segunda-feira, 28 de abril de 2008

Mais Isabella...

Sábado saiu no jornal que o pai de Isabella e sua esposa não iriam comparecer à reconstituição do crime por orientação tática da defesa. E, agora muita gente deve ter a certeza de que o casal tem alguma coisa a esconder.


Eu ainda prefiro e quero acreditar que ainda existe um assassino solto por aí, que há uma terceira pessoa e que a raça humana ainda não está completamente perdida. Porque, se um pai, instruído e classe média(ou seja, não é ignorante nem está passando necessidades graves) e sem nenhuma droga ou comprometimento mental, sem razão aparente, mesmo pensando que a filha está morta a joga pela janela do sexto andar de um edifício, a humanidade está perdida. Se uma “madrasta” (essa palavra é pejorativa demais, prefiro como se fala em inglês: stepmother), que tem dois filhos, sendo um de colo, é capaz de matar a enteada (independente do motivo) de apenas 6 anos, esganada, nosso mundo está perdido. Se um avô e uma tia são capazes de entrar no apartamento do filho/irmão para encobrir provas que o incriminam de ter matado a própria neta/sobrinha, isso é uma família ganster e nossa humanidade está perdida.

E vou ser sincera, se sou culpada e tenho o direito de comparecer, não compareceria.
Mas...se fosse inocente...talvez eu também não comparecesse!

Se sou inocente, tenho dois filhos para criar e percebo uma ânsia e até uma sede em se achar um culpado e se este culpado for o pai e a “madastra”, a coisa fica mais maquiavélica e interessante, eu confesso: iria pensar duas vezes antes de comparecer a uma reconstituição de um crime que não cometi. Mesmo sob argumentos de que “quem não deve não teme”.
Já está mais do que provado (prá mim) que a polícia meteu os pés pelas mãos em vários aspectos. Eu mesma já tive a casa assaltada e simplesmente a atitude policial foi um fiasco. Então, meus amigos, eu não ponho minha vida nas mãos da Polícia.
E não atiro pedras na direção desse casal.

Claro que tenho minhas próprias opiniões e sentimentos. Essa trágica morte virou um circo. Acho este caso muito esquisito em todos os aspectos: pela forma que a menina foi assassinada, pelo comportamento do pai e da esposa e também da mãe da menina. Não sei se são os novos tempos, mas ver uma mãe que recentemente perdeu uma filha fazendo uma comunidade no Orkut para a filha assassinada e logo depois da tragédia já aparece com camiseta com foto (que foram inlusive distribuidas pela família), sempre maquiada e bem penteada em tudo que é evento religioso tirando foto com as pessoas como se fosse celebridade, é algo que me causa uma estranheza tão profunda quanto ver o pai rindo na entrevista do Fantástico. Mas numa situação dessa, ninguém pode ficar normal, mesmo. E é muito complicado julgar.

Se eu perco um filho desta forma, estaria tão abalada que nem sei dizer.

Mas isso, sou eu, e isso não me dá o direito de achar que alguém é culpado de um crime só porque age e pensa diferente de mim. E continuo rogando aos céus que aconteça um milagre e apareça uma evidência, uma pista que seja, que leve a uma terceira pessoa e que esta seja comprovadamente o assassino e que merece apodrecer na cadeia por ter tido coragem de praticar um ato tão cruel e covarde.
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Ana Cláudia Bessa

5 comentários:

Lívia disse...

Oi, Cláudia.

Cheguei no Brasil dia 18 e me asustei com o circo, como você mesmo chama, que estão fazendo sobre esse caso. Mais do que impressionante, é revoltante.

Infelizmente, na maioria dos casos como esse os culpados são sim os familiares. As estatísticas comprovam, é o "normal". Mas não entendo porque num país com tanta violência doméstica, esse caso ganhou tanto destaque. Não quero ser insensível, acho uma tristeza tudo que aconteceu, mas como eu disse antes, não é algo raro. Mas de repente parece que acabou a dengue no Rio de Janeiro, que a acusada de torturar uma criança em Goiás (acho) também desapareceu, tudo deixou de existir...

beijos

Ana Cláudia Bessa disse...

Lívia, você está corretíssima. Eu também pensei nisso e devia ter expressado esta questão da normalidade dessas ocorrências dentro da família. Acho que o que choca é ser uma família aparentemente normal e financeiramente "adequada", digamos assim. Já que a classe média no Brasil é falida e todo mundo sabe disso. Mas há identificação de que poderia ser uma colguinha de escola de um filho nosso, assim, ao lado da gente. E isso gera a comoção.

Contudo, a maioria quer é "sangue" e estão doidos prá que a coisa termine como o caso Richtoffen(não lembro como se escreve), em que a filha mata cruelmente os pais junto com o namorado. O povo quer isso e a imprensa quer vender manchete, e isso vende.

Sempre penso no que pensam as outras pessoas que sofrem a mesma violência e não tem tanta investigação como o caso da Isabella.

E por conta disso, esquece-se como você falou da menina que foi torturada recentemente, das meninas que ficaram presas com homens sob a tutela da "polícia e da justiça", etc...

Virou circo mesmo.

Alexsandra Moreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alexsandra Moreira disse...

Concordo com vc Ana...
Ainda prefiro acreditar que existe uma terceira pessoa a solta por ai...
Muito sensata vc.

bjao

Geo disse...

Ana, vc agora descreveu meu sentimento sobre o caso. Tudo o que penso está aí. Também tenho esperança que apareça um bicho-papão e assuma o assinato.