segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A história na estória dos livros.

Já que estamos sempre falando aqui de livros para crianças, resolvi falar também de livros para adultos. Acabei de ler “ Inés del alma mía”, o ultimo romance da extraordinária escritora Chilena Isabel Allende . Ela pesquisou durante 4 anos para escrever um romance misturando fição e história com base na vida real de Inés Suárez, uma mulher de muita fibra que deixou a Espanha nos meados do século 16 e veio fazer a vida, fama e fortuna na recém conquistada América do Sul. Inés, partindo do Peru colonizado por Pizarro, torna-se amante de um grande homem e o segue para realizar a conquista do Chile e fundar sua capital, Santiago.

O livro é uma delícia. A autora possui um impressionante dom de prosa e conta a história real da conquista da América do Sul nos idos de 1540, através da experiência, visão e sentimento da personagem principal: uma mulher. Todo homem deveria ler ao menos um livro da Isabel Allende (ou ouvir uma musica do Chico Buarque) para tentar entender a alma feminina ao invés de simplesmente tentar possuí-la.

A Inés que Isabel constrói é aquela mulher perante a qual os homens se curvam e se contentam em admitir sua alegre submissão . E olhe que estamos falando dos grandes guerreiros conquistadores Espanhóis do século 16, os mais bravos e destemidos de então. Quem ler o livro vai entender o que estou falando. Eu poderia gastar horas falando sobre a autora Isabel Allende, mas não é esse o ponto principal de hoje. Isabel escreveu um livro que é um romance mas também é uma aula de história : fascinante, preciso, informativo, cativante para quem, como eu, sou vidrado em história.
Através do livro, não só me deliciei com uma grande estória, como tomei conhecimento da história da conquista do Peru e do Chile. Precisamos de mais livros assim no Brasil.
Eduardo Bueno , que hoje está no Fantástico (mas nunca o vi na TV) escreveu uma ótima série de livros sobre o descobrimento do Brasil e os primeiros anos de colonização. Quando os li, alguns anos atrás, senti imediatamente a diferença para os velhos livros de história da minha época, que pareciam ter sido escritos para editais de um Ato Constitucional a serem narrados pela Voz do Brasil...

Assim eram os livros escolares de antigamente e os autores pouco faziam para melhorar a coisa e tornar a leitura um pouco mais deglutível. Euclides da Cunha que me perdoe, mas o melhor livro que eu li sobre Canudos foi o romance La guerra del fin del mundo, do Peruano Vargas Llosa.

Precisamos estimular a leitura da história do nosso país. Temos um passado muito rico e ainda pouco explorado e desvendado. É verdade que temos tido uma certa “renascença” ao interesse da nossa história recente – e neste aspecto, Elio Gaspari tem contrubuído bastante - mas creio que ainda é pouco. Precisamos incentivar os jovens a se interessar por história e a literatura é um ótimo caminho (assim como artes pláticas, cinema, musica ou qualquer outro meio de comunicação de massa). Se os nossos talentosos escritores abordassem mais temas históricos, tal como a Isabel Allende, a nossa história seria melhor difundida entre a nossa população.
Quando era criança, gostava muito de ler livros de história e o gosto ficou para o resto da vida. Se os nossos livros de história para crianças e adolescentes fossem mais interessantes e melhor escritos, com certeza despertaria maior interesse em muitos jovens, ao invés de espantá-los.

PS : alguém sabia que a Venezuela (nosso país vizinho do "companheiro" Hugo Chavez .. ) tem este nome porque significa "pequena Veneza"?
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Milton Fetter

3 comentários:

Ivo Fontan disse...

Excelente texto Milton. Concordo com quase tudo, mas faço uma pequena ressalva. "La Guerra...", do Llosa é realmente um romance delicioso, e, "de quebra", conta muito da história real de Canudos, mas como você mesmo disse, é um romance. Já Os Sertões, em que pese o estilo "pesado" do grande Euclides da Cunha, é um dos mais completos documentos históricos que já foi feito neste país! É INIGUALÁVEL.

Ana Cláudia Bessa disse...

Milton,
com certeza precisamos ler mais pois só assim poderemos passar este hábito a nossos filhos. Não que isso seja preponderante pois eu mesma adoro ler, enquanto minha mãe não gosta.

Mas que o fato de darmos o exemplo , com certeza, é melhor.

Cristiane A. Fetter disse...

Ler sempre este é o meu lema. Meu filho de tanto ver a mãe lendo adora pegar um livro e fica "lendo".
E é ótimo aproveitar um romance e juntar o útil ao agradável, que é aprender muita coisas através de uma estória agradável.
Vários autores, brasileiros ou não, utilizam deste recursos para isso.
Aliás uma que eu acho ótima é a Leticia Wierzchowski, que é a autora da casa das 7 mulheres (aquele que a globo transformou em seriado). Ali ela aproveita a guerra dos Farrapos e conta esta estória através dos olhos das mulheres. Só que nos ensina muitas dos fatos que ali aconteceram.
Grande post Milton.
De sua esposa.
Cristiane