quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Não sei não!

Fico pensando, o que mais uma vez motivou uma pessoa, ex-aluno de sociologia que era considerado brilhandte, entrar em uma faculdade, entrar em um lugar cheio de pessoas e atirar a ermo e depois de cumprir seu papel de carrasco, dar cabo de sua própria vida. Que loucura é essa que faz um ser se achar no direito de ser o algoz destas almas que estavam simplesmente pensando no seu futuro.
Desde que saí do Rio de Janeiro e vim morar nesta pequena cidade, finalmente consegui dormir com tranquilidade. Não haveriam tiroteios em nenhuma via expressa, nem arrastão, nem facções tentando controlar outras áreas.

Poderia andar de trem e não me procupar com os arrastões, ou então de ônibus e poder levar meu celular na bolsa com traquilidade e mais tranquilidade ainda em andar de carro. Janelas abertas, bolsa no banco do carona, tranquilidade em embarcar e desembarcar com crianças em qualquer lugar ou estacionamento. Meu carro não tem alarme, dorme do lado de fora da garagem e aberto! Minha casa não tem muro, e o que eu deixar do lado de fora, no dia seguinte está lá.

Mas por outro lado uma preocupação muito grande quanto ao futuro está aparecendo em meus pensamentos. É esta loucura de que de repente assola uma cabeça humana, que faz um ser entrar em um colégio de ensino elementar, médio ou de uma faculdade e chacinar estudantes inocentes.

Será que vou ter esta paz quando meu filho começar a frequentar o ensino público aqui? Sim porque eles não escolhem lugar, vamos chamar de chacina surpresa, acontece a qualquer hora e dia. Como eu vou poder dormir sossegada sabendo que meu filho está sendo deixado vivo todos os dias em um estabelecimento de ensino e pode não voltar para casa?.

Paranóia? pode ser. Mas aqui, no blog, pensamos no futuro do presente, e meu filho é exatamento isso.

A facilidade em se comprar armas nos Estados Unidos é imensa. Qualquer um pode comprar qualquer coisa. Está errado, é só ver o programa de desarmamento no Brasil, as estatísticas mostram que os crimes por armas de fogo diminuiram consideravelmente.

É complicado, se fico no Rio de Janeiro, posso ter minha ou então a cabeça de meus familiares perfurada por um projétil "perdido" ou então entrar para a loteria das escolas americanas. É de enlouquecer. Conheço uma brasileira que tinha um filho que estuvada na faculdade de Virgínia, onde aquele último louco exterminou 31 pessoas. Quando consegui conversar com ela, umas duas semanas depois do ocorrido, ela ainda estava abalada, e olha que o filho nem estava lá no momento e ela demorou este tempo para conseguir falar com outras pessoas, pois só chorava e pensava que poderia ter sido seu filho nesta lista.

Atualmente a lista de coisas boas ainda está maior para onde moro hoje, mas como será no futuro?

Não sei não!

Foto do massacre de Columbine - Virgínia
______________________________________________________________________________ Cristiane A. Fetter

11 comentários:

Geo disse...

Cris, existem várias maneiras de encarar o mundo: Reclamar, se lamentar, culpar o governo, culpar o capitalismos... ou então fazer nossa parte e confiar que o futuro será melhor que o presente. Acho que esse blog mostra, todos os dias, que já sabemos o que está errado e onde devemos mudar para melhorar. Agora temos que agir e continuar multiplicando esse interesse pelo futuro do mundo.
Vi no livro "o encantador de cães" que o homem é a única espécie que guarda o passado e se preocupa com o futuro, às vezes, se preocupando tanto que esquece de realizar no presente. Então vamos realizar esse presente e o futuro virá da melhor forma possível.

Silvia D. Schiros disse...

Cris, vida de mãe é uma eterna preocupação, né? Queremos dar o melhor aos nossos filhos e protegê-los do perigo. Mas não podemos deixar de viver, nem impedi-los de viver, por isso.

Essa situação dos EUA é esquisita mesmo, mas todos os lugares do mundo têm seus loucos.

Cristiane Fetter disse...

