segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Classe A vacina menos seus filhos


A reportagem é do jornal O Estado de S. Paulo, foi publicada sexta-feira, dia 03/10/2008 e participei dando um depoimento sobre o assunto.


No Sudeste, somente 68,9% dos bebês receberam todas as doses, diz estudo inédito; meta era atingir 95%
Fabiane Leite


Levantamento inédito realizado em todas as capitais revelou que na Região Sudeste do País menos de 70% das crianças com 18 meses de famílias da classe A receberam todas as doses de vacinas do calendário oficial, que combatem doenças como tuberculose, meningite, hepatite B, paralisia infantil e sarampo.


O índice de 68,9% de cobertura vacinal verificado no estrato mais rico e escolarizado da população dessa região ficou muito abaixo da meta de 95% de cobertura, segundo o Inquérito de Cobertura Vacinal, coordenado por pesquisadores do Centro de Estudos Augusto Leopoldo Ayrosa Galvão, da Santa Casa de São Paulo, e financiado pelo Ministério da Saúde e pela Organização Pan-Americana. O trabalho iniciado em 2007 foi apresentado na semana passada, durante o Congresso Brasileiro de Epidemiologia, em Porto Alegre (RS), e é resultado da avaliação das carteiras de vacinação de 17.749 crianças no País.


O estudo, obtido com exclusividade pelo Estado, é considerado por especialistas uma das iniciativas mais importantes para o Programa Nacional de Imunização, por trazer dados reais das carteirinhas, considerados menos sujeitos a erros do que as estatísticas sobre vacinas feitas pelos governos e por clínicas privadas.


No geral, a cobertura das vacinas do calendário básico da criança foi de 81% no País. O estudo revelou ainda que Curitiba (PR) teve a melhor cobertura vacinal para crianças de todas as classes, 98%, situação oposta à de Macapá (AP) e do Recife (PE), que registraram as piores coberturas, no patamar dos 60%.


São Paulo e Rio também registraram coberturas que não são satisfatórias, segundo os pesquisadores: 83% e 75%, respectivamente. A margem de erro da pesquisa é de 2 a 3 pontos porcentuais.


Outro dado de destaque foram os baixos índices de cobertura da vacina contra a hepatite B, que registrou os piores resultados no País.


Coberturas heterogêneas de vacinas prejudicam o controle de doenças infecciosas e trazem o risco de reintrodução de males erradicados, como a poliomielite. O estudo, no entanto, comprovou a importância do Programa Nacional de Imunização, pois a maioria das crianças vacinadas recebeu os imunizantes pela rede pública.


DADOS INTRIGANTES
A parte qualitativa da pesquisa, que está em andamento, servirá para a busca de explicações para dados que intrigam os pesquisadores, como as baixas taxas de cobertura nas classes mais abastadas do Sudeste, onde as diferenças em relação a outros estratos sociais são mais significativas. No conjunto do País, a cobertura dos mais ricos e escolarizados também foi a pior.
Entre as explicações, cogitam os pesquisadores, estariam o medo dos pais de que as crianças sofram as raras reações adversas às vacinas.


"Uma das lições que já tiramos disso é que não podemos ter um discurso homogêneo ao falar da necessidade das vacinas. A grande massa é atingida nas campanhas, só que há setores da população que não atingimos e necessitam de uma divulgação mais técnica. É preciso montar uma estratégia para isso", disse o epidemiologista José Cássio de Moraes, que coordenou o estudo.


Outra hipótese aventada pelos pesquisadores são as restrições à vacinação recomendadas por médicos que seguem especialidades médicas não hegemônicas, como a homeopatia. Representantes dos homeopatas negam.


Segundo Moraes, o estrato A do Sudeste corresponde às crianças de famílias cujos chefes possuem renda mensal de 20 salários mínimos ou mais, e 17 anos ou mais de escolaridade. Os pesquisadores chegaram até as crianças com base em dados do Censo 2000. Os setores censitários de cada capital foram estratificados segundo as condições socioeconômicas, e depois os pesquisadores foram às casas verificar as carteiras.


