terça-feira, 18 de novembro de 2008

Em que século estamos?

Tem coisas na vida que não envoluem.

Guarda-chuva, por exemplo, continua sendo aquele negócio chinfrin, difícil de carregar e que somente não molha o topo da nossa cabeça - dali pra baixo molha tudo. E que nunca está com a gente quando a gente precisa. E já comprei caros e baratos - não importa, são uma porcaria.

Ontem, quem mora na cidade do Rio e na região metropolitana foi "surpreendido" por uma tempestade de chuva e vento como há muito não se via.

Aqui na minha região, começou a chover umas 16:50h. Um pouco antes de eu ter que sair de casa. E quandoi saí, peguei o início da chuva e confiante que estava, mantive meus planos e em menos de 5 minutos, estava com água acima das rodas do carro, lutando para que ele não parasse de funcionar em plena enchente. Lutador que é, ele resistiu até o último segundo e morreu literalmente na praia, final de um bolsão de água que eu entrei sem nem perceber, devido á péssima visibilidade por causa do volume de chuva.

Ligo o alerta e sinto a água começando a bater no fundo do carro. Para meu desespero, como estava na pista auxiliar (e devo dar graças aos céus por isso, já que a via central está imprensada entre meio-fios e virou literalmente uma piscina de onde eu não sairia como toda certeza, a não ser, rebocada e com o carro cheio de água), começaram a passar os ônibus que seguiam sem pena e jogavam tanta água por cima e por baixo do carro, que eu pensava que ele ia sair dali flutuando...

Primeira coisa: ligar pro marido.
Segunda, ficar calma...exatamente nesta ordem...rs...

Eu confirmo com ele que não devo ficar tentando desesperadamente ligar o carro, ele ainda me dá outras dicas, um breve esporro...rs... e desligo o telefone deixando-o no centro do Rio, em pleno temporal, vendo ratos e baratas sairem dos bueiros, correndo para cima dos pedestres e correndo em direção às lojas que fechavam suas portas correndo, mais por medo dos ratos que das águas...


Depois de uns 10 minutos, 3 ou 4 ônibus passando e muita reza forte, consigo religar o carro e vou pro lugar mais perto e seguro que encontrei e lá permaneci por mais de 1 hora, esperando a chuva acalmar e a água baixar. Como era de se esperar, ao final, era um festival de carros enguiçados, lama, ruas alagadas, casas, empresas. Minha casa fica numa rua em aclive, portanto, temos uma proteção a mais mas temos um poste quase caindo para resolver.

As calhas dos telhados transbordavam de tanta água, bueiros viraram chafarizes e suas tampas flutuavam podendo ocasionar sérios acidentes. Uma família amiga ficou com o carro enguiçado um pouco antes do ponto onde fiquei e o carro deles não voltou a ligar, estava uma piscina literalmente por dentro. Tentei levá-los para casa mas só consegui ir até certo ponto, de onde eles seguiram a pé.

Foi realmente uma chuva e ventos que há muito não se via por aqui. E me lembro, que ouvi alguma previsão na TV que falava de tempestade. Mas a minha pergunta que não quer calar é:
Como uma chuva, ou mesmo tempestade, tão atípica como esta é avisada assim, como se fosse uma simples tempestade?
Ninguém detectou que essa seria mais forte?
Não merecia um alerta?
Nosso sistema de meteorologia já melhorou muito em relação à minha infância quando davam previsões completamente opostas aos acontecimentos mas gostaria de entender como, em pleno século XXI , somo surpreendidos por chuvas.

Nos Estados Unidos, e a Cris me corrija se eu estiver errada, a previsão do tempo é constantemente anunciada aos americanos para que eles se previnam quanto a neve, ventos, tempestades, etc. Claro que lá, existem fenômenos e alterações meteorológicas muito mais frequentes e intensas do que aqui mas será que não fazemos o mesmo por despreparo ou por descaso? E eu não estou mencionando a falta de estrutura e escoamento de água, porque isso é assunto para outra postagem.

Até quando pessoas morrerão, famílias perderão suas casas, empresas perderão suas sedes por causa de uma chuva que pode muito bem ser antecipada em grau, velocidade e momento em que vai acontecer?

Será que meteorologia no Brasil é como o guarda-chuva que não evolui?
________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa
(PS: tentei fazer uma breve revisão mas se tiver algum errro de português ou frase sem sentido, me perdoem, estou morta de cansaço e sono. ô, dia...)

3 comentários:

Cristiane A. Fetter disse...

Ana Cláudia é isso mesmo, o sistema de aviso climático aqui (EUA) é muito forte e eficiente, até porque como você mesmo mencionou o clima é muito mais "traicoeiro", mas os jornais dedicam um tempo enorme falando sobre o tempo, existem canais somente sobre isso, você tem opcao de alerta no celular, no computador, no rádio.
Mesmo quando não há avisos de tempestade a metereologia está presente dizendo que vai fazer calor, ou vai ter uma chuvinha, por ai.
Quando eu vim para cá fiquei impressionada com o percentual de acerto do sistema metereológico deles, cheguei até a fotografar uma tempestade de neve que estava prevista para iniciar as 19 horas e as 19:08 ela começou.
Muito certinho, mas claro que tem as variaçoes de região.
Mas no geral é muito bom mesmo.

João Carlos disse...

Havia um alerta do INMET sobre a probabilidade de chuvas fortes, ontem, 17/11, e há outro para hoje 18/11.

Mas - veja você - é um só Instituto de Meteorologia para o Brasil inteiro! Nem os Estados, nem os Municípios se preocupam "com essas bobagens".

Em que século nós estamos?... Em termos de meteorologia local, no início da Idade Média...

Ana Cláudia Bessa disse...

O que falta para melhorarmos? Dinheiro??????????