segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A Escolha da Escola - parte 3

No tocante à parte mais prática, há muitas coisas que temos que observar.

Para facilitar o (meu) processo, criei uma lista de perguntas baseada nas minhas pesquisas e na minha experiência, e espero que ajudem os pais que estiverem começando - ou recomeçando, por que não? - esse processo de busca. Veja a seguir as perguntas que você pode fazer ao visitar uma escola.

Qual é a proposta pedagógica da escola? Qual a rotina diária para a faixa etária em questão? Procure visitar a escola em horários diferentes para dar uma espiada nas diversas atividades.

Qual a formação dos professores? E da coordenação? Há quanto tempo trabalham na escola? Antes disso, já trabalhavam na área? Às vezes um professor é recém-formado, mas se a coordenação pedagógica for experiente e eficiente, saberá orientá-lo.

Como é feito o período de adaptação?

As atividades extras (aula de música, artes, educação física, ballet, judô, natação, informática etc.) fazem parte da rotina?

A partir de que nível começam as tarefas de casa? De que tipo são e com que freqüência são passadas?

Em caso de doença, qual o procedimento? A criança freqüenta as aulas? A medicação orientada é ministrada? Os outros alunos são notificados?
Qual o número de crianças por turma? Os professores contam com o auxílio de assistentes? As crianças trabalham em agrupadas (misturando crianças de diferentes idades)? Se cada faixa etária tem uma turma, é importante saber se há envolvimento com outras idades e como é feito esse trabalho, pois a relação com crianças de idades diferentes é uma fonte riquíssima de aprendizado. Se as turmas englobam crianças de faixas etárias distintas (em algumas linhas de ensino, é muito comum as turmas de Educação Infantil serem separadas por agrupadas), há momentos em que as crianças são separadas para atividades específicas indicadas para a sua faixa etária?

Para os pequenos e/ou os alunos que estudam em período integral, tem hora do soninho?

Como é o lanche? As crianças ajudam a preparar? Se for levado de casa, qual a orientação para os pais? Há o apoio de uma nutricionista para ajudar na elaboração do cardápio? São ensinadas noções de higiene antes e depois do lanche? As crianças escovam os dentes?

A escola trabalha noções de cidadania? Como? Trabalha com inclusão social?

Como é o trabalho de orientação educacional? Como a coordenação e a equipe lidam com as questões emocionais típicas de cada idade?

Qual o valor da matrícula? E da mensalidade? É cobrada taxa de material? Algumas escolas mandam a lista de material para os pais, outras cobram uma taxa e se responsabilizam pela compra dos materiais necessários, outras ainda oferecem uma ou outra opção. Decida o que é mais conveniente para você e saiba que você tem o direito de ter acesso à lista de material se não concordar com a taxa cobrada pela escola. De qualquer maneira, é bom saber de antemão qual a prática adotada pela escola para não ter dor-de-cabeça depois.

O horário é fixo ou flexível de acordo com as necessidades dos pais? Existe a opção de regime integral? A criança pode almoçar e/ou jantar na escola mediante pagamento de uma taxa extra, caso seja necessário?

Se houver atraso na hora da entrada por algum motivo excepcional, a criança pode entrar mais tarde? E se esse atraso ocorrer na hora da saída, a criança tem algum tipo de apoio? Qual o tempo de tolerância?

Qual o procedimento da escola no caso de conflitos ou agressões físicas e/ou verbais entre as crianças?

Como é feito o atendimento aos pais? E a comunicação entre pais/escola?

A confraternização entre pais e crianças, dentro e fora da escola, é estimulada? Caso positivo, de que maneira? Como é o esquema de festas de aniversário na escola? Os pais podem participar? E os irmãos de outras turmas?

Com que freqüência os pais se reúnem com a(s) professora(s) da turma, em grupo e individualmente?

De que forma a escola estimula os pais a participarem do processo educativo e como ela encoraja a troca de experiências entre pais e a escola?

Atividades dentro e fora da sala de aula: como são e quais são?

Tem biblioteca? Brinquedoteca? Que tipo de material é utilizado e que atividades são realizadas?
A escola usa sucata/lixo reciclável com as crianças? Como?

Como são programados passeios? Que tipo de passeios a escola promove? Como é feito o transporte das crianças? Quais as normas de segurança observadas?

Há aulas de natação? Qual o número de alunos por professor, dentro da piscina? As aulas são com ou sem bóia? Tem guarda-vidas? No Rio de Janeiro, de acordo com o decreto estadual 4.447, de 1981, além do professor, os alunos deveriam estar acompanhados por um guardião (salva-vidas) habilitado pelo Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros (G-Mar). A lei estadual 3.728, de 2001, no entanto, diz que não é obrigatória a presença de salva-vidas em piscinas com dimensões inferiores a seis metros de comprimento por seis metros de largura.)