O problema da irregularidade das coberturas nas capitais já vinha sendo apontado nos dados colhidos pelo próprio ministério, mas novos números foram trazidos pela pesquisa.


Para o especialista, os resultados de capitais que tiveram coberturas ruins mostram a necessidade de os prefeitos, responsáveis pela execução de estratégias e programas de imunização, melhorarem seus serviços. "Mas é um momento complicado, de eleição, e os prefeitos talvez não estejam interessados nisso", diz o pesquisador.


O levantamento também destaca que a vacina contra a poliomielite (paralisia infantil) foi a que registrou as melhores coberturas, situação oposta à da vacina contra a hepatite B.


"A vacina contra a hepatite B registrou a menor cobertura e as maiores taxas de abandono, ou seja, a criança não recebeu a 3ª dose." Segundo Moraes, já há estudos em curso para que a vacina contra a hepatite B seja administrada junto com a tetravalente (contra difteria, tétano, coqueluche e meningite). "Seria uma vacina pentavalente." O ministério informou que não comentaria os resultados apresentados. Já a Prefeitura de São Paulo disse desconhecer a avaliação. Procurada, a prefeitura do Recife não se manifestou.



Ana Claudia e Nereide fazem parte do grupo de melhor escolaridade e renda que questiona a necessidade das vacinas do calendário infantil.
"Não acredito em um mundo sem doenças. Não me deixo levar pelo pânico", diz Ana Claudia Bessa, química de 34 anos que vive em Niterói e optou por não dar vacina contra o rotavírus aos filhos - incluída recentemente no calendário. "Já mandei e-mails aos órgãos de saúde perguntando sobre riscos e nunca obtive resposta. Não há esclarecimentos, a não ser os de praxe, feitos pelos próprios laboratórios. Eles, por interesses óbvios, recomendam a vacina."
A publicitária Nereide Aparecida Tavares, de 65 anos, também optou, há mais de 40 anos, por não dar parte das vacinas aos seus filhos, como a de sarampo, quando descobriu a homeopatia. O epidemiologista José Cássio de Moraes defende que haja mais informação sobre a segurança das vacinas.


Presidente da Sociedade Brasileira de Imunização, o infectologista Vicente Amato Neto destaca que os benefícios das vacinas do calendário infantil oficial - comprovados pela queda e eliminação de doenças infecciosas, como a paralisia infantil - são muito maiores do que possíveis riscos.
"O Brasil tem cada vez mais se preocupado também com com os efeitos adversos, há mais atenção, mas se considerarmos todas as estratégias de prevenção, em diferentes áreas, a vacinação é a de maior sucesso", disse. "O inquérito de cobertura é de extrema importância por levar em consideração os dados das carteiras, e não os administrativos."
O presidente da Associação Paulista de Homeopatia, Ariovaldo Ribeiro Filho, ressaltou que a especialidade médica recomenda a vacinação definida pelo calendário oficial e que não questiona as vacinas.
No entanto, lembra Ribeiro Filho, homeopatas e alopatas têm autonomia para - com o paciente, e avaliando riscos e benefícios - decidir sobre a administração ou não de determinadas vacinas segundo as condições clínicas do paciente.
O Ministério da Saúde decidiu revisar a cobertura de vacinas do calendário básico da criança por causa de possíveis falhas no Programa Nacional de Imunizações, que completou 35 anos neste ano, sob elogios da Organização Mundial da Saúde (OMS). O último relatório sobre coberturas vacinais, divulgado em maio do ano passado, antes do início da avaliação, dizia que, apesar de o País, em geral, ter índices satisfatórios de cobertura vacinal, havia déficits localizados que poderiam trazer riscos.

9 comentários:

Ana Paula disse...

Meu filho tomou todas as vacinas do calendário oficial, incluindo rotavírus, e a particular de catapora.

