segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Roubalheira institucionalizada

Salete Lemos está fazendo participação fixa, com cachê, no "Hebe", mas ainda não digeriu sua demissão da Cultura, em julho. Ela diz que foi dispensada após criticar os bancos e o governo. "Um banco ameaçou tirar o patrocínio se eu não me retratasse no ar. A Cultura perdeu o compromisso com a liberdade editorial", afirma Salete. A Cultura diz que a demissão dela não teve relação com o comentário.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/zapping/ult3954u323871.shtml

4 comentários:

Tânia disse...

Sensacional!

A sociedade precisa se organizar contra estes desmandos! Meu Deus!
Que Deus nos dê mais jornalistas assim!

Álvaro disse...

Será que foi mesmo demitida por causa de suas declarações? Que absurdo! Como pode ainda haver pressões como estas, como pode a imprensa ceder a este tipo de pressão? Cadê a ética pela informação? Cadê a liberdade de expressão?
Cadê o banco que não se defendeu publicamente ao invés de provocar a demissão da jornalista?

Marcelo Bessa disse...

Caros,

É sempre bom ouvir um jornalista dizer - para o Brasil inteiro também ouvir - o que está entalado em nossa garganta. Parece que lava a nossa alma.
Entretanto, antes de qualquer desabafo, é necessário reflexão. O fato de dizer "o que todo mundo quer ouvir" não significa honestidade com os fatos e com a verdade. "O que todo mundo quer ouvir" muitíssimas vezes não é o certo. Hitler soube encantar o povo alemão, dizendo o que eles queriam ouvir. Deu no que deu. Cá para nós: xingar bancos dá o maior Ibope! Afinal, lucrar bilhões tão facilmente é uma vergonha num país de desigualdades como o Brasil. Pode ser certo, mas é imoral. Entretanto o capitalismo é imoral. E que defende o capitalismo defende de alguma forma esta imoralidade. Não pode reclamar tanto.
A análise sobre o desabafo de Salete Lemos (autêntica discípula do jornalismo opinativo do Boris Casoi), cheio de uma indignação que muitas vezes compartilhamos, deve ultrapassar a emoção e chegar à razão. Ela não está num boteco, conversando com amigos. Ela fala para milhões de pessoas, que não "têm tempo" (muito menos interesse) para saber se aquilo procede ou não. Sua responsabilidade (da Salete) é imensa.
Sempre fui contrário ao jornalismo opinativo (em horário nobre) mascarado de "isento" e "corajoso", justamente porque despe o jornalismo de sua função principal: mostrar os dois lados e deixar as conclusões para o ouvinte ou leitor. Quer programa opinativo? Então monte um para este fim. Há vários formatos disponíveis. Imparcialidade? Isto não existe. Nem dos bancos, nem da Salete Lemos.
Quantos de nós não comentemos equívocos imensos com os fatos e com as pessoas de nossa convivência, muitas vezes com boas intenções. Pedimos desculpas (ou não) e o tempo se encarrega do mesmo. Infelizmente com o jornalista é diferente: seu discernimento equivocado mata a reflexão dos menos preparados. E todos nós somos despreparados em muitas coisas. O mundo está muito complexo e o interesse por algo além do superficial é raro nas pessoas. Nesse contexto, tentar concertar um erro jornalístico é tão infrutífero quanto tentar salvar uma barata num galinheiro. Mas dá para salvar!!!
Como dizia o poeta, opinião é igual bunda: todo mundo tem a sua. Mais importante que a opinião, seja pública ou privada, é a verdade dos fatos.
Sendo assim peço que não se deixem levar pelo discurso "porreta" da Salete. Procurem se é verdade o que ela diz. O Arnaldo Jabor um dia desses criticava os OLIGOPÓLIOS, naquele jeito cínico dele de "dizer o que todo mundo quer ouvir". Esqueceu-se o "nobre" comentarista de escancarar, na sua "ira justiceira", que ele mesmo está sentado sobre um dos MAIORES E MAIS VIS OLIGOPÓLIOS DO BRASIL, a nossa "querida" Organizações Globo (aquela mesmo que apoiou a Ditadura), que detém mais de 50% da verba publicitária de nosso país (incluindo TV, jornais, revistas, internet etc). O que será de nós?
Sem querer ofuscar tanto o deslumbramento pelo desabafo da Salete, peço apenas que reflitam. Não estou querendo julgá-la como certa ou errada (procurarei me informar melhor). Apenas pretendo esclarecer que devemos ter cuidado com nossas emoções. É muita fofoca é pouco fato. A verdade? Esta vai sendo chutada para escanteio.

Abraço,

Marcelo

Ana Cláudia Bessa disse...

Meu imrão,
adoro quando você aparece por aqui.
Concordo com você em parte.
Acho que o jornalismo opinativo tem seu espaço e seu valor.
Claro que o jornalista deve ser imparcial, sim, mas não vejo nada de errado em termos este jornalismo opninativo, alternativo diante da realidade que estamos vivendo.
Até onde sei, estes fatos são a mais pura expressão da verdade.
Os bancos sonegaram informações, embora os interessados também tenham tido 20 anos para buscar as mesmas, eles não facilitaram em nada. O governo, o grande causador do problema com seus planos econômicos, se isenta de culpa e ainda reconhece a dívida, ou seja: devo, não nego e não há como pagar...vão dormir.
Se a postura dela foi exagerada, e talvez tenha sido, é assim mesmo.... nós humanos, certas horas, explodimos de indignação.

É tanta pizza que a gente tem que engolir todo os os dias que tem hora que dá indigestão...