sexta-feira, 5 de outubro de 2007

DE NOVO O EUCALIPTO - III


-OS MITOS: EUCALIPTO SECA E EMPOBRECE O SOLO?

Não custa lembrar que esta série de postagens tem como base um trabalho feito pelo Professor do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa, Roberto Ferreira de Novais. É ele quem responde a esta pergunta. E de maneira surpreendente:
"Sim, o eucalipto seca e empobrece o solo, FELIZMENTE!"

O professor nos ensina que os solos são como "caixas d’água", que armazenam as águas das estações chuvosas. Desta "caixa" se alimentam as plantas durante o período de estiagem. Se por acaso chove mais do que a média de um determinado local o volume de água que o solo recebe é maior do que sua capacidade de armazenamento. O resultado são enchentes. Espécies capazes de absorver grandes quantidades de água (como os eucaliptos), portanto, ajudam a manter a "caixa" em condições de receber quaisquer excessos de chuva.

(Há mais implicações benéficas desta característica dos eucaliptos. Eu estou reportando apenas a mais óbvia e de mais fácil compreensão para nós, leigos)

Quanto ao empobrecimento dos solos, o professor (não esqueçam, ele é professor de SOLOS!) começa por explicar o que significa: Empobrecer um solo é retirar dele capacidade para sustentar plantas e outros seres que dele dependem diretamente.

Num sistema natural, onde não há colheita, não há empobrecimento (a não ser por intemperismo, ou seja, ação mecânica dos fenômenos naturais), pois os nutrientes retornam ao solo através das folhas caídas, frutos etc, que retornam sempre num ciclo indefinido. Onde há colheita, por sua vez, parte dos nutrientes é retirada do ambiente. Este fato se torna mais relevante quanto mais "velho" e "degradado" é o solo. Portanto, as culturas de ciclo curto ( a atividade agrícola de um modo geral ) tendem a retirar excessivamente os nutrientes do solo. Por isso a necessidade de repô-los através de adubação química e orgânica. Nestes casos (áreas degradadas), ensina-nos mais uma vez o professor Novais, as culturas de ciclo longo, como a silvicultura, em especial do eucalipto, são mais benéficas, pois há tempo para que galhos e folhas caídas sejam decompostos e reincorporados ao solo, protegidos da lixiviação (arraste provocado pelas águas de chuvas).
Que fique bem claro: O professor Roberto Novais não está defendendo, em nenhuma hipótese, a plantação de eucaliptos EM SUBSTITUIÇÃO a florestas ou outros eco sistemas naturais. Apenas apontando as vantagens deste tipo de cultura em solos já degradados, ou seja, já usados e exauridos pela agricultura.
No próximo e último post:
- EUCALIPTO É MONOCULTURA. ISSO NÃO É DANOSO?
- PLANTAR EUCALIPTOS SERVE AOS INTERESSES DE GRANDES EMPRESAS. COMO FICAM OS AGRICULTORES FAMILIARES?
__________________________________________________________________________________ Texto de Ivo Fontan

4 comentários:

Ana Cláudia Bessa disse...

Ivo, realmente o que nos falta é informação. Seus posts nos trazem isso. Eu que não entendo nada de Eucalipto, estou aprendendo muito.
E confesso, que antes disso, quando moramos em SP, passávamos em muitas plantações dessa árvore pela estrada e já achava muito bonito de ver. Bom agora aprender, que a beleza vai além do que olhos enxergam porque temos que ver beleza nas alternativas para a sustentabilidade do mundo em que vivemos.
obrigada!

Anônimo disse...

Ivo, e porque você acha que se difundem esses mitos a respeito do eucalipto? Quais seriam os interesses em dar má fama a este cultivo?

Cristiane A. Fetter disse...

Pois é, e eu que achava que esta árvore só servia para papel, ocupava muito espaço e tudo ficava igual onde ela existia.
Sempre a informação que faz com que enxerguemos além, muito além.
Abraços Ivo.

Ivo Fontan disse...

Caro anônimo
Não penso que o "preconceito" contra o eucalipto seja objeto de nenhum tipo de campanha com objetivos escusos. Creio que seja mais decorrente da falta de informação sobre o assunto.
Há também o fato de que a cultura de eucalipto foi aqui introduzida pelas "grandes corporações" (as empresas de celulose), o que difundiu a idéia de que somente estas tais corporações detém o "direito" de cultivar eucaliptos, ou ainda que esta cultura não é uma opção para o pequeno e médio agricultor (No quarto post eu abordo isso).
Além disso essas culturas chegaram "apelidadas" de REFLORESTAMENTO, o que eu acho que contribuiu para toda a confusão. Este termo passa a impressão de que "estão querendo nos enganar", pois FLORESTA, para nós (brasileiros) é outra coisa...
É preciso também dizer que ações de movimentos organizados, como o MST, contra áreas de plantação (ou mesmo de pesquisa e desenvolvimento) de eucaliptos também ajudam a projetar no imaginário popular a idéia de "demonização" do eucalipto.
Peço a todos os que têm acompanhado esta série que não acreditem, pura e simplesmente, no que eu estou dizendo. Busquem outras fontes. Consultem trabalhos científicos na área (eles são numerosíssimos) e terão muito mais informações do que os "fragmentos" que este leigo tem procurado passar.