Dei pq ele frequenta a escolinha desde os seis meses.

Se eu tivesse a oportunidade de ficar em casa com ele e colocá-lo na escola somente depois dos três anos, com certeza teria pensado melhor sobre essa questão...

Ana Paula disse...

Em tempo: pediatra do baby é homeopata, só receita ATB quando há extrema necessidade, mas recomendou dar todas as vacinas + catapora + hepatite + meningite.

ana b. disse...

homeopata q recomenda vacina de catapora???
xará, tem alguma coisa errada nisso... vai contra os princípios da homeopatia, e catapora é considerada uma doença benigna, da infância...
esse mundo tá perdido...
em tempo: a pesquisa não deixa explícito o número de doentes entre as crianças das classes mais abastadas q NÃO tomam vacina...
se essas crianças tomam menos vacinas, mas permanecem saudáveis, então a vacina não está fazendo falta, não é?... mas os pesquisadores não diriam isso...
bjs atrasados,
ana
(q só deu uma vacina pra filha caçula e não se arrepende; aliás, se arrepende da vacina dada...)

Ana Paula disse...

Ana,

Realmente, fiquei surpresa quando ele me recomendou as vacinas. Mas não dei todas, não, só a de catapora mesmo... peguei catapora quando era criança, e sofri muito, lembro de ter sido uma coisa horrível...

Como meu pequeno vai p/ escolinha, calculo que as chances de ter catapora são grander, e escolhi poupá-lo disso - mesmo sabendo que a vacina não dá 100% de garantia.

Acho que esse assunto é um pouco polêmico, mas me lembro de ter ouvido uma mãe dizer isso e concordo: "Eu vacino pelo coletivo".

Ana Cláudia Bessa disse...

Conferência de Anas? rs

Anas,

Eu dei todas do calendário oficial. Das extras, nenhuma.

Sou meio-termo com relação ás vacinas por dois motivos: falta de informação nos dois sentidos, tanto contra, como a favor.

Se na época da vacinação deles, eu tivesse mais informação, eu não teria dado algumas do calendário oficial como a da Hepatite, por exemplo.

Eu não vacino, pelo coletivo, e nem deixo de vacinar pelo coletivo porque simplesmente não acredito que os governos tomem decisões pelo coletivo. As decisões são meramente capitalistas. Se alguma vacina não der lucro, nenhum governo vai incluir a mesma no calendário, acreditem. Muito menos serão produzidas pelos laboratórios. Vide a África que é assolada por falta de condições básicas e doenças e NINGUÉM se predispõe a uma decisão pelo coletivo de vacinar uma população que de fato precisa.

Eu não gostei muito dessa matéria porque como todas as outras, sempre é tendenciosa ao políticamente correto e políticamente correto é tendenciar a favor da vacinação. Meu depoimento foi bem maior que esse mas ainda assim, também não fiquei triste porque, mesmo tendo reproduzido pouco, foi o que eu disse.

Sobre a homeopatia, eu tenho o mesmo problema da Ana Paula, a homeopata das crianças é a favor da vacinação. Eu é que argumento com ela e ela respeita meu ponto de vista.

E sinceramente, tanto a homeopatia quanto a não-vacinação, só é defendida, na maioria das vezes, nos bastidores e em grupos fechados. Poucos assumem suas posturas e estão dispostos a debater claramente. Conheço pessoas ótimas, com excelente conhecimento no assunto que já me disseram claramente que não falam do assunto publicamente.

E assim caminhamos, cada um por sí, Deus por todos, como se diz.

PS: Obrigada por participarem do debate. Fico imensamente feliz por ter este espaço para compartilhar com pessoas como vocês. OBRIGADA.

Links do que já falamos aqui no blog sobre vacinas:
http://ofuturodopresente.blogspot.com/search/label/Vacinas

Ana Cláudia Bessa disse...

