quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O que será de nós na velhice?

Nas Olimpíadas se falou muito dos costumes chineses e um deles está diretamente a uma polêmica política de controle de natalidade no país mais populoso do mundo: cada casal só pode ter um filho. Tudo estaria num patamar aceitável, levando-se em consideração que estamos falando do país mais populoso do mundo. Contudo, uma questão cultural influencia diretamente nesta política: na China, são os filhos homens os responsáveis por cuidar dos pais na velhice. Ou seja, você tem um filho e ele se casa. Na velhice dos pais, ele deverá cuidar dos mesmos, enquanto os pais da esposa não tem a mesma sorte.
E aí, vem atrocidade humana. Não seria simples pensar assim: “Sou homem e devo cuidar dos meus pais. Mas os pais da minha esposa, somente puderam ter um filho e ela é mulher, vamos cuidar dos pais dela também” ?
Mas não é assim e os casais abortam meninas, abandonam recém-nascidos e a crise deste comportamento já está chegando num país lotado de homens e com poucas mulheres. A cultura, alguma vezes, irracionaliza o ser humano de uma forma assustadora.
E pensando nisso, fiquei pensando em mim. Como será a minha velhice?
Será que nossos filhos cuidarão de nós?
Pretendo trabalhar para não dar preocupação aos meus filhos. Sou muito independente e imagino que vou querer ter meu canto, minha vida, minhas próprias opções e escolhas. Mas e se eu não tiver condições de ficar sozinha? Mesmo que não seja viúva, mas já com idade avançada, o que é melhor: morar com uma enfermeira ou num local onde eu possa fazer outras coisas?
Hoje em dia, existe preconceito com tudo e com os asilos não é diferente. Claro que existem vários tipos de asilos, mas vamos pensar em bons recantos onde se pode ter o seu espaço e conviver com pessoas da mesma idade, com os mesmos interesses, com os mesmos assuntos, com as mesmas atividades.
Não sei, pode ser que eu mude de idéia, mas adorarei receber meus filhos e netos num lugar digno que seja meu, sem preconceitos. E como disse a Mônica Waldwogel no programa Saia Justa do GNT, ao invés de investir num jazigo, vou pensar em investir num “condomínio da terceira idade”. Adorei a idéia. Quem quer ser sócio-cotista? Risos
Mas e depois de morrer, o que você vai fazer com seu velho corpo companheiro de jornada?
Dar para as minhocas?
Ah...eu não...eu já autorizei mil vezes o maridão doar tudo, até cabelo para fazer peruca...
E o restinho que sobrar?(Eu sou pequena, né, gente...)
Bem...o restinho eu brinco (falando sério...rs) que gostaria que ele colocasse num barquinho, colocasse fogo e deixasse a correnteza levar....como os índios...Ele diz que o problema vai ser levar o restinho até o barquinho... rs...rs...rs...

Mas, se você não quiser ser comido por minhocas, e seu cônjuge não quiser correr risco de ser ocultador de cadáver como o meu...rs... Saiu uma matéria dizendo que as faculdades do Rio estão precisando de corpos para as faculdades de medicina, visto que a legislação dificultou o aproveitamento de indigentes para este fim. Assuntos mórbido, não?

Ué, gente...o nome do blog é futuro do Presente e desse futuro, ninguém escapa (ô piadinha triste...).

Só queria dar uma sugestão aos médicos que são uma classe tão corporativista: doem seus corpos para seus pares, meus amigos! As faculdades estão precisando!!! Em se tratando de um curso tão disputado, o que mais deveria ter é médico fazendo documentação para disponibilizar seus corpos para estudos depois da hora derradeira, isso já resolveria o problema.
Desculpem, mas tenho o maior bode de médico....rs....

Então é isso, e você já está preparando sua velhice tranqüila deitada numa rede?
________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

2 comentários:

Alexsandra Moreira disse...

Muito bacana Ana o texto...

Eu tb não quero dar trabalho a ninguém... e o corpo sem o espírito é algo sem importância para mim... então podem fazer qualquer coisa que for menos trabalhoso que eu não me incomodarei...

bjão

Ana Cláudia Bessa disse...

A gente tem que pensar no próximo, até o final...porque no final, o que só é só matéria...