Entao meninas, infelizmente esta é uma preocupação constante nao só de mães brasileiras, mas de todas as mães daqui.
É mais ou menos como as mães que tem seus filhos frequentando escolas em locais onde haja risco de balas perdidas, ou aqueles que tem que passar por vias com alto índice de assaltos.
Elas vão dormir e acordar pensando nisso.
Não é que não vivam o presente, se isso não acontecesse a vida não existiria, mas também temos que pensar no futuro.
Eu ainda tenho a opção de voltar para o meu país e as outras?
Eu tenho um lema, os filhos sao do mundo, mas enquanto estiverem sob nossas asas temos que pensar sim como vai ser, se não, como iríamos escolher as escolas onde estudam? a comida que os alimentam? suas roupas etc etc, pensamos sim no futuro.
Aqui está acontecendo uma mobilização da sociedade para impedir a venda de armas a qualquer pessoa, aliás o programa feito no Brasil para recolher armas foi uma das melhores coisas já feitas, coisa que eu acho completamente errado.
Mães que se sentem culpadas resolvem presentear seus filhos com esses "mimos" já que estão deprimidos.
É muito preocupante sim e vai sempre fazer parte da lista de "coisas" que pais e mães preocupados tem em suas cabeças.
O que eu gostaria de salientar é que esta loucura está correndo o mundo, não sei se por estarmos mais individualistas, ou pouco nos importarmos com o que acontece aos outros, poucos fazem como a Ana Cláudia que criou um blog motivada por um acontecimento com outra pessoa, quem me conhece sabe que sou uma pessoa otimista, mas não sei não.
Abraços

Cristiane Fetter disse...

Nossa, foi quase um post, risos.

paola oliveira disse...

Cris, eu acho que isso é um reflexo da cultura americana. O nível de consumo é tão alto que os valores acabam ficando vazios e excessivamente pesados. Um paradoxo mas se ajustar a essa sociedade deve se muito difícil e os jovens acabam não suportando a pressão.

Ivo Fontan disse...

Cris, estatística é uma coisa fria e às vezes perversa (aliás a estatística não, mas o uso que fazemos dela), mas ela demonstra claramente que um estudante corre infinitamente menos riscos de ser vítima de um desses loucos aí dos "isteitis" do que de ser achado por uma bala "perdida" aqui na cidade maravilhosa.
Ainda sobre estatísticas, a informação de que o Brasil diminuiu os crimes com armas de fogo a partir daquele "circo" do desarmamento é falsa. Não houve mudança nenhuma. As taxas continuam crescentes. A razão é que "a arma que mata", por aqui, não é aquela comprada nas lojas pela população (que aliás, não tem a cultura da compra e nem do porte de armas) é a arma ILEGAL ou a OFICIAL. Essas o "circo" do desarmamento não atingiu.
Fique tranquila. Em que pese o aparecimento eventual desses "malucos" por aí, seus filhos correm muito menos risco do que aqui!

Ana Cláudia Bessa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Cláudia Bessa disse...

Não sei o que dizer, Cris.

Gostaria de ser otimista mas não consigo.
Acho que a coisa ainda tem muito a piorar antes de começarmos a tomar o rumo contrário.
Como quando chegamos no fundo do poço e não temos outra alternativa, senão subir.

Ainda não chegamos no limite. É horrível isso e ao mesmo tempo tranquilizador. Não sei, não!

Mas estou com o Ivo, aqui a gente corre mais risco que vocês!

Cristiane Fetter disse...

Ana, foi por isso que eu disse que a balança de coisas boas ainda está pendendo mais para cá, mas se alguma atitude não for tomada isso pode mudar.
Essa loucura que acomete as pessoas, agora tem um dado bem interessante, a maioria dessas chacinas acontecem por filhos de imigrantes.

NANDO DAMÁZIO disse...

Cris, essa "paranóia" é comum a qualquer mãe que só quer proteger seu filho, portanto é bem mais que uma simples paranóia, é um dever materno mesmo zelar e se preocupar com a segurança de seus rebentos .. Agora, atos de violência existem no mundo todo desde que ele se chama mundo e por mais que a gente mude de cidade nunca estará totalmente livre da loucura que assola a mente humana .. Essa loucura que faz com que homens matem e firam inocentes pela disputa por tráfico de drogas, a loucura que faz com que um jovem entre num estabelecimento dando cabo de vidas igualmente jovens e promissoras, enfim, essa loucura está em todo lugar, em maior ou menor escala ..

Com certeza é bem melhor morar numa cidade como a que você vive hoje, com muito mais tranquilidade, menos riscos e se é uma forma de proteção e pensar no futuro do filho, é uma atitude válida .. Agora, a cura para todo o mal da humanidade tem início dentro da própria família, isso eu acredito .. A família é a base que constrói um ser humano, onde ele adquire seus primeiros aprendizados que o acompanharão por toda a vida .. Portanto, o fundamental para se criar uma pessoa menos louca, mais lúcida e consciente, que não vai sair matando gente quando crescer é pricipalemente a educação que ela recebe, os valores transmitidos pela família ..
Este é um tema que temos muito o que discutir, não é justo que nossa liberdade seja sabotada !!

Cristiane Fetter disse...

É isso mesmo Nando, eu também acho que começa dentro de casa, é muita loucura.
Mãe tem que se preocupar mesmo.
Beijocas querido.