segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Nosso dia mundial sem carro

Dia 22 de setembro foi o Dia Mundial sem Carro. Nós nos planejamos para ficar em casa e , se precisasse, sair por perto, sem carro (farmácia, padaria...). Contudo, por motivo de força maior, tivemos que sair. E ir longe.

Sair de ônibus, não daria, porque estamos a uns 500 metros do ponto. Na ida tudo bem, mas e a volta com as crianças cansadas mais a bolsa pesada...?
E se chovesse? Não dá.

Então, fomos de carro até a estação das barcas, onde deixamos o carro num estacionamento. Esse já é por si só um passeio lindo, já que estamos atravessando a Baía da Guanabara e vendo toda a beleza e exuberância do Rio de Janeiro.


Chegando ao centro, estamos na praça XV, local onde desembarcou a Família Real em 1808. Daí pra frente, o Rio é pura História.

Nosso plano era pegar o metrô até a Tijuca, contudo, como passar pelo Paço Imperial sem entrar? Entramos!



E ali encontramos um bistrô, salas de cinema...enfim...um centro cultural onde no passado foi a Casa da Moeda (e lá é possível ver as ruínas dos fornos), posteriormente residência da Familia Real até ela partir para o exílio e onde foi assinada a Lei Áurea pela Princesa Isabel. E as crianças correndo onde D. Pedro I pisou...rs

Saímos dali rumo ao metrô.

Mas como seguir sem entrar no Palácio Tiradentes atual Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). Lá uma exposição de fotos mostra a trajetória política da casa e é possível andar livremente por dentro das dependências do Palácio que já foi a sede do Congresso Nacional quando a capital ainda era o Rio de Janeiro.
Tiramos fotos e mais fotos daquela arquitetura belíssima, do plenário e das maquetes, que mostram que antes da construção do atual prédio, ali funcionava a Cadeia Pública de onde saiu em 21 de abril de 1792, condenado e caminhando pelas ruas do centro da cidade, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, para ser enforcado no Largo da Lampadosa.

Saímos extasiados de tanta cultura e tudo isso de graça!

Dali fomos pela Rua da Assembléia, onde passou Tiradentes a caminho da forca, fazer um lanche porque a fome era de matar! Que piadinha infame...

E trocar fralda, fazer xixi e sentar um pouco porque ninguém é de ferro!

Depois, metrô até a Tijuca. Que as crianças adoraram! Andaram de trem pela primeira vez!

Na volta, pretendíamos pegar um ônibus até a estação das barcas mas um tiroteio começou em alguma proximidade de onde estávamos. Apenas ouvimos os tiros que deviam sair de algum morro ali perto (a Tijuca é cercada de morros). Resolvemos entrar no metrô (vai que descem o morro e começam a atear fogo em algum ônibus?). E entramos na mesma estação onde há 4 anos, Gabriela foi assassinada num tiroteio. Isso é o Rio de Janeiro...
E aí, outro trajeto de "trem" que as crianças curtiram mais ainda.




No centro, muito movimento, apesar de ser final de um dia de um sábado.
E voltamos para casa de barca, com as crianças dormindo, nós dois mortos e todos felizes porque fizemos um passeio maravilhoso. E embora tenhamos usado o carro, reduzimos nosso trajeto em 70%, usando estritamente o necessário.



Leia mais:
Ibope faz balanço do Dia Mundial Sem Carro
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/conteudo_254982.shtml
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Texto de Ana Cláudia Bessa

7 comentários:

Cristiane A. Fetter disse...

Eu sempre falei uma coisa para várias pessoas. Perdemos vida andando de carro, achando que estamos ganhando tempo. Tempo sim, qualidade de vida não.
E o centro do Rio de Janeiro é um baú cheio de surpresas a serem exploradas.
Agora que estou fazendo um curso de conversação, os outros alunos e a professora que é americana ficam abismados com as coisas legais que eu digo que o Rio tem.
É só termos coragem de fazer o que você fez.
Me espere em janeiro, Rio de Janeiro.
Abraços

Ivo Fontan disse...

Muito legal seu passeio, mas não consigo resistir:
"Quer dizer que o local onde os deputados se reúnem já foi uma CADEIA? hummmm, isso deve explicar muita coisa!!!"

Ana Cláudia Bessa disse...

Cris, hoje fiquei sabendo que a igreja ao lado do Palácio Tiradentes, provavelmente, é a igreja onde se casou a Princesa Isabel com o Conde D'Eu. E também onde deve estar enterrado os restos mortais (ou uma parte deles) do Pedro Alvares Cabral.

Eu nem preciso dizer que na escola eu adorava História.

e acalento há muito tempo um passeio cultural pelo centro do Rio...As crianças vão passear muito por lá...rs...

Ana Cláudia Bessa disse...

Ivo,
Sabe que sua perspicácia tem toda uma lógica histórica? rs...
Realmente, isso não é coincidência...é destino....

Olá, sou a Evellyn! disse...

Passeei no Rio querido com seu texto...

Sabia que meu filho teve uma amiguinha na creche com seu sobrenome? A Luiza Bessa, filha da Beth, é da sua família?

Beijos

Ana Cláudia Bessa disse...

Oi, Evellyn!

Quando viver ao Rio, tente reservar um dia para dar um volta pelo centro da cidade...sei que é difícil visitar a família e ainda programar passeios mas tente, é maravilhoso!


A família Bessa é muito grande. decedência portuguesa...rs...não podia ser diferente.

Eu tenho um dos pés fincados profundamente na terrinha...rs...Ceará. Dificilmente somos de famílias próximas, mesmo com o mesmo sobrenome.

paola oliveira disse...

Gente, que passeio maravilhoso!

Vou fazer um dia desses e volto aqui para contar!

Eu particularmente não aderi propositadamente ao dia mundial sem carro pois não precisamos sair de casa. mas nãodeixa de ser legal ver que podemos fazer nossa parte de várias formas.

Parabéns , Ana.
Belo exemplo.