terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A Escolha da Escola - parte 2


Hoje em dia, as crianças costumam entrar na escola de Educação Infantil aos dois ou três anos de idade. Algumas pessoas, quando vêem uma preocupação mais profunda dos pais na busca por uma escola legal, dizem: "Ah, não exagera, a criança vai pra escola só pra brincar!" Bem, em termos. As brincadeiras e a forma como elas são apresentadas às crianças têm um papel fundamental na formação básica dos pequenos. A escola tem que ser divertida, sim, e tem que apresentar os conceitos de forma lúdica e estimulante. E a equipe tem que conhecer a fundo os estágios de desenvolvimento infantil para saber de que forma vai estimular o aprendizado.

Na minha opinião, escolas que cantam aos sete ventos que alfabetizam as crianças com cinco anos estão fazendo tudo errado! Para que pular etapas? A criança vai aprender a ler e escrever, mas vamos dar tempo ao tempo! Por que hoje queremos tanto que nossos filhos sejam pequenos gênios? Eles precisam disso? Se deixamos que eles vençam essa etapa depois de já terem atingido mais maturidade emocional, o processo de aprendizado sempre fica mais prazeroso. E temos que deixar alguma coisa para aprenderem mais para a frente, senão estudar vira um troço sem graça!

Conheço muita gente que dá importância ao aprendizado prematuro, por isso existem escolas que se gabam de ter crianças alfabetizadas com cinco anos. Para mim, é um tipo de educação que não serve. Não bate com aquilo em que acredito e busco.

Ler um pouquinho sobre os grandes pensadores da educação pode ser útil. Eles estudaram o desenvolvimento emocional e as fases de aprendizado das crianças, e procuraram compreender o tempo dos pequenos. Montessori, Piaget, Vygotsky, Emilia Ferreiro, Steiner... É uma leitura rica, e nós mesmos passamos a entender melhor os estágios do desenvolvimento infantil.
O método em si, na verdade, não importa muito. Pode ser o método mais conservador ou mais ousado. O que importa, como já disse, é que a equipe entenda todos os fatores envolvidos e saiba desenvolvê-los de acordo com as habilidades e o desenvolvimento de cada turma.

Educação Infantil não é pra criança aprender a ler e escrever, embora a qualidade dos estímulos que a criança recebe nessa fase possam estimular demais a alfabetização, quando chega a hora. Bons professores saberão desenvolver a curiosidade da criança. Saberão usar o corpo e a percepção da criança para ensiná-la a ver o mundo. Saberão usar aquilo que a criança conhece, as coisas pelas quais a criança se interessa, para construir o conhecimento. Saberão usar a música para complementar as aulas e enriquecê-las. Saberão usar a educação física dentro do contexto do aprendizado do aluno, e também dentro da capacidade motora adequada para a idade.

e continua em próxima postagem
_________________________________________________________________________________
Silvia Schiros

11 comentários:

solange albuquerque vieira disse...

Silvia, sou educadora e hoje o que muito se vê são pais depositando na escola toda a confiança e responsabilidade no que tange a educação de seus filhos.

Fico feliz de ter encontrado aqui um espaço onde as pessoas estão de fato preocupadas em fazer análises conscientes para basear suas escolhas e expectativas na conduta educacional de seus filhos.

carinaschirrmann disse...

Adorei esse post! O meu pequeno ainda não vai pra escolinha, tô pensando em colocá-lo na metade do ano e a busca já começou.
Mas, vc sabe que em muitas escolinhas, existe um preconceito em relação aos pais, que questionam certos pontos. Pelo menos essa é a minha impressão.
Se vc quer saber algo mais do que aspectos como estrutura física, valores, alimentação... acho que muitos educadores se sentem invadidos! Sei lá!

Beijos, Cá!

Cristiane Fetter disse...

Silvia, você disse tudo, bons professores desenvolvem a criatividade da criança, eu faço muito isso com o meu filho e na escola que ele fica também é assim.
No chão, nas paredes, nas mesas, tudo é feito com materiais e informações que instigam esta criatividade e curiosidade.
Falou tudo.
Abraços

Ana Cláudia Bessa disse...

Silvia,

concordo com tudo o que você falou, embora, para mim, a metodologia importe porque digamos que essa é uma linha diretriz de conduta com a qual os pais podem entender melhor como o processo educacional se passa e fazer seus julgamentos de interesse e valor.

Por exemplo: ví muitas escolas, mas muitas mesmo, de metodologia mista, ou seja, que usa um pouco de cada uma delas, ou o que consideram melhor em cada uma. Como vamos aber exatamente o que consideram melhor?
Como vou julgar se esse ou aquele valor de cada metodologia comunga com o que penso se não sei exatamente quais eles usam?
Como saber se esse ou aquele valor de um metodologia, casado com esse ou aquele de outra metodologia funciona?