E, nos dias de hoje, é importante saber também se a escola oferece noções de ecologia e sustentabilidade. Em geral, esses projetos fazem parte do conteúdo de matérias distintas, desenvolvendo o conhecimento e o senso crítico da criança.

Leia mais:
A Escolha da Escola - parte 1:http://ofuturodopresente.blogspot.com/2008/02/escolha-da-escola-parte-1.html
A Escolha da Escola - parte 2:http://ofuturodopresente.blogspot.com/2008/02/escolha-da-escola-parte-2.html
Nossos posts sobre Educação Escolar: http://ofuturodopresente.blogspot.com/search/label/Educa%C3%A7%C3%A3o%20Escolar
_________________________________________________________________________________ Silvia Schiros

11 comentários:

Cristiane Fetter disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Cláudia Bessa disse...

Silvia,
este seu post é sensacional porque eu mesma me deparei com uma pergunta quando comecei a procurar escola: O QUE DEVO PERGUNTAR? risos

À medida que me aprofundei na busca, essas perguntas foram se formando na minha cabeça. A maioria eu consegui fazer mas algumas eu apenas sinto necessidade agora, que ele já começou a frequentar as aulas. mas é com voc~e falou, com o passar do tempo e com a vivência, vamos ganhando experiência para definir com exatidão o que queremos e se o que encontramos é o que queremos.
Beijos!

Silvia D. Schiros disse...

Cris, quando os pais procuram escola pela primeira vez, a verdade é que ficam perdidos entre tantas informações e opções. É um trabalho árduo. E, se a gente que tem um tiquinho de experiência, pode dar algumas dicas, então vamos lá, né?

Ana, é isso mesmo, a gente vai observando algumas coisas depois de já ter escolhido, então pintam novas perguntas, novas dúvidas, novas frentes que nos damos conta de que temos que observar.

E, mesmo a gente querendo, nem sempre vamos fazer todas as perguntas nas entrevistas com a escola. Nem sempre dá. Mas é bom a gente analisar o que é mais importante *para a gente* perguntar, o que *mais* queremos saber. Tem gente, por exemplo, que dá uma importância muito grande à existência de aparelhos de ar condicionado nas salas de aula ou à escovação de dentes depois do lanche, até por características específicas de cada criança (essa criança pode ser muito calorenta e, ao suar muito, pode ter brotoejas; a outra pode ter os dentes mais sensíveis e exigir mais escovações diárias). Já eu prefiro fugir do ar condicionado, porque ele pode guardar lá vírus e bactérias, e a escovação depois do lanche não me faz muita falta, já que o dentista das meninas (meu sogro, por sinal) diz que a escovação mais importante, e que requer o uso de fio dental sempre, é à noite.

Cristiane Fetter disse...

Silvia, este foi até um tema de um post que eu fiz aqui, cuidados básicos de higiêne, alimentação, atenção e informação por parte da escola.
O seu post tem pontos ressaltados com muita propriedade e um alerta pois muitos pais ainda não entendem isso, mas lembrar nunca é demais.
Beijos

Cristiane Fetter disse...

Silvia eu corrigi meu comentário, ficou faltando uma parte, risos.
Beijocas

Carla Beatriz disse...

Silvia,

Na época em que fui escolher uma escola para meu filho, eu procurei uma que não aceitassem permanecer com as crianças doentes. A razão? Eu o havia colocado em uma escolinha que tinha convênio com meu trabalho e ele teve uma amigdalite, com febre de 40º graus, porque se contagiou de um menininho que estava doente e permaneceu na escola. Pesquisei várias, até encontrar uma que me satisfizesse. Este ano, por motivos financeiros, ele foi matriculado na escola pública e eu não sei o que esperar dela ...
Beijos

Silvia D. Schiros disse...

Carla, a Vera Falcão, do blog Fora do Manual, inscreveu a filha mais nova em uma escola pública e falou recentemente sobre a experiência dela no blog. Dá uma olhada e conversa com ela.

Acho que é um projeto que pode dar certo.

Carla Beatriz disse...

Silvia,

Sim, sou leitora do Fora do Manual e vi o post dela sobre a experiência da filha caçula em uma escola pública e fiquei preocupada. :-/
Como ela é daqui de Porto Alegre, já estamos em contato para nos conhecermos pessoalmente.
Valeu pela dica. ;-)

Beijos

Ombudsmãe disse...

