segunda-feira, 19 de novembro de 2007

PARADOXOS III

Quem de vocês possui (e usa) um automóvel fabricado na década de 70 (ou 80)? Sabe porque não? Porque não é "admissível", nos dias de hoje, permanecer com o mesmo veículo por mais do que alguns poucos anos.

Você é "bombardeado" por pressões vindas de todos os lados, inclusive dentro de sua própria casa, para "atualizar-se". Porque não dizer ainda que VOCÊ mesmo/a se cobra e se "permite" essa "atualização"? Claro que você, por outro lado, tem a plena consciência de que a indústria automobilística é uma das grandes vilãs do planeta, esgotando recursos naturais por um lado, e, "emporcalhando" a ar, por outro.

Você tem a exata noção do número absurdo de veículos que são produzidos diariamente no mundo, não tem? Não! Estendamos o exemplo do automóvel para qualquer dos bens de consumo que fazem parte de nossa vida e que "movem" a engrenagem da economia. Você tem noção de quantas toneladas de bauxita são necessárias para produzir as latas de cerveja que o Brasil fabrica em um ano? Quantos barris de petróleo foram necessários para que você tivesse acesso a todos os produtos de base polimérica que estão espalhados aí pela sua casa? Quantos eucaliptos foram plantados e derrubados para produzir o papel que a sua cidade consumiu hoje?

A resposta a todas essas perguntas é NÃO. Se você é especialista ou bem informado a respeito de alguma dessas questões certamente sacará um NÚMERO que responderá. Será? Talvez você realmente "saiba" o número, mas dificilmente você COMPREENDERÁ este número. Esta é uma questão muito interessante e muito séria, e que representa uma grande dificuldade para o ser humano na compreensão das questões ligadas à sustentabilidade do planeta: A compreensão dos Grandes Números!

Nossa mente não "foi feita" para lidar com grandes números. Não precisamos! Por dez mil anos de "civilização" (forçando barra!) tudo o que precisamos compreender estava contido na "casa dos milhares", no máximo. Antes mesmo do advento dos sistemas numéricos. A percepção de que cem é mais do que dez, ou mil é mais do que cem, ou cem mil é mais do que mil, é "natural" e mensurável, mesmo que não "nominável". Quando falamos de milhão "prá cima", a coisa já muda. Embora nós já lidemos com certa desenvoltura com essa "ordem de grandeza", de fato, nosso cérebro não atingiu a mesma desenvoltura de nosso "discurso".

Por falar em números, este post já passou do tamanho ideal.


Continua.

_________________________________________________________________________________ Ivo Fontan

3 comentários:

Ana Cláudia Bessa disse...

Assusta....

Ivo Fontan disse...

Você tem formação química. Não devia se assustar com Grandes Números!

Ana Cláudia Bessa disse...

risos...
Com 1,55m , calçando 35 e tendo um marido de 1,83m que calça 44 bico largo fica difícil eu ter medo de grandes números...rs...

O que me assusta é a projeção disso em termos de importância. Ou seja, o que vamos fazer com cada carro desses milhões que entram no mercado quando chegar o futuro?
O que vamos fazer com essas trocentolenadas de lixo que os governos ainda não se mexem para coletar seletivamente e dar destino sustentável?
O futuro me assusta...