quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

FILHOS?

Este blog é uma criação de, e, para pessoas que se procupam com o futuro do nosso presente, estamos sempre procurando mostrar nossas dúvidas, dicas e abordar temas muitas vezes polêmicos. Falamos sempre sobre os filhos que já temos e nossa preocupação com eles.

Estou levantando este tema porque me lembrei que na minha gravidez só falaram de algumas coisas para mim, como ter o neném, como amamentar, o que precisava comprar, mas não me prepararam para a impotência de ver um filho doente e não poder fazer nada, até que os remédios façam efeito, a não ser pegá-lo no colo, murmurar uma prece e falar baixinho no ouvido dele que – calma meu filho, já vai passar. Nem da dor de ver nos olhinhos do rebento a sua primeira decepção, ai meu Deus!.

Mas e as pessoas que ainda não os tem? O que será que elas pensam? O que será que elas sentem? Normalmente só falam das coisas lindas que a maternidade/paternidade traz, mas e as preocupações? E responsabilidades?
Muitas perguntas né?

A responsabilidade de ter e preparar uma criatura para o mundo é muito grande. Ter é fácil, mas continuar a preparação é que é difícil.
Tive oportunidade de perguntar a pessoas mais velhas qual era a preocupação delas quando tiverem os seus. A resposta que tive foi: nenhuma, só queríamos filhos!
Como mudou.
É muita importância, é muito importante.

Hoje não nos importa a quantidade mas sim a qualidade. Quem é mãe/pai, pãe ou mai sabe como é. Muitos valores se inverteram. Nós pensamos mais sobre este ato maravilhoso que é a criação de um novo ser e sua preparação para este mundo de meu Deus (adoro esta frase: "mundo de meu Deus").
Mas percebo que quem ainda não tem filhos quase não deixam seus comentários em nossos posts, com raras exceções.
Medo? Não sei, dúvidas? Com certeza.

Eu só posso dizer uma coisa. Não consigo entender como a minha vida era vivida antes da vinda do meu filho. É impressionante isso. Era como se antes da vinda dele eu não existisse. É muito forte, é arrebatador. Mesmo com todos os problemas, dificuldades e preocupações.
Aí me lembrei de um Poema do Vinícius de Moraes que fala sobre estas criaturinhas e de forma bem divertida resume muito do que a gente sente.


Poema enjoadinho
Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

_________________________________________________________________________________ Cristiane A. Fetter


Poema retirado so site http://www.viniciusdemoraes.com.br/

6 comentários:

matteo irma disse...

Cristiane:
Realmente, a maternidade não é um mar de rosas. Responsabilidade, preocupações. Restrição da nossa liberdade, necessidade abrir mão de coisas.
Mas e as alegrias? As emoções positivas são imensuráveis, indescritíveis. O primeiro encontro, o primeiro sorriso, a primeira gargalhada, os primeiro passinhos, as primeiras palavras. ver essa criaturinha tão nossa crescendo, descobrindo o mundo...só quem tem filho sabe do que estou falando.
E esse poema é tudo. Vinicius traduziu perfeitamente em palavras e em poesia a maternidade (e/ou a paternidade), esse coisa apaixonante e ao mesmo tempo insana.
beijos
Renata

Cristiane Fetter disse...

Adorei a frase: Essa coisa apaixonante e ao mesmo tempo insana.
Resumiu tudo.
Beijocas

Ana Cláudia Bessa disse...

Vou falar mais o que depois do que vocês duas disseram?
Eu que falo pouco (ahahahahaha), só posso concordar com tudo e ainda dizer que filhos são o sentido da vida. Que eles preencherão nossas vidas na velhice com netos, família e alegrias, como preenchemos a vida de nossos pais. São os filhos que nos fazem amadurecer, desenvolver caraterístcas que sem eles( por tudo que nos fazem vivenciar), talvez nunca aprendamos: como paciência, abnegação, resignação, humildade e perdão.
Desculpem os errso de portugues mas estou acabada...rs...bjs!

Sonhos de Crochê disse...

Eu lembro da Rita de antes e de quem sou agora depois de minhas duas filhas: uma estrelinha e uma florzinha. Sou melhor hoje. Aprendi a dar mais e não só querer menos como a me satisfazer com pouco. Ninguém me disse da parte difícil de ser mãe. Eu me sentia a pior das criaturas em sentir tantas difilculdades. Sofri admito, não foi fácil, fui filha muito tempo, ser mãe exigiu de mim grande esforço. Principalmente porque não via ninguém reclamar, as vezes só um pouquinho. Hoje está melhor, muito melhor. Sou MÃE! E quando digo que aprendi a dar muito e querer pouco é porque, só penso nelas quando entro numa loja, quando vejo um livro, uma gravura, um brinquedo, um bichinho, uma colcha de cama,um parquinho, uma praça, o mar, etc., E me contento com um sorriso, um afago ... o mundo se ilumina. Por isso peço tanto beijo cada vez que uma delas passa por mim. Não saberia dizer em palavras o que sinto. Só sei que É MUITO BOM TER FILHOS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Beijos
Rita

Paola Oliveira disse...

Cris,
me sinto como você e amo este poema!
É a tradução da mais pura verdade!

Beijos!

Cristiane Fetter disse...

Que bom que você gostou Paola.
Beijos para você.