terça-feira, 27 de novembro de 2007

Como assim?

Escrevendo o post sobre escola, me lembrei de uma conversa que tive há algum tempo com uma vizinha.

Ela perguntou se as crianças já estavam na escola.
Eu respondi que não pois achava que ainda era muito cedo e que eles podiam curtir um pouco mais a vida descompromissada e a convivência em família (os dois menores de 3 anos na época).

Ela respondeu concordando (por educação) e falou que os dela estavam na creche desde 1 ano e meio e que quando eu precisasse, que ela me indicaria a creche onde eles estão matriculados pois era uma excelente instituição. Inclusive, as crianças já voltavam para casa de banho tomado e “jantadas’!

E eu pensei: Como assim?
Nem lembro como esta conversa terminou porque somente fiquei pensando no que esta mãe estava perdendo.

Eu adoro fazer essas pequenas rotinas do dia-a-dia com meus filhos. Muitas vezes deixo que outros façam para que eles ao fiquem presos apenas a mim para estes momentos. Uma criança que chega cansada da creche ou escola de banho tomado e alimentado, tende apenas a chegar em casa para dormir, talvez.

Vejo tantos depoimentos de mães que se arrependem de não ter curtido mais essa fase pequenina de seus filhos!

Outra coisa é a refeição: fazemos todos juntos à mesa na maioria das vezes. Mesmo quando eles eram pequenos e ainda não comiam. Sempre na mesa com a gente. Nada de alguém sair com eles para passear enquanto comíamos ou de um de nós almoçar primeiro. Certa vez, um casal que perguntou, vendo a gente se sentando para almoçar, se era difícil e há quanto tempo não comíamos juntos. A gente sempre come junto e nem percebia se era difícil? ...rs.

Claro que não estou falando das mães que não podem porque precisam trabalhar. E não falo daquelas que precisam só por causa do dinheiro. Tem aquelas como as dentistas, por exemplo: que se não trabalhar não ganham e ainda perdem seus clientes. Cada caso é um caso. Falo genéricamente daquilo que deixamos de curtir sem nem mesmo nos darmos conta...
A Renata já nos falou sobre isso num post. Crianças precisam de atenção.

Eu estou tentando curtir ao máximo. Tento não ter pressa de adiantar nada na vida deles que não seja algo que eles manifestem naturalmente.
Foi assim com a alimentação (transição entre peito e novos alimentos);
Foi assim com os primeiros passos ;
Foi assim com as primeira palavras...

E agora está sendo assim com as letras, os números e as cores.

Cada criança tem sua velocidade, seu ritmo.
Eu tento, dentro da minha intuição, respeitar esse tempo. Ás vezes é difícil porque a gente sempre acha que as outras crianças estão mais adiantadas...rs...a grama do vizinho é sempre mais verde...normal..rs...a gente inevitávelmente compara.

Mas tento dar a eles a infância mais tranqüila que puderem. Não há pressa em ir para a escola.
Esses primeiros anos são únicos. Insubstituíveis. Irrecuperáveis.
Eles têm uma vida inteira de estudo pela frente.
Que quando começar, não terminará nunca mais!

Leia mais:
Preciso de atenção : http://ofuturodopresente.blogspot.com/2007/08/preciso-de-ateno.html
________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

2 comentários:

matteo irma disse...

Concordo com tudo que vc falou, Ana. Adoro estar com a minha filha, fazer as refeições juntas, dar banho, pintar, desenhar, brincar, contar histórias...às vezes preciso de um tempo, não recuso ajuda não, mas em geral adoro fazer as coisas com e para ela. As pessoas e mães com quem convivo me acham meio ET quando digo que ainda não vou colocá-la na escola no início do ano que vem (ela estará com 2 anos e meio em março). E quando eu pergunto a outras mães sobre a escolinha de seus filhos? Tem umas que vem me contar, super-empolgadas:
- a escola prepara para o Santo Agostinho!
Eu acho que fico com cara de bunda, mas tento disfarçar e não falo nada, mas meupensamento é: então nessa escola eu não coloca minha filha mesmo!
Quero que minha filha continue brincando muito e sendo criança mesmo depois que for para a escola. E me parece que grande parte das " melhores" escolinhas que vemos por aí estão preparando crianças de 4 anos para vestibulares de escolas tradicionais (e puxadíssimas) como o Santo Agostinho. Definitivamente não é o que eu quero pra minha família!
Beijos

Ana Cláudia Bessa disse...

Oi, Renata!

Eu também não nego ajuda, não.
Aqui em casa todo mundo faz tudo.
Minha mãe, minha sogra, meu marido...
Eu não fico apegada que só eu tenho que fazer e me sinto muito cansada em determinados momentos.
Atualmente eles andam dando um trabalhão prá tudo, menina...
Reclama de tomar banho, não querem comer comida, lutam para dormir, uma loucura...

E o Meu pequeno parece estar desmamando, já negou o peito algumas vezes.
Acho que estou entrando na depressão pós-fralda depois de 3 anos com bebê em casa...rs..

Eu também fugiria de pré-escolas que preparam uma criança para escola do tipo da Santo Agostinho.

Sabe, eu estudei em colégio puxado mas o que me deu base mesmo foi a Escola Técnica Federal onde cursei meu segundo grau. Lá eu aprendi o que é ter que estudar muito e por minha conta, sem monitor de classe, de corredor, carteirinha de presença. Alí, aprendi a ser uma estudante responsável. Eu eu já tinha meus 16 anos!
Não precisa disso tudo na pré-escola não...