Oi Silvia,

Você é mesmo PHD em garimpar escola! A lista é ótima e tem detalhes que nunca me passaram pela cabeça.

Algo que sempre me preocupei, quando visitava as escolas, foi com a coerência entre discurso e prática. Aprendi, a duras penas, que coordenadoras muitas vezes tem boas bases teóricas, mas não conseguem aplicá-las na prática. E isso não é muito difícil de detectar. Por exemplo, se a escola se diz construtivista, não deveria usar apostilas. A apostila prevê um conhecimento que já vem pronto e é massificado, algo que vai contra todo e qualquer princípio de construção do saber. Imagine, um projeto vir apostilado! O que sobra para o aluno fazer?
Pergunte isso e as coordenadoras se defendem dizendo que a apostila é só um apoio e tascam "educacionês" na gente.
Outra dica é pedir para ver o material produzido pelos alunos. Como é o material artístico? Os desenhos são feitos pelo próprio aluno com liberdade criativa, materiais diversos que exploram texturas e cores variadas ou tem um perfeito patinho xerocado na folha pra ele pintar? Fujam dos xerox.

Como é a produção de texto? As crianças criam textos próprios, a partir de estímulos ricos e dinâmicos como receitas, contos, cartinhas para os amigos, brincadeiras simbólicas (escritorinho, médico, jornalzinho etc) ou são folhas xerocadas, para ele copiar e preencher mecanicamente?

Visite uma aula de arte. Elas são melecadas, curiosas e livres, ou as crianças saem delas limpinhas e entediadas?

Observe se a sala de aula tem a cara dos alunos ou do professor. A produção dos alunos deve ser exibida com orgulho. A decoração da sala foi construída pelas crianças daquela turma? Tem desenho, texto, escultura, projetos? Ou é uma sala ultra arrumada, onde se vê que a liberdade das crianças em ocupar o espaço é constantemente tolhida.

Se os pais procuram uma escola que não alfabetize precocemente, observe as paredes da sala dos pequenos e veja se são pendurados projetos artísticos deles ou se são textos e números feitos e preenchidos pela professora. No caso do último, a alfabetização está sendo feita, sim. Mesmo à revelia da coordenadora. Boca no trombone ou procure outra escola.

Outra dica é observar os combinados e regras. Vou mandá-la noutro email.

Bjs

Ana Cláudia Bessa disse...

Gente, estou adorando essa discussão a respeito da escola.

Tive a primeira reunião de pais e já comecei a tirar minhas dúvidas. A princípio estou satisfeita, mas já ando reclamando de algumas coisas. Mas nada que denigra o que eu buscava na escola. São apenas pequenos ajustes.

Achei a reunião muito interessante porque inclusive teve dinâmica com os pais para falar da necessiade de se dar limites educacionais e fazer isso juntamente com a escola, não apenas acnhando que a escola é a única responsável pela construção da educação da criança.

Falou-se das mordidas que já estão acontecendo com a distribuição de textos para as crianças que estão nesta fase, do processo de adaptação dos novos, dos antigos que precisam se adapatar ao retornar das férias e do grupo como um todo, que agora tem que adaptar aos novos companheiros de turma.

Falou-se dos projetos da escola, das novas atividades, dos banhos e da higiene pessoal das crianças em casa e na escola.

E falando sobre higiene, uma coisa que sempre fiz nas visitas para escolher a escola, foi pedir para ver o banheiro, acho que ele diz muita coisa sobre alguns conceitos de todos nós. Limpeza e organização, são óbvios mas e a divisão, são misturados mesmo no caso de crianças pequenas?
São adaptados para as crianças?
São seguros?
As crianças são supervisionadas ao usá-los?
Como é feita a assistência às crianças que não conseguem ainda usar o banheiro sozinha? Quem faz?
E hoje em dia, eu me preocupo com isso: tem homem na escola? Qual a sua atuação? É orientado no trato com os alunos? Sabe as situações em queele não deve intervir e a quem recorrer?
Enfim...
São tantos detalhes...

Beijos!

Ombudsmãe disse...

Esse negócio de reunião de pais eu ainda não consegui pensar num modelo ideal. Acho perda de tempo reunião que fica dizendo que tem que usar uniforme e o que tem que levar e mandar pra escola. Penso que para isso, bastaria uma circular bem redigida. Acho que gostaria de participar de reuniões com mais conteúdo. Falar de comportamento, de proposta pedagógica, de desenvolvimento emocional. A reunião que a Ana Claudia participou parece ter ido mais pra este lado. Qual a postura da escola sobre mordidas? Fiquei curiosa. Bjs