MEU DEPOIMENTO PARA O ESTADÃO:

Quando comecei a tomar conhecimento que existiam pessoas que questionavam a eficácia das vacinas, eu havia iniciado as vacinas básicas do calendário.

Contudo, tive tempo de me informar e cuidar para dar vacinas excedentes de forma mais responsável visando o bem estar dos meus filhos.

Um das formas é dar vacinas separadamente. Quanto maior a carga vacinal, maiores a chances de reações adversas.

Procurei me informar junto à pediatra, quais vacinas eram recomendadas de serem tomadas na rede pública e na rede privada.

Por exemplo, vacinas de pouca rotatividade na rede privada, às vezes tem maior rotatividade na rede pública, correndo menos riscos de uso de medicamentos vencidos ou mal conservados.

Vacinas da rede privada são mais modernas e é sempre bom informar-se pois a chance é maior de serem mais eficazes e menos sujeitas a reações.

Aí, nós temos que avaliar quais dar em que lugar. Mas é importante saber que existem diferenças.

O que também me incomoda é doenças naturais da infância estarem sendo tratadas como graves como o caso da Catapora.

Toda doença tem suas complicações mas também ajudam a fortalecer o sistema imunológico. Quem de nós nunca ouviu a piadinha da vitamina S (Sujeira)?

Pois a sujeira, com a doença, fazem parte da vida da pessoa e, no meu entender, ajudam a fortalecer nossas defesas.

Isso não significa viver na sujeira, significa não viver numa bolha.

O excesso de medicamentos e vacinas estão ajudando a criar super bactérias que no futuro serão, com certeza, mais prejudiciais que uma simples catapora.

Não acredito num mundo inerte de doenças. Não me deixo levar pelo pânico desnecessário.

Avalio se eles estão no grupo de risco: como no caso da rotavirus. Eu juntamente com minha médica, optei por não dar esta vacina visto que meus filhos não freqüentavam creche na época de maior incidência da doença. Tomei todos os cuidados necessários e não foi necessário vacina e nem mesmo tiveram a doença.

Fora isso, já mandei e-mails aos órgãos de saúde perguntando sobre grupos de risco, riscos de reações e qualidade dos componentes das vacinas e nunca obtive resposta.

Ou seja, não há esclarecimentos quando solicitado a não ser os esclarecimentos de praxe feitos pelos próprios laboratórios que fabricam as vacinas. Que por interesses óbvios, recomendam a vacina.

Será que todas as vacinas devem ser dadas a todas as crianças indiscriminadamente se somos seres diferentes entre si?

Todas toleram os mesmos medicamentos da mesma forma?

Há muito o eu se perguntar sobre vacinas, mas há pouco esclarecimento.

Diante de tanta corrupção e interesses econômicos envolvidos, me sinto insegura quanto ao real benefício de se vacinar indiscriminadamente.

Será que as doenças foram erradicadas somente pelas vacinas ou porque o conhecimento da existência das bactérias nos fez mudar nossos hábitos de higiene e alimentação?

Eu como cidadã não me sinto responsável por dar respostas, e sim, com direito a receber.

Quem recebe a vacina está de fato coberto? Não foram contaminados por tantos componentes químicos nocivos existentes nas vacinas como o timerosal?

Meus filhos foram vacinados conforme o calendário mas será que foi o melhor para eles?

Não sei. Não sou contra a vacinação. Sou a favor da vacinação consciente e informada.

Na dúvida, acho que devemos perguntar: como, quando, onde e porquê.

Ana Paula disse...

O antigo pediatra adorava fazer terror com essa questão... "Vc já deu tal vacina?". "Não, ainda não". "Tá bom, mas vc sabe que meningite mata, né?"

02 consultas já foram demais.

Ana Paula disse...

"Não sou contra a vacinação. Sou a favor da vacinação consciente e informada."


Perfeito!

Ana Cláudia Bessa disse...

Tenho horror a médico terrosrita...me cheira a charlatanismo....
cruz credo!