Eu preferi escolher uma escola com metodologia definida, até para facilitar minhas análises. Ebora eu tenha consciência de que nem todo mundo tem essa possibilidade principalmente orque nem todo lugar tem disponibilidade de todo o tipo de escola. Por um lado, dei sorte (não foi só sorte mas isso eu explico outro dia) de ter, próxima a mim, uma escola que segue uma metodologia que se identifica com o que desejo para as crianças.

Silvia D. Schiros disse...

Solange, eu acho também que "não basta ser pai, tem que participar". :-) Mas, se há pais que não querem se envolver e deixar tudo nas costas da escola, há também as escolas que não querem que os pais "se metam" muito. Por isso é importante fazermos muitas perguntas baseadas em toda uma análise e reflexão que fizemos ANTES de visitar as escolas. Saber o que perguntar é essencial para não termos surpresas mais para a frente.

Carina (é o nome da minha caçula!), se você acha que uma escola está se sentindo invadida com as tuas perguntas, descarte logo da lista e passe para a próxima! Porque se eles já dão indícios de que não gostam muito de interferência na fase de entrevistas, então depois que a criança está lá, Deus me livre.

Cris, criatividade, na Educação Infantil, é tudo, porque dá uma base riquíssima para a criança.

Ana, mistura demais pode ser ruim mesmo, depende muito de como misturam e o que misturam. E, se a escola não consegue de explicar como faz essa combinação, é porque nem eles sabem direito. Uma coisa que acho importante observar é se a pessoa que te atende na visita à escola sabe responder às tuas perguntas. E pode ser bom voltar em outra ocasião e conversar com outra pessoa para ver se está todo mundo em harmonia. E, se não conseguem explicar algo direito, insista. Se continuar assim, a coisa vai mal. Depois me conta direitinho da escola do G., quero saber tudo.

matteo irma disse...

Oi Ana, voltei! Estou tentando colocar em dia as leituras...
Silvia, adorei seu post. Esse ano vou começar a correr atrás de uma escolinha pra minha filha, que tem 2 anos e 4 meses. Penso em matriculá-la para o meio do ano ou para o início do ano que vem. Quero fazer essa busca com calma, visitar as escolas, conversar bastante etc. Mas já tenho em mente o que quero. Me identifico muito com a Pedagogia Waldorf, mas infelizmente os poucos jardins Waldorf que existem aqui no Rio não são próximos à minha casa, o que os inviabiliza pra mim. Concordo com tudo que vc falou, tenho muito medo da precocidade com que as escolas desenvolvem a intelectualidade das crianças e penso, ainda, que a escola tem que ter a ver com o estilo de cada família. Por isso uma certeza eu tenho: não quero (nem para o ensino pré-escolar, nem para as etapas futura) uma escola conservadora pra minha filha.
Uma coisa engraçada que aconteceu mais de uma vez comigo foi, ao perguntar a alguem sobre a escola dos filhos, ouvir: é ótima, prepara para o Santo Agostinho. Eu fico quieta, mas penso com meus botões: então defintiivamente nessa escola eu não coloco minha filha. Acho surreais esses vestibulares para crianças de 5, 6 anos. Nossos filhos não merecem isso!
Beijos, obrigada por dividir sas reflexões conosco.
Renata

matteo irma disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Ana Cláudia Bessa disse...

Ih...estes posts da Silvia ainda vão dar muita pauta pros nossos cadernos...rs...

Eu vou escrever um post sobre minha decisão de escolha da escola do G. Só estou precisando de tempo.
Ai, ai, ai...

Renata, que bom que voltou. Depois nos conte das férias!!!

Aqui no blog já temos algumas coisas sobre educação escolar. depois dá uma olhada nos marcadores. Quem sabe te ajuda!
O que você falou também me preocupa: escolas que preparam demais. Eu tenho uma grnade variedades de escolas na minha região e descartei uma cujo método é considerado o quarto melhor do mundo justamente porque prepara demais e por causa do preço: muito cara. Além de estar fora da minha faixa, fico preocupada de colocar meus filhos estudando com crianças de uma realidade completamente diferente da deles. Mas vejo que as pessoas não se preocupam muito com isso não...
Beijos!

Silvia D. Schiros disse...

Renata (matteo irma é Renata?), eu morava em Jacarepaguá, e amava a escola das minhas filhas. Não sei se pode propaganda escancarada aqui; se puder e se for um bairro accessível para você (a escola recebia alunos da Barra também), te passo o nome.

matteo irma disse...

Poxa Silvia, infelizmente Jacarepagua não é tão perto pra mim...mas'só de curiosidade, qual é a escolinha?
Beijos
Renata

Ana Cláudia Bessa disse...

Pode dar indicação, sim, Silvia.
O que é bom é prá ser falado!
e o que é ruim, também...risos