sexta-feira, 18 de abril de 2008

Blogagem coletiva contra o Analfabetismo

Em 2003, eu estava morando no interior de SP, numa cidade de 100 mil habitantes. Lá eu fiquei morando e trabalhando no Rio durante 6 meses, o que foi uma loucura. Morava lá de sexta a segunda e trabalhava no Rio de terça a quinta. E minha vida se resumia a isso: fazer e desfazer mala, trabalhar e andar de avião. Vendo que essa situação não daria certo, pedi pra sair e comecei a fazer trabalho freela por lá em e em SP-capital e cursos.

Como a cidade que eu morava era muito pequena, fui fazer um curso no Sebrae da cidade vizinha, até porque na minha cidade não tinha posto do Sebrae. Fiz o curso e mantive contato com as pessoas de lá e mostrando que o Sebrae fazia falta por lá.

Com isso, o Sebrae acabou trazendo o curso para a minha cidade, abriu um posto e me convidou para participar de um seminário de políticas públicas na cidade, chamado IDEAL. Topei, claro.

Numa das atividades de conclusão do seminário, precisávamos criar um projeto de política pública para melhoria da cidade e eu e meu grupo focamos no ANALFABETISMO. Como o curso era de políticas públicas, as pessoas convidadas, exceto eu e alguns poucos empresários, eram envolvidas com a política pública da cidade (servidores de diversos órgãos, funcionários da prefeitura, secretários, etc). Fizemos um projeto lindo com a participação de uma educadora da cidade com o intuito de realmente implantá-lo (como era o objetivo do seminário – todos os projetos precisavam ser necessários e viáveis a pontos de tentarmos implantá-los). Mas ele não foi implantado porque o município não tinha crianças fora da escola e tinha apenas 5% de analfabetismo e como esse número era muito pequeno, existiam outras prioridades.

Eu penso que uma das maiores exclusões sociais primárias, é o analfabetismo. Você consegue imaginar a vida sem saber ler e escrever? Como é dependente e fragilizada uma pessoa que não lê e escreve? Pra mim, é um cego social. Pois a cidade em que eu morava tinha 5.000 analfabetos e esse foi um número pequeno demais para darmos prosseguimento ao projeto.

Acabou que no final do ano recebemos a proposta de voltar para o Rio de Janeiro e eu ainda tenho aqui o projeto guardado em algum lugar dos meus arquivos e do meu coração. Todo mundo devia ter o direito a saber ler e escrever, todo mundo. Sem isso, não há justiça social e igualdade para todos!

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Ana Cláudia Bessa

2 comentários:

Carolina Coelho disse...

Olá Ana Cláudia.
Tenho uma surpresinha pra você no meu blog... Sei que você não me conhece, mas sempre passo por aqui e leio seus textos. Assim que possível, dá uma passadinha lá pra pegar sua surpresa. Beijocas.

Cristiane Fetter disse...

Guardado mas nao esquecido.
Beijocas