sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O direito de sermos iguais


Todas as vezes que leio sobre disputa de herança, me vem aquela sensação de que família e socialismo, na maioria da vezes, só é bonito no papel, na foto de casamento, no dia do batizado.
De resto, é podre.

Hoje, vemos muitas disputas que envolvem, especialmente, casais gays.
Isso porque, essa mesma família que quer ter direito aos bens depois que o ente faleceu é a mesma que o discriminou e abandonou em função de sua escolha sexual.

Independente se gosta de gay, se não se gosta, se tem amigos gays ou se não tem, a verdade é uma só: cada um tem o direito a ser o que quiser.
Ferindo os outros ou não....

E aí, vem uma notícia no jornal falando que a maioria da bancada da câmara é conservadora e que as pautas polêmicas como casamento de homosexuais entravam, sob o pretexto de que fere a seio da família brasileira, para alguns políticos.
Família?
Que família é essa que acha que um filho ou filha por ser gay, não tem direito?
Que família é essa que acha que depois de uma vida inteira de desprezo e descaso, tem direito a herança de uma vida inteira de luta e trabalho?

Que seres humanos somos nós, aqueles que acham que uma pessoa , por fazer escolhas sexuais diferentes das nossas, não podem ter os mesmos direitos quando se casam e dividem uma vida inteira com uma pessoa, mesmo que do mesmo sexo?
Que direito temos nós que é maior que o direito de um companheiro(a) a herdar aquilo que ele ajudou a construir durante toda uma vida?


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__________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

9 comentários:

Ombudsmãe disse...

Uma pessoa, por ser gay, não tem direitos garantidos. Agora, pessoas que desviam dinheiro público, isto é, ladrões que falam bonito e usam terno e gravata, têm mais direitos que qualquer outro cidadão comum. Ferida eu me sentiria se tivesse um desses parlamentares no seio da minha família. Em 2008 ainda termos que debater se gays têm direitos tão básicos é um retrocesso, não?

Silvia D. Schiros disse...

Ana, eu também não me conformo que a pessoa que esteve ali ao lado da outra, a vida toda, não tenha direito a ficar com o que foi construído pelo casal por qualquer motivo que seja. É mais um pouco da hipocrisia do mundo em que vivemos.

Geovana disse...

Tem um caso legal aqui em Salvador, ocorrido com a família de minha amiga. O tio dela, que vivia a 10 anos com outro homem, faleceu. A família, além de passar os bens para o viuvo, declarou a união estável e conseguiu que ele recebesse a pensão do falecido esposo.
Sei que poucas família têm essa consciência, além de não ser fácil receber do governo o que é de direito, ma se já existem casos, é um bom começo.
Geovana (http://www.meninorude.blogspot.com)

Cristiane Fetter disse...

Egoísmo, pobreza de caráter, ganância, mesquinhez, falta de amor.
Sem mais,...

NANDO DAMÁZIO disse...

Falou tudo, Cris .. é tudo isso mesmo e mais um pouco !!
Há famílias que amam seus filhos incondicionalmente independente das opções que fazem, mas é lamentável que algumas ainda tenham esse tipo de moralismo falso e hipócrita que desaparece completamente na hora da "partilha" !!

Agora os políticos são engraçados, pra não dizer cínicos, os gays são cidadãos e eleitores como todos os outros, votam neles e os elegem, mas quando assumem o poder dizem que as leis que protegem os gays são imorais, ferem não sei o que lá e blábláblá .. Cinismo puro !!

Cristiane Fetter disse...

É isso aí nando, faltou a palavra hipocrisia.

mafalda disse...

É Ana,

realmente o que se vê em família é muito estranho e concordo que, assim como no socialismo, somente há beleza no papel. Na prática a coisa é bem mais difícil.

Eu já vi muita coisa que me fez descreditar na família. E por mais que lutemos não podemos garantir que o sistema famíliar funcionará como planejamos.

É um absurdo oacontece com as famílias que rejeitam seus membros seja por qualquer motivo e depois querem direito sobre os bens.

Ivo Fontan disse...

Muitas vezes o preconceito é usado como cortina para mascarar um mau maior ainda, o mau-caratismo.
Quero dizer o seguinte: Muitas vezes a "família" que aparentemente discrimina um companheiro ou companheira de um(a) homossexual falecido, não o está fazendo por preconceito, mas por pura e simples ganância.
Provavelmente esses mesmos cretinos ficariam imensamente felizes em receber uma polpuda herança de um parente gay, sem nenhum preconceito!
Já vi muitos irmãos, pais e filhos etc etc, se engalfinhando por causa de herança. Sem homossexualismo envolvido.

Ana Cláudia Bessa disse...

Pois é amigos, tudo o que vocês disseram é verdade.
Por isso falei que o conceito de família está quase perdido.

Sinto uma imensa necessidade de resgatar isso na família que estou formando.
Na minha família não temos isso até porque não temos grandes heranças envolvidas mas por fazer parte de uma família de pais separados, acabo por me deparar sempre com a questão de divisão de bens. Eu, como irmã mais velha , filha mais velha, sempre estou na crista das ondas e sempre sou categórica: divisão de bens é para ser resolvida entre o casal enquanto vivos. Meus pais e padrastos que se entendam. Quando eles morrerem minha providência e preocupação será uma só: que todos os irmãos sejam justos uns com os outros e se isso não for possível, que recebam cada um a sua parte de direito, se de fato, tiverem direito. Tento sempre mostrar aos meus irmãos que não tem sentido querer o que não é nosso, ainda mais passando um irmão, ou um ente da família para trás. Quando aprendemos a respeitar os direitos dos outros no seio da família, fica mais fácil respeitar os outros em qualquer situação. Questão de princípio. Quanto aos homossexuais, particularmente falando, isso é uma vergonha. Nada menos que mau caratismo.