terça-feira, 25 de dezembro de 2007

REMÉDIOS - parte 1

Neste post vou voltar a falar um pouco sobre a vida americana e o que tem de diferente que eu encontrei aqui.

No Brasil estamos acostumados a entrar nas farmácias e comprar qualquer remédio. Eu digo qualquer, pois até aqueles que são regulados por receitas azuis, os famosos tarja preta, você compra. Inúmeras reportagens de telejornais brasileiros comprovam isso. E quando não é direto na farmácia, você pode adquirí-los pela internet.

Eu mesma, quantas vezes, comprei antibióticos, ansiolíticos, remédio para pressão alta, anticoncepcionais e tantos outros, para mim ou outras pessoas, sem necessidade de uma receita. Fui criada com essa cultura. A cultura da auto-medicação. Completamente errado.

Portanto, quando cheguei aqui nos Estados Unidos e fui pela primeira vez até uma farmácia para comprar um anticoncepcional e me informaram que somente com uma receita médica autorizada eu poderia adquirí-lo, levei um choque. Tive um chilique, argumentei que eu já utilizava este remédio no Brasil e que não havia motivo para ele não me vender o remédio.

O farmacêutico (pois aqui todas as farmácias tem um de plantão enquanto ele estiver aberta) me explicou que: "neste país é lei, pois se algo acontecesse comigo na utilização do produto que ele venderia sem receita, eu poderia processá-lo. Auto-medicação é proíbida aqui, se no meu país isso era normal, ele não poderia fazer nada, mas aqui só com acompanhamento médico".Grosseiro não, direto, normalmente assim são os americanos. Em assuntos assim não existe meio termo. Estão certos em não querer assumir responsabilidades.
Nem vou entrar no assunto de que no Brasil muito gente morre e chega a té a passar mal com a auto-medicação e a conivência das farmácias e seus funcionários.

Bem, voltando, - Pensei cá comigo: Ah isso é uma forma dos planos de saúde ganharem mais dinheiro, e claro os médicos também. E o que eu fiz? Quando soube que um amigo vinha do Brasil para cá, pedi que ele trouxesse os remédios que eu precisava. Mais uma vez cometi o mesmo erro.

O tempo foi passando, fui conhecendo melhor o sistema aqui e descobri que:

Se você não tem plano de saúde, qualquer médico que te atenda, dá para você DE GRAÇA todo o medicamento necessário. O governo entra com uma parte do pagamento e os laboratórios a outra;

Quando um médico prescreve algum remédio para você, ele faz a receita com a quantidade de dias e doses que você precisa e o farmacêutico prepara exatamente aquilo que você tem que tomar. Por exemplo, agora mesmo acabei de tomar um antibiótico por 10 dias, 1 por dia, então eu recebi da farmácia uma embalagem, com uma receita no meu nome e 10 comprimidos. Você compra exatamente o que vai usar, seja comprimidos ou solução. O remédio vem no seu nome e com seus dados.


Continua...

__________________________________________________________________________________ Cristiane A. Fetter

7 comentários:

Vera Falcão disse...

Cris, antes mesmo de vc completar seu texto (a parte 2), já vou inserir meu pitaco:
primeiro, não sou consumidora de remédios alopáticos, passo léguas de farmácias tradicionais, que aliás, podem ser encontradas a média de uma por cada quarteirão...
em segundo lugar, fico contente em saber que aí o consumo de drogas é bem controlado, digamos até, personalizado... imagina o que a indústria farmacêutica deixaria de vender aqui no Brasil, onde pode-se adquirir remédios com a maior facilidade, sendo que até na própria farmácia existem pessoas tão gentis que nos indicam o que tomar para curar nossas dores...
e last, but not least, caprichem na alimentação que os remédios não serão necessários!

Ana Cláudia Bessa disse...

Cris, aqui também é lei ter um farmacêutico responsável em cada farmácia e de plantão. Só que cumprir é outra coisa.

Muito legal essa coisa do remédio controlado e na quantidade certa. Aqui nossa lei já prevê isso apenas em alguns remédios e as farmácias de manipulação somente estão fazendo medicamentos com receita atualizada.

Vamos caminhando a passos lentos, mas vamos.

Cristiane Fetter disse...

Poe é Vera, eu também acho que remédios não são necessários para algumas coisas, mas dependendo da situação e do problema eles são úteis sim.
Com uma infeção não tem como lutar com outra coisa a não ser o antibiótico (que eu detesto diga-se de passagem) mas nesses casos eu não dou bobeira.
E a situação de lugares frios, como o que eu vivo aqui, e de pais que não tem o hábito de tratar de forma correta os resfriados ou alergias de seus filhos, piora ainda mais a situação em uma escola.
Mas eu também acredito que a alimentáção pode e é a maior fonte de saúde da gente.
Abraços

Cristiane Fetter disse...

Pois é Ana, eu sei desta lei e desta obrigatoriedade, mas eu nunca entrei em uma farmácia no Rio de Janeiro e encontrei a tal figura. Encontrava sim a placa que anunciava o dia que ele estaria presente ali e mesmo nesses horários a criatura não estava presente.
Agora o balconista está sempre disposto para "receitar" alguma coisa e a gente sempre "disposto" a comprar.

Luciana Amaral disse...

Gostei muto desse negócio de ter remédio com a quantidade certa que a gente vai tomar.
Eu sempre tenho que dar uma geral na caixinha e jogo SEMPRE um monte de sobra de remédios fora.
PPrejuízo e desperdício.

Carolina Arêas disse...

Cristiane,

Semana passada, pela primeira vez, precisei de um antibiótico aqui no Canada. Realmente, para quem ainda está acostumada com o esquema brasileiro de comprar remédio, o daqui, a princípio, parece chato. Mas, lendo seu texto, espero pensar o mesmo que você daqui a alguns meses!
: )

Cristiane Fetter disse...

Vai pensar sim Carolina. No começo a gente fica "fula" da vida, pois realmente crescemos dentro deste esquema de comprar sem controle, mas depois você perceberá que isso só traz benefícios.
Não vai sobrar remédio no seu armário, você não jogou dinheiro fora, não terá vontade de tomar o primeiro antibiótico que encontrar lá para uma dor no ombro entre outras coisas.
Tomar remédio não é bom, mas já que não tem jeito vamos é melhor tomar controladamente.
Abraços Carolina.