terça-feira, 16 de outubro de 2007

Música em minha vida

O grande Stevie Wonder cantou, num dos seus inúmeros sucessos, que “.. música é um mundo em si, tem uma linguagem que nós todos entendemos..”.
Nada mais certo.

Em qualquer lugar do planeta, milhões de pessoas estão requebrando e cantarolando ao som de uma música, não importa em qual país, raça, cultura ou estilo. É uma necessidade humana, tal como comer. Não é à toa que existe uma indústria mundial em torno da música faturando horrores.

Mas o que eu quero falar hoje é de um aspecto especial : o de fazer música, tocar um instrumento. Desde cedo convivi com música e, ainda pequeno, ganhei um violão. Aprendi a tocar um pouco e ao longo dos anos toquei e brinquei com uma multidão de pessoas, o que em si só já é um grande aprendizado (além de uma grande farra ...).

Existe algo de mágico quando tocamos um instrumento. A primeira vez que nossa improvizada banda de adolescentes conseguiu tocar uma música inteira até o fim (até então só fazíamos barulho) fiquei deslumbrado e surpreso comigo mesmo. Parecia que havia entrado noutro mundo, virado adulto...

O ato de tirar som de um instrumento é apaixonante e para se chegar a alguma proficiência é preciso muito estudo, disciplina e perverância. Eu poderia escrever um livro com dezenas de histórias pessoais (algumas impublicáveis...).

Até hoje, beirando os 50, as vezes chego em casa cansado, estressado e amuado, pego meu violãozinho, me tranco no quarto e descarrego um pouco. Mas bom mesmo é tocar com outras pessoas. A música tem o poder de atrair, descontrair, unir as pessoas, ainda mais ao vivo.

Lembro-me então do meu pai, boêmio das antigas, que arrastava os amigos para a nossa casa para noitadas ao piano (para desepero da minha mãe) - ele tocava e cantava Frank Sinatra. Insistia para que tocássemos juntos, o que fizemos em várias ocasiões e que o deixava feliz ao passo que eu, adolescente convencido que gostava de Rockn’Roll, fazia pouco caso (mas também gostava).

Hoje, quase 20 anos após sua morte, me dou conta que não toquei tanto com ele quanto gostaria de ter feito. Eu aprendi tantas novas músicas e acordes desde então, mas o velho não está mais aqui e eu sinto a falta, não só dele, mas dos encontros musicais que ele proporcionava. Sorte minha que minha filha mais velha e o meu gurizinho de quase 4 anos puxaram a veia musical da família. Ambos já tem violão e até já tocaram comigo!

Resolvi que vou fazer igual ao meu pai: vou buscar promover saraus e juntar tantas pessoas quanto possível, família, amigos, conhecidos, desconhecidos, curiosos, não importa (isto ainda vai me causar encrencas com a minha mulher..).

Fazer música é uma celebração à vida.

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Texto de Milton Fetter

3 comentários:

Ana Cláudia Bessa disse...

Milton, não tem nada que eu possa comentar mais do seu texto. Concordo com tudo.
A gente tem um teclado e eu deixo na sala, disponívelpara eles se familiarizarem. Ao contrário de você, não tenho essa veia artítica na família...mas a vontade já é suficiente a nos motivar.

Cristiane A. Fetter disse...

Realmente a música é um instrumento incrível na vida de qualquer um.
Une, alegra, distrai, expõe, ajuda..., etc.
O meu filho tem um amiguinho que tem um nível de autismo e no seu aniversário demos para ele um violãozinho e depois a mãe veio nos dizer que o que ele mais gosta é de brincar com o instrumento e tocá-lo junto com o pai.
Melhor resposta que isso não existe.
E quando acontece um trabalho de música junto as comunidades carentes, o resultado é impressionante.
Grande post Milton.

Ivo Fontan disse...

Tenho certeza que sua esposa não vai "encrencar". Só se ela fosse uma chata, e tenho certeza que ela não é!
Dei a maior força, hein! Fala a verdade?!
Até que enfim alguém lembra de falar de música neste blog!