quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Nossa filha quis VIVER e nossa família também

ANOREXIA MATA, “O AMOR ALIMENTA A VIDA”

Um dia há oito anos atrás tivemos uma noticia e o mundo desabou dentro de mim.

Nossa filha está com anorexia. Bateu desespero, impotência... Em 1999, eu sabia muito pouco sobre a doença. Quando comecei a pesquisar e ter contato com alguns pais, ficava mais desesperada, pois com 90% dos pais que haviam passado pela mesma situação tinha perdido suas filhas. Até que alguns dias depois, recebi de presente de uma pessoa desconhecida que havia me conhecido naquele momento na cidade de Fernandópolis, um cartão de esperança e uma revista seleção de janeiro de 2000, onde descrevia um caso de um jovem americano que sua família havia vendido tudo o que tinha para conquistar a saúde do filho e havia conseguido. Mesmo quando a estatística mostrava, resultados desanimadores (meninos, a cura era impossível).

A partir daí, depois de chorar durante 2 horas na viagem de retorno para casa, inspirei fundo e decidi lutar até o fim para buscar a cura, estava disposta a vender o pouco que tínhamos.

Entrei neste movimento de corpo e alma. Doeu muito, mas pude crescer como pessoa mãe, esposa, filha e em outros papéis sociais que exerço.

Tivemos muitos momentos difíceis, como um período de 10 meses e 21 dias de internação no HC –(Ambulim), lá foi o período mais difícil para nós, apesar da dedicação de todos os profissionais que lá atuavam. Porém não saiu curada, pois havia muitas coisas a serem resolvidas e movimentos intensos da alma continuavam a nos perseguir.

Era muito difícil ver e sentir seu sofrimento. E impossível entender racionalmente. O porquê uma moça bonita inteligente e saudável, poderia ter aqueles comportamento? Ao querer responder está pergunta só nos distanciávamos dela e da cura.

Quando sai dos porquês, e me prepus a olhar para o meu comportamento e de toda a família, acolher com amor está oportunidade.

O AMOR incondicional foi fundamental nesta caminhada, caminhar juntas ao lado, acompanhando no nosso tempo, buscando alternativas, como homeopatia, terapias individuais, familiares e constelações familiar (Bert Hellinger), que mudou nossa forma de pensar e agir com relação aos sintomas e atuar na causa dos sintomas, e não no que aparecia.

A determinação de nossa pequena grande filha, fez com que, mesmo com pouca energia buscava alternativa de cura nos envolvendo em seu movimento. Durante todo o processo manteve cursando sua faculdade com excelente resultado, isso foi muito importante, pois tinha onde se agarrar para continuar a lutando, ao final passou na prova para o mestrado na USP e já concluiu com excelência, hoje está no doutorado.

Após 8 anos, seu sorriso e brilho nos olhos trás para nós todos a possibilidade de continuar, fluindo no momento saudável de nossas almas.

Aprendi muito em todo este processo e me sinto orgulhosa de ser sua mãe.
Agradeço a minhas filhas, esposo, ex-esposo e aos Deuses e Deusas por este presente de podermos renascer, sem precisar morrer literalmente.
Espero conseguir escrever um livro para contribuir com outras famílias.

Olhar para a própria sombra poucos tem coragem, e iluminá-la pode ser gratificante.

__________________________________________________________________________________ Texto de Eva Praxedes
Contato com Eva através do e-mail:
evapraxedes@uol.com.br

5 comentários:

Ana Cláudia Bessa disse...

Eva,

meu orgulho em ser sua amiga só aumenta.
Sua força é contagiante.
Ter te conhecido foi uma das melhores coisas que eu trouxe da minha morada em SP.
Você é fundamental e integrante de um parte transformadora da minha vida e você sabe disso!
Os nove dias que passamos juntas, foram sensacionais e nos trouxe até aqui.
Parabéns à você, à sua filha, á sua família.
Tenho certeza que seu depoimento vai ajudar muita gente.
Obrigada por se expor e dividir sua vivência conosco!

Cristiane A. Fetter disse...

Eva, isso é que nos dá forças para trilhar este caminho fantástico que é ser mãe.

É com depoimentos como o seu que podemos olhar e ver que nossos "problemas" são muito, mas muito pequenos. Temos que aprender a valorizar e também minorizar as nossas atitudes. Nem tudo tem que ser levado a ferro e a fogo.

Tenho orgulho de ser mulher ao encontrar pessoas como você que tira força e energia de lugares impossíveis.

Grande beijo.

renata disse...

Que depoimento lindo! Quem tem filho não pode deixar de ficar emocionada...
Parabens pela coragem e a força,Eva!
Precisamos lutar tb para prevenir que esse tipo de doença acometa nossas filhas, a começar por boicotar a didatura estética da magreza. COnheço uma menininha de 9 anos que não é gorda e faz dieta porque as amiguinhas na escola ficam no pé dela. Pode isso?
E conheço muitas que com essa idade comemoram aniversário em salões de beleza fazendo unha e escova com as amiguinhas, ou então em lojas de grife. Acho surreal, com essa idade eu não dava a mínima pra isso. Fico apavorada, minha filha tem 2 anos e vai crescer convivendo com esse tipo de coisa. E começa cedo, com 1 ano minha filha já tinha 4 Barbies (todas ganhou de presente), uma boneca que representa exatamente esse padrão estético. Aliás tenmho um taxto fantástico sobre isso, se vcs tiverem interesse posso enviá-lo.
Ana, que tal lançarmos uma campanha? ;)
Beijos
Renata

Ivo Fontan disse...

O que dizer?
Só me ocorre uma coisa:
Escreva logo seu livro. Por favor!

Marcos disse...

eva, parabéns pela sua luta.
voce é assim não só em casa mas com todos que a cercam.
seus resultados sao consequencias das tuas lutas.
você é uma vitoriosa, e torna vitoriosos a todos que convivem com você
grande abraço