sexta-feira, 11 de maio de 2007

O QUE FAZER?

É público e notório que o presidente do Brasil, com toda a finesse que Deus lhe deu, tem promovido uma verdadeira fritura de sua ministra do Meio Ambiente.
Todo brasileiro preocupado com questões ambientais deve estar acompanhando a "queda-de-braço" travada entre o governo e o Ibama por causa do licenciamento das hidrelétricas no Rio Madeira, dentre outras.

Ontem assisti, entre constrangido e preocupado, à raivosa e grosseira manifestação do presidente sobre essa questão, inclusive dizento textualmente que "ou construímos hidrelétricas ou usinas nucleares".
A afirmação me chocou, principalmente pelo tom grosseiro, totalmente inadequado a um chefe de estado. Mas...

Pondo de lado toda a minha reserva em relação ao Lula-presidente (e eu tenho mesmo, não escondo) eu parei para pensar sobre o assunto e fiquei, como dizem meus jovens alunos, bolado!
Descontando os termos e o tom, ele tem alguma razão. Como conciliar a demanda por energia, requerida por um país que precisa "crescer" (de acordo com os paradigmas capitalistas/globalizantes vigentes) com a necessária preservação ambiental?
Essa equação não fecha!

Crescer, no âmbito destes tais paradigmas, significa produzir-consumir, produzir-consumir, produzir-consumir...
Para isso a energia é o principal fator. Energia em abundância, barata e accessível.
Por mais que sonhemos e busquemos formas de geração de energia a um "preço ambiental" reduzido, SABEMOS que TODAS as alternativas até hoje apresentadas (eólica, solar, tidal - este é o nomezinho técnico para a energia maré-motriz - etc) não são viáveis senão para situações específicas, pontuais e de pequena escala.

O que fazer?

Podemos pura e simplesmente "dar uma banana" para o resto do mundo e buscarmos um caminho "sustentável" só nosso, cortando laços com o capitalismo global? Claro que não. É suicídio! Somos quase 200 milhões de seres que precisam comer, trabalhar, vestir, interagir... Não somos uma ilhota caribenha que possa se dar ao luxo de viver "desconectada" (mas nem tanto!) do resto do mundo, ou de boa parte dele, e mesmo assim sobreviver.
Em nossa escala qualquer "marola" econômica significa desastre, catástrofe, para dezenas de milhões de pessoas.
O que fazer?

Paramos de crescer (no sentido demográfico)? Como se faz isso sem tirania e despotismo (ou mesmo genocídio?) Paramos de consumir? Nem pensar, pois explodiríamos (ou implodiríamos, sei lá) o sistema produtivo, o que significa DESASTRE. Paramos de produzir? Nem pensar, pois desequilibraríamos a economia na direção da inflação sem controle e... DESASTRE.
O que fazer?
Precisamos muito, e cada vez mais, de energia. E aí? transitamos entre a queima de combustíveis fósseis, com o conhecido preço na forma de aquecimento global; a construção de hidrelétricas, com o preço do impacto ambiental que já sabemos; a construção de usinas nucleares, com o risco e o passivo idem idem?
O que fazer?

Não sei. Só sei que a solução para esta equação, se houver, só poderá ser dada com muita, muita, muita conversa, muita serenidade, muita inteligência, muita tolerância, muito bom senso, muita entrega, muita união, muito respeito e, sobretudo, muita humildade para reconhecermos que nenhum de nós, nenhum grupo, nenhuma classe, nenhuma entidade, i s o l a d a m e n t e, terá a resposta.

Temos todos que sentar à mesma mesa e nos ouvirmos, TODOS. Inclusive o IBAMA. Não será deixando a Dilma esfacelar o IBAMA que chegaremos a lugar algum!

Leia o Manifesto abaixo

_____________________________________________________
IVO FONTAN

5 comentários:

Zilda disse...

A sociedade precisa se mobilizar urgente.

Ana Cláudia Bessa disse...

Concordo, Zilda.
Temos que nos informar e como membros da sociedade nos mobilizar por aquilo que será o melhor para todos. Porque parece, como já sabemos, que o bem comum é a última prioridade da política brasileira.

Paula disse...

Olás, tô atrasada, mas comentando... Será que vai valer o antes tarde do que nunca?
Bem, sobre o tema. Concordo com todos os questionamentos, mas ainda tenho fé nas alternativas, ainda que pontuais, precisaram ser mais usadas.
Tb acho que uma coisa que precisaria ser mais pesquisada é como armazenar a energia por muuuuuito tempo, grande problema hoje certo? "Produzimos" a energia e temos que usá-la imediatamente. Será que não seria viável tb pensarmos em formas de armazenar e conservar? Afinal toda energia que chega na terra todo dia com o sol, imagina se pudéssemos armazêná-la e transportá-la melhor?
Bjoks
Parabéns a todos pela iniciativa!!
Paula dos Léos
Campinas - SP

Ana Cláudia Bessa disse...

Paula,

a participação é benvinda e nunca atrasada. O post está aí para ser comentado a qualquer tempo. obrigada por deixar sua opinião.
Concordo com você que este é um dos grandes desafio do futuro. Espero que também se descubra uma maneira sustentável de fazer isso...
rs
Bjs!

tania mara disse...

Vocês viram as palavras mais comedidas do presidente na sua entrevista coletiva?
Acho que ele já está mudando de estratégia já que detonar o meio ambiente em prol do PAC não vai ser nada positivo no seu "currículo".