas conto com nossas discussões aqui no blog para que possamos chegar a encontrar algumas soluções menos agressivas ao meio ambiente. Porque até agora, não encontrei nenhuma que consiga ser 100% ecológica.